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Modelo descentralizado transforma TI do TCP

Você lembra daquele departamento de TI isolado e com pouco contato com as áreas de negócio? Melhor ainda: daquela TI pouco comunicativa e centralizadora? Acredito que sim. Mas o que era um estigma das áreas de tecnologia está ficando no passado. Ao menos, muitos CIOs têm trabalhado para isso, como é o caso de Diego Neufert, CIO do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP).

O executivo chegou há dez meses na companhia com objetivos bem desenhados, entre eles, o de trabalhar o modelo descentralizado, dando poder às possíveis lideranças do departamento de modo que cada um crie o sentimento de dono do projeto, da iniciativa ou mesmo da corporação. Assim, o desafio estava lançado, já que, no geral, as pessoas não estão acostumadas a liderar, mas habituadas a receber ordens.
“Muitos têm o perfil de liderança e isso apenas não foi estimulado. Quando identifico, desenvolvo e estimulo o sentimento de dono, porque vai pegar o projeto e fazer acontecer”, avaliou. Esse perfil descentralizado, propicia também o desenvolvimento de uma visão de negócio mais apurada, essencial para projetos multidisciplinares e que pedem negociações com diferentes áreas, como foi a iniciativa Terminal Eletrônico, que levou Neufert a vencer o prêmio Executivo de TI do Ano na categoria Transporte e Logística.
O projeto focou na automatização de entrada e saída de contêineres com faturamento automático e integrado à Receita Federal. Houve ainda, a ampliação da capacidade operacional do terminal com redução de custos por meio de agendamento eletrônico, OCR para reconhecimento automático dos caminhões e liberação aduaneira automática por meio de integração com o Siscomex da Receita Federal. O CIO pontua ainda que inclui também o faturamento eletrônico de 90% das cargas transportadas pelo terminal.
Além de ser liderado pela TI, o projeto que mudava o processo de diversas áreas, trazendo dessa maneira entre seus desafios a negociação e Neufert afirma que isso foi resolvido trabalhando em parceria com as áreas impactadas. Algo que facilita esse trabalho, sobretudo o de liderança, está no fato de a companhia ter uma área de PMO estruturada e subordinada à TI. “Esse PMO faz todo o trâmite com as áreas, mas temos parceria grande com os departamentos em toda a companhia, em especial controladoria e resultados.”
Neufert conta que quando chegou à companhia o cenário era outro, mas aos poucos, foi impondo seu ritmo e dando forma a um novo departamento, que deixou uma zona de isolamento para integrar-se ao negócio. “A TI muitas vezes fica isolada, como uma célula que não se envolve”, relembra, pontuando um problema ainda comum em diversas companhias. E quanto mais acuado for o departamento, menos estratégico e menos importante será. A renovação é necessária para que a TI realmente possa provar valor ao negócio por meio de uma interação maior, que gera mais conhecimento sobre o negócio e, consequentemente, referenda o departamento para propor projetos que impactem diversos setores.
No TCP, por exemplo, a maioria dos projetos demanda aprovação do Conselho Administrativo; demonstrando ROI, a aprovação é imediata. “Agora estamos fazendo uma apresentação para o conselho de um projeto que gerará economia de US$ 2,5 milhões por ano, é uma prática comum.”
Olhando especificamente o projeto Terminal Eletrônico, o CIO não compartilha números exatos, mas atesta que a iniciativa contribuiu para o EBITDA de R$ 10 milhões, além de impactar diretamente a lucratividade por reduzir o tempo de contas a receber por meio da liberação e desembaraço de cargas com o faturamento eletrônico e automatizado.

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