Presente no cenário mundial de negócios, a Internet é considerada pelos executivos uma aliada nas atividades corporativas, sejam transacionais ou de relacionamento com o cliente. Embora os investimentos em infra-estrutura de hardware ainda sejam pesados, principalmente no que se refere à manutenção dos equipamentos, a indústria de higiene e limpeza volta-se para a elaboração de métodos que possam reverter em resultados qualitativos e conquistar maior participação no mercado.

Basicamente, as empresas possuem as suas plataformas Web conectadas ao ERP (Enterprise Resource Planning) ou utilizam funcionalidades dos aplicativos desenvolvidos para operar na Internet, como o mySAP. As iniciativas no mundo online, normalmente, são ajustes no site institucional e a partir daí o mergulho no e-business torna-se inevitável, variando conforme o objetivo da companhia.

Como cada uma das indústrias possui três formas de comercialização de seus produtos (franquia, tradicional ou domiciliar), os avanços na Web são particulares. Além disso, o aumento de recursos tecnológicos para a comunicação via rede mundial se dá isoladamente, ou seja, a própria Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) não possui um comitê de discussões sobre este assunto, como ocorre no setor químico, por exemplo, que conta com um padrão de comunicação mundial (Elêmica).

Estilo pessoal

Há séculos, os alquimistas desenvolvem uma fórmula para cada tipo de perfume, criado com exclusividade para os tipos de pele. Hoje, os cremes, produtos de tratamento capilar, fraudas e até o papel higiênico são concebidos para atingir o maior grau de personalização.

Enquanto a produção não pára, sobre os alicerces da unidade fabril ou há alguns quilômetros de distância entre o centro administrativo e a fábrica, também os processos são tratados pelos executivos do setor, que escolhem as melhores regras para pisar na teia online sem impor riscos ao negócio, mas promovendo o aumento da rentabilidade através da Internet.

Atualmente, o jogo para encantar o cliente integra todas as áreas de negócios, mas com métodos distintos. Se a Natura utiliza o seu portal como um dos principais canais de comunicação com as revendedoras até atingir o consumidor final, O Boticário recentemente lançou para todo o País, um site de B2C e utiliza a sua infra-estrutura logística e um operador para a entrega dos produtos ao cliente (veja box).

O objetivo da companhia curitibana é chegar em 2005 com um portal que integre toda a comunidade, inclusive as ações sociais da corporação. “Nosso próximo passo é promover a troca de informações entre O Boticário e sua rede franqueada, seguindo para um modelo de e-business com os nossos fornecedores e, paralelamente, desenvolvendo a Internet até chegar num portal corporativo”, explica Henrique Adamczyk, gerente de TI da indústria de aproximadamente 1.300 funcionários internos e mais 10 mil na rede de franquia.

Já o Natura.net – que atualmente integra consultoras, promotoras, cliente, colaboradores – deve iniciar a conexão com os fornecedores até o final de 2003. “Estamos estudando o projeto e como o B2B será viabilizado”, diz João Carlos Giampietro, diretor de TI da indústria nacional.

Qual a melhor prática? As duas, já que a força de venda é distinta (uma utiliza o porta-a-porta e a outra a sua rede franqueada). Outro exemplo de gestão distinta é o adotado pela Procter & Gamble, que no ano passado lançou um portal de negócios para as pequenas e médias empresas do varejo com o objetivo de reduzir custos, melhorar a eficiência na cadeia produtiva, estreitar os laços com os clientes e beneficiar o consumidor final.

Carlos Alberto Francisco, gerente de TI da Procter & Gamble do Brasil, diz que a companhia aposta no e-business como oportunidade de redução de custos operacionais e procura aumentar a integração com os fornecedores.

A Johnson & Johnson Comércio e Indústria dedica 40% de seus investimentos neste ano aos ajustes na Web, sendo a maior parcela aplicada em infra-estrutura, servidores e migração dos desktops para Windows 2000. “Todas as ações de TI para esta área estão suportadas no mySAP para transações B2B e para a intranet, o objetivo é oferecer acesso às informações de um local único, o que culmina em um portal corporativo”, diz Luiz Alberto Pola, da J&J.

As duas subsidiárias da Kimberly-Clark que, embora tenham ações bastante avançadas com o uso do mySAP nos Estados Unidos, aguardam a determinação mundial para entrar no processo B2B. “Por enquanto, iniciamos os projetos para o desenvolvimento de páginas institucionais no Brasil como forma de apresentar nossos produtos para o mercado brasileiro”, conta Paulo Biamino, gerente de informática de ambas as companhias.

O Boticário promove faxina

Para a reformulação da home page de O Boticário, iniciativa concluída no início de 2002, e as várias ações na Internet previstas até 2005, no ano passado a companhia concentrou esforços na aplicação de recursos em infra-estrutura para também suportar a continuidade do negócio.

Há dois meses, a corporação possui dois sites backup que operam em contingência. Essa nova arquitetura exigiu a aquisição e upgrade nos servidores, maioria em plataforma Intel, com o ERP operando sob o AS/400 (IBM).

“Adquirimos uma solução de automação da Tivoli para o backup e um robô, também da IBM, modelo 3584, com quatro unidades de fitas, para as cópias de segurança e armazenamento de dados, que podem ser guardadas por um período de 10 anos”, afirma o gerente de TI da empresa, Henrique Adamczyk. Com os investimentos na Internet, a empresa desembolsou parte do orçamento de TI (não divulgado) em soluções de storage da EMC.

Como garantia de redundância dos dois sites e como suporte das operações online, houve um aumento nos links de comunicação, que atualmente somam 6 Mbps da Impsat e 1 Mbps com a Embratel.

Ainda neste ano, a companhia investirá na migração do sistema operacional das estações de trabalho, já que, em 2001, houve a mudança nos servidores (Windows NT para Windows 2000). “Até o final de setembro, as 750 workstations passam a operar em Windows 2000 e Office XP”, diz Adamczyk.

|Computerworld – Edição 367 – 10/07/2002|

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