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Máquina dos Sonhos II: Placa-mãe e o resto

O Resto (mas nem por isso desimportante)

O processador é um Phenom II X6 1055T de 2,8 GHz da AMD, o segundo mais rápido oferecido pela empresa (o primeiro é seu irmão 1090T que opera a 3.2 GHz). Fabricado com tecnologia de 45 nm, tem um cache interno de 6 MB, dissipa uma potência de 125 W e usa a arquitetura Thuban, a mais recente da empresa ? que voltou a usar o recurso denominado Turbo Core, que permite que cada núcleo ajuste sua frequência de acordo com a demanda do processamento, com resultado semelhante à técnica TurboBoost empregada pela Intel. Uma análise (com resultado satisfatório) do desempenho do processador, efetuada pelo conceituado sítio Anandtech, pode ser encontrada aqui. Considerando que a placa-mãe Crosshair IV Formula aceita apenas processadores da AMD, o Phenom II X6 1055T era a segunda melhor opção possível, com desempenho bastante próximo (e, em alguns aspectos, superior ? veja o artigo acima citado) ao dos processadores equivalentes da Intel. Que, não obstante, custa uma fração do preço dos chips Intel. Portanto, talvez ele não seja o mais rápido processador disponível no mercado, mas ? e esta é a opinião unânime de praticamente todos os analistas ? é certamente o que apresenta a relação custo / desempenho mais favorável.  Aí está ele, na Figura 2, devidamente aboletado em seu soquete da placa ASUS, logo abaixo dos módulos de memória.

E por falar em memória… A mais rápida aceita pela placa-mãe seria uma DDR3 de 1833 MHz, mas a memória constava da lista dos itens que não foram encomendados e não consegui encontrar módulos desta frequência. O que encontrei de mais rápido e de fabricante confiável foram os módulos DDR3 1600 da Kingston de 2GB cada, dos quais um deles é exibido no alto da Figura 3. Comprei quatro, que foram devidamente instalados como mostra a Figura 2, o que elevou a capacidade de memória primária da máquina para 8 GB. Como o sistema operacional instalado na máquina é o Windows 7 de 64 bits, toda ela é “enxergada” pelo sistema.

O que se vê na parte inferior da Figura 3 é o disco de sistema. Tecnicamente não se trata de um disco, mas de um dispositivo totalmente constituído de memória, um SSD (ou “disco” de estado sólido) sobre o qual já escrevi uma pequena série de colunas que começa aqui.

As especificações do bichinho podem ser encontradas aqui. É um dispositivo aderente ao padrão SATA 600 que suporta taxas de transferência de 6 Gb/s. Ora, como este padrão é suportado pela placa-mãe (e poucas placas o suportam), por questões de otimização este seria o dispositivo de armazenamento ideal para a máquina dos sonhos.

O problema é que a tecnologia SSD ainda está em um estágio em que seu desenvolvimento técnico avançou significativamente mas seu grau de disseminação ainda não chegou ao ponto de forçar a queda dos preços, que ainda estão estratosféricos. O resultado é que os disquinhos são, realmente, infernalmente rápidos (a inicialização da máquina com Windows 7 Professional Plus de 64 bits, do momento em que aciono o botão “liga” até o sistema ser carregado e solicitar a senha, leva exatamente 43 segundos, cronometrados) porém absurdamente caros. A solução era comprar um com capacidade suficiente para instalar o sistema mas que coubesse no meu bolso (refiro-me ao preço, naturalmente).

Havia três modelos disponíveis. O menor (e mais barato) armazenava apenas 64 GB e custava pouco menos que US$ 150. O maior, de 256 GB, custava perto de US$ 600. Optei pela solução intermediária: o dispositivo da foto armazena 128 GB e custou menos de US$ 300.

Nele, procuro manter apenas os arquivos do sistema operacional e mais o mínimo indispensável. Com isto, usei menos de 50 GB de sua capacidade de armazenamento e ainda mantenho livres quase 80 GB. O restante (arquivos executáveis e toda a parafernália que acompanha os programas modernos) jogo no segundo disco rígido, um SATA 300 de 1 TB. Com isto tenho um conjunto razoavelmente equilibrado. E a máquina, acredite, ficou um foguete.

Finalmente, o dissipador de calor, um NH-U9B SE2 da Noctua.

A primeira vez que vi um deles foi na Computex 2009. Um tipo de dissipador de calor tão interessante que cheguei a citá-lo na coluna “Notas da Computex 2009“.

A Noctua é uma empresa austríaca especializada na fabricação de dissipadores de calor e ventoinhas. Em princípio pode-se pensar que, afinal, fabricar ventoinhas e dissipadores de calor não há de ser assim um negócio tão difícil. E, de fato, não é. O que é difícil é fabricar dissipadores de calor e ventoinhas em um nível de excelência. Nível este que pode ser aferido através de dois fatores: a eficiência com que o calor é efetivamente removido do sistema e o ruído emitido pelas pás da ventoinha.

Pois bem: aí está, na Figura 4, o dissipador de calor NH-U9B SE2 da Noctua montado sobre o Phenom II X6 (o dissipador pode ser usado tanto em placas mãe com processadores da Intel quanto da AMD e todo o material necessário para fixação em ambos os sistemas acompanha cada unidade). Repare que são duas ventoinhas, soprando no mesmo sentido, uma de cada lado de uma estrutura metálica composta de aletas que são atravessadas pelo fluxo de ar. O tamanho do dissipador dá uma ideia da superfície livre, arejada, através da qual a energia térmica se transfere para o ambiente interno do gabinete (de onde é removida pelas cinco ventoinhas do Lanboy Air). A eficiência térmica é altíssima. Porém o mais impressionante é o silêncio com que tudo funciona.

Pronto, a máquina está praticamente toda aí. E é quase toda novinha em folha.

O comentário é pertinente porque, quando monto uma máquina “nova” para atualizar meu sistema, uma razoável parte dela é composta por componentes e periféricos removidos da “velha”. Mas desta vez a coisa foi diferente. O único material “reciclado” foram dois acionadores e gravadores de discos óticos (um deles DVD de dupla camada, o outro BluRay) e um pequeno dispositivo com leitores de diferentes formatos de cartões de memória. Todo o resto, inclusive fonte de alimentação e cabos, foi tirado da caixa.

Um negócio bem consentâneo com a época natalina.

Pois, como a maioria dos demais adolescentes, cá estou eu, todo satisfeito, com meu brinquedo novo…

B.Piropo

PS: Desculpem, mas não posso deixar de comentar um fato que nada tem a ver com a coluna mas que interessa a todos os que prezam o bom português para que avaliem o que o uso abusivo de termos em inglês está fazendo com nosso pobre idioma, No início deste texto usei o termo “mister” (que se pronuncia com a última sílaba tônica) na acepção de “ocupação”. É uma palavra que existe em português há cerca de um milênio (o Houaiss dá conta que ela deriva do latim “minister / um” e foi incorporada a nosso vernáculo em 1170), foi usada no contexto correto e, apesar de não ser empregada com frequência, definitivamente não caiu em desuso. Pois bem: tenho por hábito, antes de publicar meus textos, submetê-los a um corretor ortográfico para flagrar eventuais erros, seja de digitação, seja provocados por minha não desprezível ignorância. Pois bem, não é que o corretor ortográfico (do Word 2010) sugeriu que eu trocasse o termo “mister” por “senhor”?

É nisso que dá daunloudear arquivos, estartar máquinas, visitar sites, printar documentos e deletar palavras… E o português? FUCKIT (Fica Uma Coisa Kafkiana, Ininteligível, Tristonha… )

E, antes que eu me esqueça: Feliz Ano Novo.

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