O 5G já se encontra disponível em algumas capitais do País desde julho deste ano. Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Palmas, Vitória, Curitiba, Fortaleza e Natal, são as capitais que contam com a quinta geração de telefonia móvel. Entretanto, apesar do avanço sobre a conectividade, novo relatório do Instituto IT Mídia lançado, nessa terça-feira (4/10), chama atenção para a desigualdade no acesso à tecnologia e como isso deve ampliar lacunas no nível educacional e, consequentemente, em oportunidades no mercado de trabalho.
De acordo com o relatório “5G na educação: desafios e oportunidades de transformar o ensino pela tecnologia”, os principais desafios de infraestrutura estão relacionados às escolas mais afastadas dos centros urbanos. Para suprir essa demanda, o próprio leilão de frequências para 5G estipulou obrigações de levar internet às escolas. O edital do 5G previu a destinação de R$3,1 bilhões para o provimento de conectividade nas Escolas Públicas de Educação Básica.
Vale lembrar que um dos aspectos que mais trouxeram impactos para a educação durante a pandemia foi a paralisação das aulas presenciais. Como consequência, entre 2019 e 2021, houve o salto de 1,4 milhão para 2,4 milhões de crianças de seis e sete anos que não sabiam ler e escrever.
“Em longo prazo, crianças com deficiência em áreas como interpretação de texto e raciocínio lógico também terão o letramento digital prejudicado, pois dominar tais habilidades são importantes na aquisição de conhecimentos e na exploração do ambiente online. Por isso, temos que tomar cuidado para que o 5G dentro da sala de aula não privilegie apenas quem tem acesso à educação privada. É preciso garantir um acesso equânime para não piorarmos a desigualdade em nosso ensino”, afirma o diretor-geral do Instituto IT Mídia, Vitor Cavalcanti.
Pesquisa TIC Domicílios 2021 revelou que, enquanto 100% da classe A tem acesso à internet no domicílio, na classe C, a proporção é de 89% e na DE, de 61%.
O relatório do Instituto IT Mídia ainda destaca que a tecnologia 5G pode possibilitar novas formas de ensino e aprendizado, seja no uso de salas virtuais, de equipamentos de realidade aumentada, realidade mista, entre outros recursos. Ao abordar esse aspecto, o relatório chama atenção sobre a forma que as escolas irão aplicar essas novas formas de ensino. “Para isso, é preciso que novas competências digitais sejam somadas ao currículo e não somente ao dos professores, como também ao dos diretores e gestores”, ressalta o estudo.
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