Infraestrutura deve fazer sentido para negócio, diz Gartner

A percepção parece ser um grande trunfo na caminhada dos negócios rumo à plataforma digital em um mundo conectado e móvel. Ao menos foi a mensagem diferenciada em meio aos rumos tecnológicos apresentados pelo instituto de pesquisa e consultoria global Gartner em sua Conferência Infraestrutura de TI, Operações e Data Center 2017, que teve início hoje (25/4) em São Paulo e termina amanhã.

Na avaliação de Cassio Dreyfuss, Vice-presidente de Pesquisas do Gartner, um importante passo é saber do cliente onde ele enxerga valor em seu negócio. “É vital ter a visão de como os recursos devem ser usados”, diz. Afinal, ele prossegue, o mundo está virando uma malha em que dispositivos, serviços, pessoas e todas as “coisas” estão entrelaçados.

A imensa plataforma digital que se desenha e se molda pelos quatros cantos do mundo é o foco do Gartner. “Nossa abordagem é ajudar as empresas a simplificar o roadmap de recursos. O conceito de plataforma digital simplificado foi implementado em clientes em outubro do ano passado e já é um sucesso”, destaca. “Não é uma tecnologia, é uma visão. E está apoiada na simplificação do processo de planejamento e arquitetura das aplicações de negócios”, revela.

Esse conceito fatia a plataforma digital em Experiência do Usuário, Internet das Coisas (IoT), Sistemas de Informação, Ecossistema de Parceiros, convergindo para a Inteligência em Informação. O universo novo em que nos encontramos, diz Dreyfuss, deve ser orientado pelo Planejamento, Arquitetura e Governança. “Como vamos fazer? A percepção de tudo isso é vital.” Não cabe mais a tecnologia pela tecnologia e sim sua forte aliança com a inteligência, na avaliação do executivo. “A infraestrutura deve ser criada para fazer sentido ao negócio.” Segundo Dreyfuss, a inteligência estará integrada em qualquer coisa, criando uma experiência digital inteligente para pessoas e organizações.

Infraestrutura
No Brasil, a tarefa dos CIOs, em meio a um cenário em transformação, com novos modelos de negócio, será ainda mais árdua em razão do cenário político-econômico turbulento. Pesquisa anual de CIOs do Gartner mostra que a primeira prioridade desses profissionais em solo nacional, nos últimos dois anos, tem sido infraestrutura e data center. Em tempos bicudos, a saída foi direcionar esforços para otimização de custos, buscando novos caminhos. Esse foi o maior desafio apontado por esses líderes.

“A infraestrutura era a parte escondida da TI. Agora, ela deve caminhar para estar cada vez mais próxima das áreas de negócios. Afinal, está presente em tudo e, portanto, deve agregar valor”, diz Henrique Cecci, diretor de Pesquisas do Gartner e Charmain da Conferência. Sobre os data centers do futuro, Cecci diz que ele estará em vários lugares, tendo como principal característica serviços mais distribuídos.

E a questão da segurança com toda essa pulverização? “Hoje, é impossível garantir segurança absoluta em um mundo conectado. Até porque, as redes se reconfiguram constantemente e em uma velocidade absurda. Os profissionais enfrentam o desafio de construir soluções com novas abordagens e novas perspectivas. É um desafio”, sentencia Dreyfuss.

Blockchain
O blockchain, como uma estrutura revolucionária, ou alternativa, como alguns a classificam, não poderia estar de fora quando o tema é a infraestrutura repaginada, alinhada ao conceito de plataforma digital, abordada pelo Gartner.
Para Dreyfuss, Blockchain é uma tecnologia que não é óbvia, por exigir uma nova maneira de pensar e, em especial, das partes envolvidas nas transações. “A humanidade caminha hoje na esteira da desconfiança. A situação, na verdade, é deprimente. Vivemos em um mundo sem confiança”, abala-se. “Como operamos em um mundo sem confiança nesse cenário?”. Ele responde: “Com o blockchain”. Nessa plataforma, prossegue o executivo, são realizados registros contábeis digitais distribuídos, que não podem ser adulterados. “É confiável.”

O cardápio do evento está bastante interessante para antigas e novas discussões, ajudando na percepção globalizada e local sobre o desenho de plataformas digitais que vão muito além do briefing tecnológico ideal e sim de um modelo mais colaborativo com tecnologias, pessoas, coisas e um futuro ainda em construção, tudo integrado.

“O foco até 2020 serão as novas plataformas e serviços para IoT, Inteligência Artificial e sistemas conversacionais. Tudo é viabilizado por meio de APIs, integrado e possível de ser programado. As empresas precisarão identificar como as plataformas do mercado irão evoluir e descobrir formas de adaptar seus sistemas para atender aos desafios dos negócios digitais”, avisa Dreyfuss.

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