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Máquina dos Sonhos II: Placa-mãe e o resto

Pois muito bem, vamos adiante. Mas não sem um comentário à margem da questão.

Tenho computadores da linha PC desde a segunda metade da década de oitenta do século passado. Perdi a conta do número de máquinas que tive posto que, por força das circunstâncias e por dever de ofício, sou obrigado a acompanhar a evolução tecnológica. Mas contam-se às dezenas, se é que não passa da casa da centena.

Pois bem: comprada pronta, só a primeira. A partir da segunda, inclusive ? um saudoso AT com processador 80286 ? todas, sem exceção, foram montadas por mim.

Para montar o AT, ainda nos anos oitenta, tive que fazer um curso de montagem. Naquela época não os havia no Rio e tive que ir a São Paulo por uma semana exclusivamente com este objetivo. Ainda me lembro do meu espanto ao ouvir do instrutor, logo na primeira aula, que “montar computadores é muito fácil; a única dificuldade que pode surgir é não encontrar o parafuso certo na hora em que você precisa dele”. Na verdade, lembro toda vez que, durante uma montagem, procuro pelo parafuso certo e não o encontro ? o que ocorre com bastante frequência e, de fato, é a única dificuldade que tenho que enfrentar.

Mas por conta de que todo este palavrório?

Bem, a máquina está pronta e em uso, devidamente entronizada em minha mesa de trabalho, ao lado de seus monitores e logo abaixo da foto da moça mais linda do mundo ? que por acaso vem a ser minha neta. É claro que dá prazer usá-la. É praticamente a última palavra em tecnologia e tem todo o necessário para agradar o mais exigente dos usuários.

Mas todo este prazer nem chega perto daquele que senti ao montá-la.

Há algo de mágico em juntar um monte de peças inanimadas, encaixá-las, aparafusá-las, ajustá-las, configurá-las e, não mais que de repente, estar-se diante de um computador em pleno funcionamento. Por mais que se saiba como tudo aquilo se combina e por maior que seja seu conhecimento da arquitetura interna e dos princípios da eletrônica digital que efetivamente tornam aquilo possível, a sensação é muito parecida com a de criar vida a partir do nada. E, a cada máquina que monto, jamais deixo de me maravilhar diante da aparente façanha.

É claro que não estou sugerindo que cada um de vocês passe, a partir de agora, a montar suas próprias máquinas. Nem todo o mundo tem disposição para isto e, embora existam livros excelentes ensinando a fazê-lo (como os do Mestre e amigo Laércio Vasconcelos), o bom mesmo é fazer um curso antes de montar a primeira (e você nem precisará ir a São Paulo: provavelmente uma pesquisa na Internet indicará um na sua cidade ou perto dela). E nem todo o mundo dispõe do tempo necessário para o curso.

Só estou dizendo que aquele aficionado por tecnologia que desejar fazê-lo, dispuser do tempo, dinheiro e disposição necessários e decidir investi-los neste mister, dificilmente irá se arrepender.

E então entenderá o prazer a que me referi lá em cima…

Agora, voltemos ao que interessa.

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