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Médico mineiro cria instrumento para cirurgias de catarata com impressora 3D

O médico mineiro oftalmologista de 34 anos Sergio Canabrava desenvolveu um instrumento para realizar cirurgias de catarata a partir de uma impressora 3D. Canabrava explica que o material é usado em cirurgias de catarata nos casos de ‘pupila pequena’, quando a pupila não dilata por razões de saúde do paciente ou em casos específicos, como diabetes. Aproximadamente 2% a 5% dos pacientes são acometidos pelo problema e necessitam dos instrumentos de dilatação.

Sem o material, o médico afirma que era preciso fazer quatro incisões no olho do paciente, além do corte da própria cirurgia. Com o Anel de Canabrava, como foi batizado o instrumento, o médico precisa fazer apenas o corte da cirurgia.
O feito inédito no mundo criado será apresentado em um congresso médico realizado anualmente nos Estados Unidos em meados de abril. Como o Anel será mostrado pela primeira vez no evento, não pode ter sua imagem divulgada até lá.

Canabrava afirma já tinha visto o uso de impressão 3D em outras áreas médicas como ortopedia e neurologia e incentivado por participações em congressos internacionais passou a estudar uma aplicação para a tecnologia na oftalmologia.

Por cerca de dez meses ele estudou materiais biocompatíveis com o organismo humano para desenvolver o material e assim poder utilizá-lo em cirurgias. “Consumi um certo tempo para chegar no design desejado, já que o anel tem 0.6 mm de altura e 6.5 mm de diâmetro”, conta. Para tornar o projeto realidade, Canabrava investiu cerca de R$ 2,2 mil com impressão e outros itens.

Com a tecnologia, o custo do instrumento caiu de R$ 600 para R$ 30. Além disso, o tempo consumido na cirurgia de casos de pupila pequena também foi reduzido, garante. 

Para imprimir o material, Canabrava recorreu à empresa mineira especializada em impressão 3D Feito Cubo. Magnus Herman, proprietário da companhia, afirma que prestou consultoria ao médico para garantir que a impressão estaria em linha com as expectativas do projeto.

Segundo ele, como o anel é muito pequeno foi necessário imprimir o material com base em tecnologia de alta definição usando material líquido.  “Quanto mais líquido, mais detalhe”, explica, acrescentando que a impressão demorou cerca de duas horas e meia para ser finalizada.

Até o momento, foram realizadas duas cirurgias com o anel, assinala Canabrava. Otacílio Ferreira da Silva, de 69 anos, foi um dos pacientes beneficiados. O médico conta que agora sua intenção é democratizar o produto. Ele afirma que não vai cobrar royalties e deverá disponibilizar o arquivo do anel para que outros médicos possam imprimir o material e usar em suas cirurgias.

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