Ig Nobel Prize 2011 ? Parte II

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7:00 am - 17 de outubro de 2011

Física e Psicologia

O Ig Nobel de Física 2001 foi concedido a uma numerosa equipe composta por  Philippe Perrin, Cyril Perrot, Dominique Deviterne e Bruno Ragaru, todos da França, e Herman Kingma da Holanda, pelo estudo experimental publicado na respeitável revista médica PubMed e intitulado “Dizziness in discus throwers is related to motion sickness generated while spinning“. Pois acontece que, como sabemos todos, ambos os esportes olímpicos de arremesso de disco e de martelo exigem que, antes do arremesso, o atleta efetue uma série de movimentos giratórios em torno de um eixo vertical imaginário em velocidade crescente. Pois ocorre que foi constatado que, enquanto não foram registrados relatos da parte dos arremessadores de martelo de haverem sentido tonteira após o giro, estes relatos são comuns entre os arremessadores de disco. O estudo examinou um total de vinte e dois atletas de alto desempenho em ambas as modalidades que foram filmados em câmara lenta e tiveram estudadas suas referências visuais, apoio dos pés, movimentos de cabeça enquanto realizavam o lançamento. O trabalho comprovou que, efetivamente, a diferença não se deve a susceptibilidades individuais e que, de fato, o lançamento de disco é comprovadamente mais capaz de provocar tonteira, listando as razões para que isto aconteça. Eu, particularmente, fiquei vivamente impressionado com o trabalho ? não tanto por seu tema e conclusões, mas sobretudo pela quantidade de cientistas necessários para se chegar a uma conclusão tão besta. Mas, ao que parece, os agraciados com a honraria não se mostraram muito satisfeitos com ela. Se recusaram a comparecer à cerimônia para receber seus prêmios e não enviaram representante. Em vez disto mandaram um vídeo onde todos aparecem e, polidamente ? mas claramente contrariados ? agradecem o prêmio mas defendem a seriedade da pesquisa alegando que seus resultados podem ser usados na cura de doenças. Francamente, tem gente totalmente desprovida de senso de humor…

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Outro que não me deixou particularmente impressionado foi o Ig Nobel de Psicologia 2011, concedido a Karl Halvor Teigen da Universidade de Oslo, Noruega, pelo trabalho publicado no “Scandinavian Journal of Psychology” intitulado “Is a sigh “just a sigh”? Sighs as emotional signals and responses to a difficult task” no qual ele discute a interpretação dos suspiros (veja, na figura acima, a imagem de Teigen empunhando o Prêmio Ig Nobel durante a cerimônia de entrega, obtida do vídeo da cerimônia). Eu não sei se minha antipatia se deve à ? ao meu juízo, despropositada ? alusão à letra de uma das mais belas canções que conheço ou à relativa importância do tema face aos abordados pelos trabalhos dos demais ganhadores. Seja como for, em seu trabalho Teigen demonstrou que apesar da maioria das pessoas associar o ato de suspirar principalmente a estados emocionais negativos, de baixa intensidade e atividade, suspiros alheios são normalmente interpretados como sinais de tristeza, enquanto os próprios são considerados como ato de desistência de alguma tarefa. A conclusão final do estudo é que suspiros são frequentemente expressões não intencionais de uma atividade, proposta ou desejo que teve de ser descartada, funcionando como uma pausa antes de se dedicar a uma nova iniciativa. Mas, francamente, afinal quem já não sabia disto?

Agora vamos aos ? em minha modesta opinião ? grandes vencedores.

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