Ig Nobel Prize 2011 ? Parte II

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7:00 am - 17 de outubro de 2011

E o grande vencedor foi…

Finalmente, mas definitivamente não menos importante, o Ig Nobel de literatura 2011 teve um solitário ganhador. O que também não afetou sua magnitude, muito pelo contrário: em minha modesta opinião foi a pesquisa revestida de maior significado e creio mesmo que ela deveria merecer não apenas o Ig Nobel, mas o próprio Nobel tamanha sua importância para o desempenho laboral de cada um de nós (notadamente o meu).

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O distinguido pela subida honraria foi o americano  John Perry (na foto acima, obtida de sua página pessoal no sítio da Universidade), um professor emérito de filosofia da Stanford University que sempre foi conhecida como grande e admirável fonte de saber e muito mais agora será, depois que com seu trabalho revolucionário Perry estabeleceu as bases de um novo ramo do conhecimento que ele mesmo batizou de “Procrastinação estruturada”.

Como declarou Mark Abrahams na cerimônia de abertura, Perry mereceu o prêmio por demonstrar que “para ser um grande realizador é preciso estar sempre ocupado com algo importante, usando isto como justificativa para evitar fazer coisas ainda mais importantes“.

Vejam uma tradução livre dos magistrais parágrafos iniciais de seu trabalho: “Eu pretendia escrever este ensaio há meses. Por que eu o estou finalmente escrevendo? Porque eu afinal consegui algum tempo livre? Errado. Eu tenho documentos a classificar, uma proposta de financiamento de pesquisa para revisar, rascunhos de dissertações para serem lidas. Eu estou escrevendo este trabalho como uma razão para não estar cumprindo quaisquer destas obrigações“. E por aí segue, justificando de forma impecável as virtudes da procrastinação e ensinando uma forma magistral de ? e, embora ele não tenha citado a frase, tomo a liberdade de fazê-lo por minha própria conta por acha-la primorosa além de se ajustar perfeitamente ao contexto ? “jamais fazer hoje o que pode ser deixado para amanhã porque amanhã talvez já não seja mais necessário”.

John Perry fornece as bases científicas estruturadas e uma justificativa acadêmica impecável para um procedimento que eu venho adotando há anos, porém de forma aleatória, desorganizada e sem qualquer base filosófica, o que me expunha à crítica e censura de quem me havia encomendado as tarefas que procrastinava. Agora, com os fundamentos da Procrastinação Estruturada (em maiúscula, como merecido), posso justificar quaisquer atrasos eventuais na execução de seja lá o que for, mantendo-me sempre ocupado fazendo coisas importantes (e mais agradáveis) e usando isto como justificativa de (“ainda”) não ter me dedicado às obrigações urgentes, porém desagradáveis.

Se algum colega compartilhar minha profunda admiração pelo extraordinário trabalho de Perry e desejar apreciá-lo detalhadamente sugiro consultar o original: “How to Procrastinate and Still Get Things Done” publicado no “The Chronicle of Higher Education”.

Perry, naturalmente, não compareceu à cerimônia de entrega pois devia estar dedicado com empenho a fazer algo menos importante que usou como desculpa. Em vez disto solicitou à sua editora, Debora Wilkes, que o representasse e lesse seu discurso. Curtinho, naturalmente.

Esse cara é o meu herói…

B.Piropo

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