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Jargão: o mal que atrapalha a TI

O mundo de TI está repleto de outros mais difíceis —
jargão nebuloso, acrônimos, expressões populares e palavras inventadas
que evoluem tão rápido quanto a própria tecnologia. O pessoal do
dicionário é incapaz de acompanhar.

Algumas pessoas talvez achem
divertido usar terminologia técnica para confundir os tecnófobos, mas o
emprego disseminado de jargão traz conseqüências para o negócio e a
carreira. No mínimo, a confusão em torno de neologismos de TI pode levar
a uma falha na comunicação que gera frustração e desperdício de tempo.
“Você pode ser a pessoa mais técnica do mundo, mas de que adianta se não
consegue se comunicar efetivamente com seus parceiros de negócio?”,
indaga Jerry Luftman, executivo de relações acadêmicas
da Society for Information Management (SIM).

Aplicar incansavelmente todo o
jargão técnico disponível em conversas com profissionais de outras áreas é um
dos maiores equívocos. Para muitos executivos de perfil altamente técnico falta
a sensibilidade necessária para adequar o discurso à compreensão dos
interlocutores.Mas isso não é tão simples assim….

Muitas maneiras de confundir
A área de TI
é permeada por várias camadas de lingüística. Em primeiro lugar está a
lista interminável de acrônimos: ERP, SaaS, SOA, IP, VoIP, VPN, DBA,
HTTP, ISP, ASP, LAN, SAN e muitos outros (você ganha um prêmio se
conseguir definir todos sem a ajuda do Google…). Depois vêm as formas
abreviadas — palavras que imploram para ser condensadas, resultando em
termos como sysprog, sysadmin e Wi-Fi.

Não nos esqueçamos dos
nomes transformados em verbos: “delete”, por exemplo, virou “deletar”.
Há também outsourcing, offshoring e o novo “primo” backsourcing, usado
quando é preciso reverter o processo de terceirização inteiro.

Por
fim, temos todas aquelas palavras utilizadas impropriamente, cooptadas
por TI: solução empresarial, sinergia, paradigma, protocolo, interface,
alavancar… A lista continua e no Brasil o problema ganha um fator
complicador ainda maior diante da paixão por anglicismos. Afinal, por
que aprimorar alguma coisa se você pode otimizar?

Jon Kraft, que já foi o chairman do Conselho Tecnológico do Sul, na Califórnia, divide o
jargão em três categorias. A primeira é formada por “palavras vagas”,
que “não são bem definidas e podem significar múltiplas coisas”. Ele
destaca arquitetura empresarial e gestão de processos de negócio
(business process management – BPM). “BPM – o que isso significa? Pode
ser qualquer coisa”, dispara.

A segunda categoria abrange palavras
com definições claras conhecidas por algumas pessoas, mas não todas.
Software como serviço e arquitetura orientada a serviço pertencem a este
grupo. “O profissional de TI sabe claramente o que isso quer dizer, mas
o pessoal de negócio ainda sofre com elas.” A terceira categoria é a
mais ampla, abarcando todas as palavras cujo significado acabou se
perdendo por excesso de uso ou mau uso. Kraft insere nesta classe supply
chain e parceria. “São palavras que não esclarecem nada.”

Meandros nebulosos da história
Como
chegamos a esse estado? Na opinião de Jerry Luftman o
problema vem do tempo em que TI era chamada de PD (em referência a
processamento de dados). Se a origem “acronômica” da profissão não a
condenou, seus primeiros membros deram o tom. “Naquela época, o
profissional de processamento de dados demonstrava uma certa arrogância.
Nós nos divertíamos confundindo os usuários com nossa terminologia”,
recorda a.

Há conseqüências. É um desperdício de
tempo e energia.
Recentemente, um executivo de vendas pediu a um CIO um “application
database”. Depois de cinco minutos de conversa, eles perceberam que cada
um entendia o pedido de uma forma.

O executivo de vendas queria
um banco de dados que armazenasse currículos, enquanto a equipe de TI estava
planejando um banco de dados de programas (application, em inglês, serve
tanto para descrever uma aplicação quanto para a demonstração de
interesse em uma vaga de trabalho).

Perda de tempo e de boas
idéias não é a única conseqüência possível da falha de comunicação. Palavras mal empregadas,
ambíguas ou mal interpretadas, tão comuns em TI, podem gerar graves
problemas legais. É comum processos judiciais se
originarem de discussões em torno do significado de palavras
específicas.

Para sermos justos, cada profissão tem seu próprio
jargão. O mundo de TI não foge à regra e não deve abrir mão de palavras
que expressem realmente, de forma condensada, conceitos e processos
complexos que são característicos da área. Mas isso não livra os
técnicos de se meterem em enrascadas. Administrar um negócio
bem-sucedido é um trabalho em equipe que requer que todos aprendam não
só as funções uns dos outros, mas também a linguagem específica que as
acompanha, orienta Dan Gingras, sócio da Tatum. “As pessoas têm de
assumir a responsabilidade de se fazerem entender claramente”, define
Luftman, da SIM.

É por isso que os CIOs sofrem tanta pressão para
serem “bilíngües em negócio e tecnologia”. E
Pickett leva a sério esta mensagem. Ele vê olhares surpresos nos rostos
das pessoas quando lhes diz que é um CIO. Então acrescenta que é “o cara
do computador”. E elas entendem.

Palavras que amamos odiar

Prepare-se.
A lista a seguir foi composta por diversas fontes do COMPUTERWORLD/EUA. Palavras simples mostram o quão difícil é se entender no mundo da TI.

Alinhamento: Depois de 30 anos, as pessoas ainda não sabem ao certo o que quer dizer.

Arquitetura orientada a serviço (Service-oriented architecture, ou SOA): Isto significa, então, que todo o resto que fazemos não é orientado a serviço?

Avaliação de maturidade: Nome complicado para benchmark. 

Cliente/consumidor: São os clientes de TI, do pessoal de negócio ou seus clientes? Depende de a quem você pergunta.

Desenvolvimento ágil: Usado para descrever qualquer coisa que não seja tradicional.

Domínio: Existem domínios de negócio, domínios de arquitetura, domínios de aplicativo. Sem um modificador, você está perdido.
 
Espírito de equipe:
A personificação de um termo perigoso. Em geral, tem a ver com adesão,
on board, mas não onboarding. Veja o significado de onboarding abaixo.

Estratégico: Sistemas que mantêm a empresa no negócio ou sistemas com os quais trabalho.

Expertise funcional: Em contratos, normalmente significa um determinado nível de experiência. Mas expertise? A quem estamos enganando?

Onboarding: Palavra bonita para treinamento. Assim achamos.

Pró-ativo: Atacar alguma coisa que não atacou você primeiro.

Processo: Procedimentos, sugestões, melhores práticas, o que for melhor — você decide.

Proprietário:
Tecnicamente, este termo significa a propriedade intelectual de uma
empresa, mas é usado para descrever qualquer software de prateleira que
foi montado para uma organização específica.

Rightsizing: Livrar-se de pessoas.

Sistemas ou soluções sem costura/integrados/transparentes: Suas conjecturas são tão boas quanto as nossas.

Socializar:
Consultar outros indivíduos e grupos para ver o que eles pensam. Por
exemplo, “Vamos socializar esta idéia”. Fora de TI, significa se reunir
com amigos.

Solução: Seja o que for, cabe a pergunta: “Qual é o meu problema?”

Sourcing: Descreve aquele que está tirando seu emprego.

Sysadmin e sysprog:
Formas abreviadas de “administrador de sistemas” e “programador de
sistemas”. Mostram o quanto os desenvolvedores podem ser preguiçosos.
 
Turnkey: Basta plugar para funcionar; alternativamente, é o que vamos criar para você.

Valor agregado: Sem sentido. Hoje, tudo agrega valor a alguma coisa em algum lugar.

Virtualização: Não está lá fisicamente, mas está. Estamos usando espelhos?

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