Isaac Asimov ? A opinião de um gênio

O prazer de aprender
Bill Moyers – Você acredita que nós podemos educar a nós mesmos? Que qualquer um, a qualquer momento, pode vir a dominar um assunto que instiga sua imaginação?

Isaac Asimov: Bem, a chave está na expressão “que instiga sua imaginação”. Há assuntos que simplesmente não instigam minha imaginação e duvido que eu possa me obrigar a aprendê-los. Eu nunca estive realmente interessado em economia, por exemplo, ou psicologia, ou em arte ? não me refiro à arte como espectador, mas como ehttps://itforum.com.br/wp-content/uploads/2018/07/shutterstock_528397474.webpso, autoridade no assunto ? e em consequência disto mesmo que eu tente ler sobre eles, o conhecimento “ricocheteia”. Por outro lado, quando se trata de um assunto em que eu estou ferozmente interessado, então para mim é fácil aprender sobre ele. Eu leio, eu o absorvo, eu o capturo animada e alegremente. Escrevi mais livros sobre astronomia que sobre qualquer outra ciência, ninguém jamais reclamou que meus livros sobre astronomia continham erros ou tolices e eu jamais fiz um curso de astronomia, sou inteiramente autodidata no tema. Por outro lado, escrevi relativamente poucos livros sobre química, ciência que estudei e na qual tenho um doutorado. Mas eu sei química demais para me divertir com o assunto. Já astronomia é diferente.
BM: – Para você, aprender é instigante, pois não?
IA: Ah, sim. Eu creio que aprender é o verdadeiro processo de se programar e de saber que agora há mais uma face do universo que você conhece, que pode pensar sobre ela e entendê-la. Creio que quando chegar a hora de morrer ? e esta hora chegará para todos nós ? haverá certo prazer em pensar que você utilizou sua vida bem, que tendo apenas este universo e apenas este tempo de vida para tentar captá-lo, aprendeu tanto quanto pôde, absorveu tanto quanto possível do universo e gostou disto. E, embora seja inconcebível que alguém possa captar mais que uma minúscula porção dele, sentir que pelo menos conseguiu captar esta porção.
Que tragédia seria ter atravessado a vida sem conseguir absorver nada disto…
BM: – O que acontece comigo quando aprendo alguma coisa nova é que me sinto um pouco mais à vontade neste universo. Meu receio é que quando eu esteja no ponto de me sentir realmente confortável, chegue o fim…
IA: Sabe de uma coisa, eu costumava me preocupar com isto. Pensava: “eu, gradualmente, vou enchendo minha mente cada vez mais com conhecimentos, até ter uma mente maravilhosa e um dia vou morrer e tudo será perdido”. Então eu me dei conta que este não seria meu caso. Toda a ideia que tive, escrevi. E estão todas lá, no papel. Então eu não terei ido em vão. Elas estarão lá.
BM: – Você entende a pressão que isto exerce sobre o resto de nós? Não é possível que as pessoas pensem “bem, já que não posso publicar minhas ideias como Isaac Asimov e saber tanto quanto Isaac Asimov, para que aprender?”
IA: Bem, um pouco sempre é melhor do que nada. Na verdade, pode-se dizer que eu exagerei. Ultimamente tenho pensado que as pessoas podem achar que eu sou uma aberração. Há certo prazer em escrever cem livros. O sujeito pensa: “É, eu realizei alguma coisa”. Depois, duzentos. Mas agora tenho 391 publicados e até o final deste ano serão quatrocentos. E eu tenho a intenção de continuar, porque o processo de escrever me agrada. Ao fim e ao cabo me parece que ninguém liga para o que eu escrevo, somente para o número de publicações…
BM: – E como você explica você para você mesmo? O que faz um homem saber tanto que ele possa escrever quatrocentos livros?
IA: Bem, eu presumo que seja um sentimento de hedonismo. Eu simplesmente gosto muito. É puro prazer. O que faz Bing Crosby ou Bob Hope jogar tanto golfe? Eles gostam…
