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Não se pode mais engajar pessoas usando estruturas antigas

A seguradora SulAmérica conta com uma trajetória centenária. Fundada há 123 anos, a empresa passou por muitas mudanças até abrir o capital em 2010. Mas atualizar uma companhia que conta com um portfólio de diferentes produtos, mais de 5 mil funcionários e 30 mil corretores independentes, não é trivial.

Para o CIO da SulAmérica, Cristiano Barbieri, e a diretora de Recursos Humanos, Patricia Coimbra, a renovação exigiu uma transformação cultural da empresa, um trabalho que tem envolvido toda a companhia nos últimos quatro anos – desde os corretores até o conselho. “A cultura digital, se não permear os nossos talentos, se não tocar nossos executivos, a transformação cultural não acontece em escala”, ressaltou Barbieri durante o IT Forum 2019, evento realizado nesta semana pela IT Mídia, na Praia do Forte, Bahia.

Mas como mudar a cultura e digitalizar produtos de uma grande empresa centenária? A saída foi utilizar métodos ágeis. Barbieri e Patricia contaram que o trabalho envolveu a criação dos chamados squads multidisciplinares.

Neles, cada time conta com um product owner com vocações e currículos distintos. Há desde médicos que participam do desenvolvimento de um produto a cientistas de dados. Uma das contratações mais recentes da SulAmérica foi a de um epidemiologista. “Onde encontrar um epidemiologista com experiência em squad?”, brincou Barbieri. “Pois é, nós encontramos”, respondeu Patrícia.

“A transformação passa por estruturas novas. Criamos um time estruturado em squads para fazer toda a digitalização das jornadas de trabalho”, contou Barbieri. Atualmente, a SulAmérica conta com 30 squads, que rodam projetos em uma metodologia que o executivo chama de máquina de digitalização de jornadas. “Tenho hoje cliente que me compara com Nubank, com Uber, todas essas experiências”, destacou ao falar sobre a urgência de entregar uma experiência intuitiva e digital para os clientes da seguradora.

Os executivos lembram que seguradoras, historicamente, sempre estiveram longe dos clientes. A urgência da digitalização dos negócios muda, como Barbieri diz “o centro de gravidade”. “Eu não faço transformação digital sem olhar para o cliente”, pontuou.

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A mudança de cultura de uma empresa como o SulAmérica exige convencer, segundo Patrícia, toda a companhia. “Estamos dentro do core do negócio. Não é algo marginal. Estamos fazendo uma transformação corajosa, mudando o DNA do nosso negócio principal”, relatou Patricia. “Esse é o maior projeto da empresa. Está permeando todas as áreas do negócio”, reforçou Barbieri. Segundo os executivos, hoje toda a companhia tem consciência das novas metodologias de projeto e trabalho que hoje atravessam a SulAmérica.

Para modernizar a cultura de pessoas da SulAmérica, Patrícia contou que a companhia se inspirou em oportunidades pontuais para testar novos modelos. Entre eles está a adoção do home office. Durante o período das Olimpíadas, Copa do Mundo e manifestações que tomaram as cidades, a seguradora lançou mão do modelo de trabalho a distância e deu certo.

“Saímos de zero em home office para permitir, em dois anos, para 60% da companhia”. A falta de espaço no escritório em São Paulo também resultou na mudança de um time para o WeWork, espaço de coworking habitado por startups. “Aproveitamos a necessidade e capitalizamos, testamos”, disse Patrícia.

Como atrair talentos?

Barbieri e Patrícia lembram que o mercado de seguros, de forma geral, não tem uma boa reputação em atrair jovens talentos. Eles citam uma pesquisa que indica que a atratividade do setor no mundo é de 2%. “Estamos brigando com todas as empresas, incluindo startups, para atrair talentos digitais”, destacaram.

A transformação cultural da SulAmérica mostra para uma nova geração de profissionais que a modernização não é só da tecnologia, mas também da cultura, algo que atravessa o espaço físico, a flexibilidade para home office, o dress code e até mesmo o reconhecimento de metas, que passa cada vez mais a ser coletivo. Mudanças que também são importantes para não só atrair novos talentos, como retê-los.

“Não mudamos uma empresa desse tamanho em seis meses. Estamos no auge do aprendizado, mas estamos o começo da jornada”, refletiu Barbieri.

E qual é o perfil de profissional que a SulAmérica busca contratar? Segundo Patrícia, é preciso ter o perfil colaborador. “Tem que ter o perfil de contribuir. Precisamos melhorar junto, por isso buscamos o perfil de quem colabora, de quem tem intenção de construir”, indicou.

 

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