Para Leandro Cresta, CIO da BIC para América Latina, a tecnologia tem muito a se beneficiar do multiculturalismo dos times. Desde 2015 na fabricante francesa de produtos à base de plásticos, Cresta desenvolveu grande interesse pela gestão de pessoas e culturas, algo que reflete em seu trabalho de liderança de projetos e equipes.
O desenvolvimento, diz ele, “precisa ser empático”. “Você não pode criar estereótipos para as pessoas. Entende-se as capacidades de cada um para colocá-las nas posições corretas”, resume. Formado em Engenharia de Computação pela Unicamp e com MBA pela Dom Cabral, Cresta já foi CIO da Bimbo Brasil e passou por outras grandes empresas, incluindo Novartis e Procter & Gamble.
O executivo assumiu o desenvolvimento de uma plataforma-chave para a operação da BIC na América Latina e um time enxuto responsável pelo desdobramento das soluções contava com desenvolvedores da Alemanha e Argentina. A plataforma foi desenvolvida integralmente na nuvem da Microsoft, a Azure, e consegue consolidar em um lugar só a leitura de dados de empresas de pesquisa, gerando painéis de inteligência para os negócios da BIC.
A estimativa é de que a solução conseguirá reduzir entre 10% e 20% o custo de aquisição de dados e serviços de empresas de análise de mercado. Os profissionais da área de Marketing foram os mais beneficiados pela plataforma. Pelo projeto, Cresta recebeu o prêmio Executivo de TI do Ano 2019, da IT Mídia, na categoria Bens de Consumo.
Tecnologia preparada para as adversidades
Cresta explica que a plataforma reflete o desenvolvimento de uma visão estratégica da BIC de longo prazo. Ao ser projetada na nuvem e suportada por Inteligência Artificial, a companhia conseguirá endereçar desafios adversos. “A plataforma é como um recipiente com 10 mil legos. É possível agora montar tudo o que quiser a partir dela”, compara Cresta.
Para entregar inteligência estratégica para a área de Marketing, o time de Cresta recorreu à automação por meio de bots, estes também integram a suite de Business Intelligence da Microsoft. Os bots são responsáveis pela ingestão de dados da web. Na visão de Cresta, o grande desafio não só da BIC, mas como de todas as empresas diz respeito aos dados. “O desafio continua sendo a qualidade desses dados, a padronização deles e a responsabilidade pela sua manutenção. Acho que é o desafio de toda empresa”, conta.
Os robôs assumem o trabalho de varrer a web para alimentar o chamado “data feeder”. Antes da plataforma, a área de marketing precisava realizar um trabalho manual para encontrar dados de pesquisas de mercado e relatórios em locais e formatos diferentes. “Por meio da plataforma, conseguimos colocar relatórios de diferentes países em um dashboard configurado. Hoje, toda a área de marketing consegue acessar finanças, vendas, fazer análises, pois foi construído um projeto para isso baseado em uma plataforma única”, explica Cresta.
Segundo o executivo, a plataforma foi desenvolvida em cerca de nove meses. “Foi um trabalho bem otimizado, procuramos não só focar em metodologias novas e flexíveis, mas em Agile como um todo. Tivemos muita experimentação, prova de conceito”, lembra o executivo. “A plataforma é completamente escalável e foi feita justamente para endereçar os princípios de incerteza e ambiguidade que temos no mundo hoje”, destaca.
A mobilidade também foi fundamental para o sucesso da plataforma, que agora permite ser acessada em qualquer dispositivo móvel. Cresta conta que os usuários da solução abraçaram a tecnologia. “Eles estão fascinados com o uso e a flexibilidade que têm para visualizar esses dados”. Para Cresta, o usuário da solução precisa sentir-se proprietário dela.
O maior aprendizado, segundo o executivo, diz respeito à capacidade de desenvolvimento de uma visão estratégica suficientemente abrangente que permita não apenas a visualização do estado final, mas também de longo prazo.
“O mais importante é entender as ambições do negócio da companhia como um todo. Garantir que essas ambições estejam ligadas com as estratégias da companhia e que também influenciem na estratégia da TI. A grande sacada não é sair com um monte de projetos. A plataforma ativará projetos futuros, é como um desenho arquitetônico. Você vai ter algo para ter escalabilidade e resiliência para garantir o que venha a ser desenvolvido e para fazer as mudanças necessárias no futuro”, conclui Cresta.
Finalistas do prêmio Executivo de TI do Ano 2019 – Bens de Consumo
1º Leandro Cresta, CIO da BIC América Latina
2º Nicolas Simone, diretor de TI do Grupo Boticário
3º Sandro Tavares, CIO do Midea Carrier
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