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Nenhum banco tem IPv6 implantado

O desafio está lançado: para garantir continuidade de uma boa experiência do cliente, bom tempo de resposta e manter o desempenho de conectividade os bancos precisam implantar o quanto antes o IPv6 em seus conteúdos, leia-se portais, e também em suas redes internas. Por mais estranho que possa parecer, hoje, praticamente nenhum banco brasileiro concluiu a implantação do protocolo que substitui o IPv4. Estamos atrasados em relação ao mundo? Nem tanto. Salvo em algumas localidades como Coreia do Sul e Índia, na maior parte dos países o sistema financeiro ainda não fez essa migração.

Então, porque um sinal de alerta? Na visão de Lucas Pinz, gerente de tecnologia da PromonLogicalis, para que os bancos mantenham o nível de experiência atual do cliente, apenas para citar um exemplo, eles precisam acelerar os passos para essa implantação. O executivo explicou que a luz de alerta se acendeu porque a maioria das operadoras concluiu a implantação de IPv6 em suas redes e já começou a entregar isso para os usuários finais via seus planos de banda larga.

Obviamente, essas instituições, conhecidas por seus orçamentos de tecnologia mais que robustos, não estão paradas. Pinz informou que o ambiente de teste já existe sim e os projetos de implantação devem ser iniciados em breve. Um exemplo de trabalho em andamento vem do Banco Bradesco.

Ao participar de um painel que discutiu o impacto de internet das coisas (IoT) no sistema financeiro, tema que necessariamente passa pela discussão da migração IPv4-IPv6, Marcelo Frontini, responsável pela área de inovação do Bradesco e também à frente da Scopus, braço de tecnologia do banco, afirmou que a instituição já iniciou o desenvolvimento das páginas institucionais dentro do novo protocolo de comunicação. “Mas isso não depende só de nós, mas dos fornecedores, das empresas de telecom, todo mundo precisa estar pronto para evoluir. E mesmo acabando o IPv4, o ambiente transacional do banco seguirá funcionando.”

E vale lembrar que os bancos não estão sozinhos, salvo ambientes como universidades, pelo viés de pesquisa, operadoras e grandes portais de conteúdo, a maior parte das empresas não implantou e ainda nem esboçou projetos de migração. E aí temos serviços importantes como companhias varejistas e sites do governo. De acordo com o NIC.br, a previsão de esgotamento dos endereços IPv4 é de duas semanas contadas a partir de agora, assim, falar de migração neste momento é sim um tema urgente.

“Os bancos estavam esperando o mercado. Quem comanda essa migração são as operadoras. A partir de 2011 elas fizeram diversos projetos, nós participamos de vários deles. Na fase que estamos hoje as operadoras estão prontas para entregar IPv6 para os clientes delas. Até então, o banco não poderia fazer porque não teria quem acessasse, não teria razão financeira para o investimento e agora chegou o momento. Assim como outros lançamentos aconteceram, como quando em 2012 Google, Facebook e outros sites implantaram IPv6 em seus conteúdos, acontecerá com os bancos. Mas até o final deste ano os projetos precisam estar prontos com deployment já em 2015”, explicou Pinz, da PromonLogicalis.

O especialista explicou, no entanto, que o desafio é grande. A maioria, como dissemos, já iniciou os testes e deve concluí-los até novembro para, aí sim, implantar o IPv6 na rede viva a partir de 2015. O início, até pela natureza do negócio, será pelas páginas de conteúdo e transações. O problema é que tais projetos podem consumir até meses de trabalho. Isso porque, atualizar o conteúdo exige mudanças em servidores, ajustes no data center e regras de firewall, pedindo, assim, que os processos sejam acelerados.

“Será uma migração faseada. A maioria dos caixas eletrônicos rodavam com Windows XP, que tem acesso limitado ao IPv6, você até implanta com muito trabalho, mas não responde bem. Se for atualizar todo o conteúdo e os ATMs de uma vez, será um custo alto, por isso, esse trabalho acontecerá por fases”, comentou Pinz. 

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