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Igrejas brasileiras usam reconhecimento facial para controlar fiéis

A Agência Pública apurou, durante a 15ª ExpoCristã, empresas de tecnologia que vendem produtos de reconhecimento facial para igrejas do Brasil. Duas foram destacadas: Kuzzma e Igreja Mobile.

Segundo Marcelo Scharan, CEO da Kuzzma, são coletados dados como “sexo, idade, frequência, horário de chegada, motivos prováveis de atraso e muitos outros” que são analisados e apresentados em relatórios. “Conseguimos definir em nossas métricas até mesmo se alguém precisa de uma visita pastoral”, disse.

Os dados são usados em relatórios individuais e incluem estatísticas de comportamento e considerações sobre “atividades anormais” dos fiéis.

Já Luís Henrique Sabatine, diretor de desenvolvimento da Igreja Mobile, indaga: “Hoje em dia quem não deseja ter o controle do seu ambiente? De quem entra e quem sai? Nas igrejas nós constatamos que eles queriam muito saber disso e por isso trouxemos essa tecnologia”. A empresa também oferece serviço de transmissão de eventos.

O serviço da Kuzzma chegou no Brasil em outubro com preço que varia de acordo com as necessidades. Na mensalidade de US$ 200, por exemplo, uma câmera é disponibilizada para um evento semanal.

De acordo com Sabatine, é possível contar quantas pessoas estão no ambiente e se são visitantes frequentes; também podem identificar o “humor do usuário, se ele está feliz, se está triste, se está angustiado, com medo. Nós conseguimos definir isso tudo”.

Ele ainda diz que cerca de 40% dos clientes da Igreja Mobile utilizam o serviço de reconhecimento facial. Os nomes dos clientes não foram revelados.

Coleta dos dados faciais

Na reportagem, duas igrejas que utilizam os sistemas foram listadas: Igreja Evangélica Projeto Recomeçar, em Xerém, Rio de Janeiro (utiliza desde o início de 2019); e Igreja da Restauração, zona norte de São Paulo (começou a utilizar recentemente).

Sabatine disse que um cadastro é feito no software da empresa, mas que “o banco de dados não fica com a Igreja Mobile”. Cada fiel tem seus dados de nome e foto para gerar os relatórios individuais coletados.

Por outro lado, as duas igrejas citadas não possuem termos de uso desses dados assinados por fiéis. Segundo Caio Duarte, responsável pela TI do Projeto Recomeçar, quando os fiéis faziam o cadastro facial no software já aceitam, implicitamente, os termos. “Creio que isso já seja um termo de que elas aceitam”, disse.

Fonte: Agência Pública.

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