O desafio do mercado da moda em lidar com renovação de portfólio sem perder controle dos dados é grande. Trata-se de um mercado que, diferentemente de setores como alimentação e transporte, por exemplo, tem renovação de coleções a cada três meses. Além disso, os resultados por natureza são esperados em tempo real — uma tendência observada nas araras em um fim de semana deve estar pronta já para os próximos sábado e domingo. E, para o mercado de moda de luxo, não há possibilidade de estoque: as peças remanescentes perdem muito valor e margem de lucro quando o prazo da coleção expira.
“O que nós precisamos é que o negócio seja mais rápido. E a integração dos sistemas de TI é a parte mais lenta de tudo que fazemos. Mesmo com tudo isso, estamos buscando a redução de custo convencional por meio da tecnologia”, resume o CIO da Luxottica, Dario Scagliotti. O grupo, cliente da SAP há sete anos, fabrica e distribui óculos de marcas como Ray Ban e Oakley. Embora tenha algumas lojas de varejo de domínio próprio, também há modelo de franquias. “E isso nos coloca em posição diferente da maioria das marcas, que realizam outsourcing de produção com empresas asiáticas”, pontua.
Scagliotti conduz a difícil integração vertical entre seus sistemas de manufatura e de vendas, bem como as lojas de e-commerce com a aquisição de quatro módulos do SAP Hana, tecnologia in-memory da empresa alemã. “Não importa como o consumidor compre nossos produtos, mesmo sendo negócios distintos, trata-se de uma única empresa e por isso é importante que tudo esteja conectado”, conta o executivo em mesa redonda durante a Retail’s Big Show 2014, feira de varejo que acontece nesta semana em Nova York*. Ele conta que um projeto piloto que demandou esforços financeiros e tempo foi o suficiente para o executivo concluir que sim, o Hana funciona.
“O varejo ainda é considerado de maneira fragmentada, com vendas, supply chain e produção separadamente. Vemos a demanda pela unificação dessas verticais”, afirma o vice-presidente sênior da SAP para desenvolvimento de varejo multicanais, Thomas Vetter. Ele conta que a companhia alemã trouxe o Hana para a base da plataforma que sustenta as soluções de varejo, e é essa estrutura que suportará as mudanças do mercado para os próximos anos, quando é projetada uma integração ainda maior entre os canais offline e online para os consumidores – com impacto direto em logística e produção.
E a pressão para esses CIOs é grande, sobretudo em oferecer serviços inovadores digitais nas lojas para os clientes. No caso da Luxottica, a aquisição da Glasses.com na última semana permitirá à empresa simular virtualmente a prova de modelos de óculos em lojas, e-commerce e outros canais de venda, por exemplo. Como ressalta o vice-presidente de TICs da Tommy Hilfiger, Arne Tjalma, de nada adianta prover interatividade avançada se, no back office, não há tecnologia suficiente para suportar essas atividades. “No fim das contas, um consumidor satisfeito pode se tornar insatisfeito”, pondera.
Controle de dados
A promessa do Hana é dar conta do processamento do crescente volume de dados da indústria da moda em tempo real. “A tecnologia in-memory evita a alocação dos dados em tecnologias de data warehousing e analytics, processando-os automaticamente”, explica Vetter, da SAP. Os meta dados dos produtos do varejo possuem mais variáveis do que aqueles de outras indústrias – variáveis essas que só crescem. No futuro, será possível saber exatamente o material de cada peça vendida, de modo a calcular exatamente a demanda de cada fábrica não apenas pelo tamanho e cores das peças, mas também com a matéria-prima. E apesar das possibilidades projetadas no que tange à tecnologia, a inteligência do negócio fica sob responsabilidade do cliente. Afinal, a imprevisibilidade das tendências de moda e a produção do “hype” do momento é o que faz a diferença nesse mercado.
Vale lembrar também que é uma grande aposta para algo projetado para o futuro. Ou seja, embora alguns projetos já tenham se provado válidos, os resultados concretos serão conhecidos em longo prazo. Das empresas participantes do painel (Tommy Hilfiger, Luxottica e Adidas), a previsão mais próxima para o primeiro módulo de seus sistemas totalmente integrados para o Hana é o fim de 2014, no caso da Adidas, apesar de alguns pilotos já estarem funcionando como o caso do projeto da Luxottica, de três anos atrás, e um módulo da marca esportiva na Rússia. “Depositamos muito esforço e tempo. Não foi fácil. Mas o que posso dizer é que impressionamos nossos gerentes de processos de negócio”, resume Scagliotti, da Luxottica. “Afinal, como CIO, preciso dar informação a meus pares. A tecnologia de informação tem isso em sua definição. Ou seja, não devemos deixá-los preocupados com sistemas, e sim dar-lhes dados e informação”, conclui.
* A jornalista viajou a Nova York a convite da SAP
A plataforma de locação de automóveis Movida lançou um agente de inteligência artificial integrado ao…
A Oracle anunciou Marcelle Paiva como nova vice-presidente de vendas, Go-to-Market (GTM) e ecossistema para…
O mercado de ofertas públicas iniciais voltou a ganhar tração em 2026, impulsionado principalmente pelo…
A Oracle encerrou o quarto trimestre e o ano fiscal de 2026 com resultados recordes,…
A disputa entre Anthropic e OpenAI ganhou novos contornos e se tornou um dos principais…
As áreas de marketing B2B precisam rever sua estrutura operacional para acompanhar a transformação do…