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John Deere abre centro de inovação em Campinas (SP)

Em linha com sua estratégia de investir constantemente no desenvolvimento tecnológico, a John Deere, fabricante de maquinários agrícolas e agricultura de precisão, abriu ontem (16/3), em Campinas, interior de São Paulo, um Centro de Agricultura de Precisão e Inovação.

A ideia do espaço, explicou Sam Allen, presidente global da empresa, durante cerimônia de inauguração, é que ele use tecnologias-base desenvolvidas nos centros nos Estados Unidos nos últimos anos e que elas sejam adaptadas para o mercado local, de acordo com as especificidades brasileiras.

Contudo, afirmou, a companhia vai explorar janelas de oportunidade em solo nacional, como conectividade, para criar soluções por aqui. “Estamos trabalhando no desenvolvimento de tecnologias locais para conectividade que estarão disponíveis até o final do ano”, adiantou, sem, no entanto, entrar em detalhes. A expectativa, assinalou, é de que o centro no Brasil ajude a organização a conquistar liderança na tecnologia de máquinas para cana-de-açúcar.

Allen explicou que esse centro se junta a outros cinco em todo o mundo nos negócios da John Deere e sua expectativa é de que o Brasil supere outras regiões na criação de tecnologias, porque o número de agricultores aqui é maior e porque esse setor nos Estados Unidos, por exemplo, tende a ser mais avesso à inovação. Ele explica. “A safra nos EUA é anual e os riscos são maiores. Aqui não. Há em alguns casos três culturas no ano, o que facilita a tomada de riscos”, apontou.

Alex Foessel, diretor do Centro Latino-Americano de Inovação Tecnológica (LAIC), explicou ao IT Forum 365 que o Centro de Agricultura de Precisão e Inovação se concretizou após a junção de dois grupos de inovação, além do Centro de Distribuição de Peças e o Centro de Treinamento. No total, são quase 300 colaboradores na planta. “Por meio do centro, vamos usar dados de sensores de nossas máquinas para otimizar nosso portfólio e levar benefícios aos clientes, como redução de custos e eficiência”, comentou.

A empresa não abre números locais de investimento em inovação, mas Foessel destacou que, por dia, em todas as unidades da John Deere no mundo, são direcionados US$ 4 milhões para pesquisa e desenvolvimento (P&D). O Brasil, naturalmente, tem uma fatia nesse montante.

Segundo ele, a aquisição em 2014 da Auteq, fabricante brasileira de software e computadores de bordo, ajudará no gerenciamento de frotas e certamente agregará capacidades para a empresa em solo nacional. Assim, será possível exportar essa tecnologia para outras unidades da empresa.

Uma das plataformas que já estão sendo desenvolvidas no centro é voltada para logística de colheita de cana, que ajudará na redução de tempo de parada de colhedoras que aguardam o caminhão de transbordo, aumentando em 15,5% a eficiência da máquina.

Investimento constante
Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil e vice-presidente de Marketing e Vendas para América Latina, afirmou que a fabricante investe pesado no Brasil e que ela não está aqui de passagem. “Estamos para agregar à comunidade e ao País, trazendo nossa tecnologia e nossos valores.” Segundo ele, o centro é um marco histórico da empresa, que existe há quase 180 anos.

Ele lembrou ainda que, hoje, a agricultura não está mais baseada no simplesmente ato de plantar e colher. Vai além e usa todo o poder da precisão. “É o início de uma nova era, de uma agricultura eficiente. Há cinco anos, falar de uma máquina que não precisava dirigir era um atrevimento. Hoje, todas as máquinas acima de cem cavalos da John Deere saem com piloto automático”, reiterou.

Allen fez questão de afirmar que de todos os investimentos da empresa, a precisão é um dos mais importantes. “Embarcamos nessa jornada como plataforma futura dos nossos negócios. Temos muito potencial para levar produtividade para os fazendeiros no Brasil.”

Os executivos lembraram que a agricultura de precisão tem sido executada por empresas de diversos segmentos e um elemento fundamental para seu sucesso é a integração de sistemas de informação. Eles apontaram que a John Deere tem acordos em curso com empresas como Bayer, Monsanto e Syngenta para possibilitar a integração dos dados de sementes e químicos com os de desempenho das máquinas.

*A jornalista viajou a Campinas a convite da John Deere

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