Maioria dos consumidores não confia em organizações como guardiãs de dados

Mais da metade (65%) dos consumidores no mundo todo afirmam ter perdido a confiança nas organizações devido ao uso da Inteligência Artificial em um contexto de transparência de dados, alertou nova Pesquisa de Privacidade do Consumidor, da Cisco, referente a 2022. O estudo chama atenção para a reivindicação de uma maior transparência por parte dos consumidores.

Neste ano, 81% dos entrevistados concordaram que a maneira como uma empresa trata os dados pessoais é um indicativo de como ela vê e respeita seus clientes. Essa é a porcentagem mais alta desde que a pesquisa foi iniciada em 2019. A privacidade é vista como prioridade também para os brasileiros, com 47% indicando que trocaram de provedor por causa das práticas de privacidade de dados. No mundo, essa média ficou em 37%.

Outro sintoma de preocupação com a privacidade é o fato de que 46% dos entrevistados que possuem um dispositivo de escuta doméstico, como Google Home ou Alexa, dizem que o desativam regularmente para proteger sua privacidade e 76% dizem que não comprariam de uma empresa em quem não confiam na forma como tratam seus dados.

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Apesar das preocupações, 54% dos entrevistados afirmaram estar dispostos a compartilhar seus dados anônimos para melhorar os produtos de IA, sugerindo que, pelo menos, metade das pessoas acredita que os benefícios potenciais da IA superam os riscos.

No entanto, há uma desconexão entre empresas e consumidores: enquanto 87% das organizações acreditam ter processos para garantir que a tomada de decisões automatizada seja feita de acordo com as expectativas dos clientes, 60% dos entrevistados expressaram preocupação sobre como as organizações estão usando seus dados pessoais para IA.

Quando questionadas sobre quem deve desempenhar papel principal de guardião dos dados, mais da metade dos entrevistados disse que Governos devem fazê-lo. Muitos não confiam que empresas privadas sejam responsáveis com dados pessoais por conta própria.

“As organizações precisam explicar suas práticas de privacidade de dados em termos simples e disponibilizá-las prontamente para que clientes e usuários possam entender o que está acontecendo com seus dados pessoais. Não é apenas legalmente obrigatório, a confiança depende disso”, diz Harvey Jang, vice-presidente, vice-conselheiro geral e Chief Privacy Officer da Cisco.

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