Óculos do Google: 7 problemas que podem afetar a vida dos usuários

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11:59 am - 23 de fevereiro de 2012

Rumores iniciados pela imprensa internacional dão conta de que o Google irá lançar, no final deste ano, um óculos com realidade aumentada. O produto teria acesso à internet e sistema operacional Android para dar aos usuários informações sobre tempo e localização.

Porém, como qualquer experimento, os óculos do Google devem ser um ótimo divertimento. A companhia – ou qualquer outra empresa que criasse essa inovação – pode ter alguns problemas para descobrir como os óculos de realidade aumentada podem trazer valor real aos usuários

Aqui estão algumas questões em potencial que podem fazer esse produto fracassar:

Privacidade: o protesto das pessoas que enviam imagens diretamente para os data centers do Google será ensurdecedor, muito pior do que as reclamações sobre monitoramento dos hábitos de navegação. Os engenheiros da companhia discutirão, ativamente, as implicações de privacidade desses óculos. Mas o repetitivo histórico de problemas nesse setor sugere que a controvérsia será inevitável. O Google tem a tecnologia para habilitar o reconhecimento facial com o seu Google Google, mas tem evitado fazer isso para não ter problemas com a privacidade. E este é o grande problema, já que os óculos de realidade aumentada devem ser capazes de identificar, pelo nome, a pessoa que o usuário olha. Esse tipo de tecnologia ficará disponível, eventualmente. Ela pode ter como alvo departamentos de polícia, mas a população ainda não está preparada para isso.

Redundância: a realidade aumentada é legal. Mas colocar a tecnologia em um par de óculos não é estritamente necessário. Qualquer coisa que seu óculos do Google faça, o dispositivo Android fará melhor – sobretudo tendo em conta o pressuposto de que os óculos serão destinados a utilização periódica ao invés do uso constante.

Custo: por algumas centenas de dólares você compraria isso? Os serviços disponibilizados nesse dispositivo já estão rodando em smartphones. A realidade aumentada faz muito sentido se você é, digamos, um astronauta da Nasa, que precisa ver os esquemas do ônibus espacial em sua viseira, enquanto está solto no espaço para fazer reparos. Ela faz menos sentido para os usuários finais.

Saúde: já existe bastante medo, incerteza e dúvida sobre o fato de celulares causarem câncer no cérebro. Mas mesmo a pessoa com mais consciência científica é capaz de se recusar a utilizar esses óculos se o Google utilizar qualquer coisa mais poderosa que o Bluetooth para transmitir e receber dados. Sem contar os possíveis efeitos de distração visual e comprometimento.

Responsabilidade: se existirão problemas de saúde também existirão problemas de responsabilidade. As pessoas usarão esses óculos enquanto dirigem, mesmo que seja recomendado para não fazer. Isso pode causar acidentes, atropelamentos e alguém pode se machucar.

Vida da bateria: a vida da bateria ainda dificulta o uso de smartphones, tablets e notebooks. Nesses dispositivos, geralmente é possível sentir o peso da bateria. Os óculos precisam ser leves para serem confortáveis, então a bateria precisa ser pequena. Como consequência, os óculos não poderão ser utilizados por muito tempo a menos que eles exijam uma bateria separada conectada – o que arruinaria a experiência. Os óculos de realidade aumentada ideais funcionariam por meio da luz solar. E estamos, provavelmente, várias décadas longe desse tipo de energia fotovoltaica e de eficiência de processador.

Controle: o movimento da cabeça não será suficiente se esses óculos oferecerem serviços além da navegação. Eles terão que ter esses gestos convertidos em comandos manuais ou de voz. Então, a solução seria adicionar um microfone, o que acrescenta outra camada de problemas de privacidade e de requisitos de engenharia. Os óculos também terão que ser extremamente sensíveis – quando você virar sua cabeça, você não ficará feliz com informações relativas ao local que você procurava há três segundos. Isso significa a necessidade de uma conexão de rede muito rápida – algo que muitas operadoras de telefonia móvel não podem gerenciar de forma consistente – ou da exibição do mínimo de dados possível.

Os óculos do Google são promissores. Mas é mais seguro afirmar que esperamos pela versão 2.0 dele.

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