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Entidades do setor de Informática apóiam o MCT

Luiz Queiroz, de Brasília


 


Os presidentes de três entidades representativas do setor de informática, Márcio Ellery Girão Barroso (Softex), Ernesto Haberkorn (Assespro Nacional) e Maurício Mugnaíni (Fenainfo), encaminharam nesta quarta-feira, 4, ao CW Online um manifesto, no qual repudiam as críticas que a ex-secretária de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia, Vanda Scartezini, fez na semana passada contra a falta de ações por parte do MCT.


 


As três entidades criticaram a última gestão do MCT afirmando que o país não tinha do que se orgulhar da antiga Secretaria de Política de Informática, classificando-a de “inoperante” em relação a adoção de uma política de software para o Brasil.
 
Também manifestaram solidariedade ao atual quadro do ministério e se colocaram como  “parceiras de primeira hora dos componentes deste governo enquanto fiéis aos princípios que os levaram ao poder, ou seja, transformar o Brasil num país forte, justo e, sendo assim, feliz”.



O MCT, por sua vez, preferiu adotar uma postura de silêncio em relação às críticas. Nenhum integrante daquele ministério veio à público até este momento para contestar a ex-secretária.
 


Veja a íntegra do documento:


 


 


MANIFESTO DAS ENTIDADES EMPRESARIAIS DE TI


 


A sociedade brasileira não tem muito do que se orgulhar dos últimos anos de atuação do governo brasileiro, em especial do Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT e sua Secretaria Especial de Informática – SEPIN, no que se refere às realizações de nosso país em relação à sua indústria de software (produtos e serviços).


 


Enquanto outros países em desenvolvimento, com mercados e acervo tecnológico muitíssimo inferiores ao Brasil criaram potências no setor de software, nosso país assumiu uma posição subserviente à indústria estrangeira como é notório e corroboram estatísticas recentemente levantadas em relação ao mesmo: um número incipiente de cerca de 3500 empresas de desenvolvimento, apesar de um mercado interno de US$ 8 bilhões anuais (que deveria ser ainda maior dada a pujança da economia brasileira); uma relação inexpressiva (menos de 1 para 10) da balança entre exportação e importação de produtos e serviços. Sem contar que nas compras públicas criou-se um privilégio descabido aos produtos importados em detrimento da lei e dos produtos similares nacionais – uma verdadeira reserva de mercado invertida.


 


Não é à toa pois, que seja muito fácil olhar este cenário e tecer-lhe severas críticas. O que é inconcebível, no entanto, é que estas críticas partam daqueles que justamente foram os responsáveis por este cenário, simplesmente porque agora se encontram na oposição ao governo que se inicia.


 


A SEPIN do MCT, por exemplo, foi um órgão inoperante em relação a uma política de alavancagem da indústria de software nacional. Menos por culpa de seus antigos titulares, porém, muito mais pelo papel secundário que lhe foi destinado. Não se trata, pois, de personalizar a inoperância, mas de responsabilizar todo um governo.


 


Torna-se capital, pois, num governo cujo mote é a mudança (para melhor), reavaliar toda uma política, ou melhor, uma não-política para o setor, introduzindo novos conceitos e prioridades. É o que tem feito, em especial, o novo MCT, reordenando as funções de seus órgãos imediatos no sentido de dotar o país de uma política industrial de software.


 


A questão semântica da nominação desses novos órgãos, tem servido a argumentos dos que querem apenas detrair. O que importa, no entanto, é a postura pública do atual Ministro da Ciência e Tecnologia e seus Secretários ligados ao setor de informática de que o software é uma das prioridades do novo governo.


 


E isto não se limita à retórica fácil de políticos, mas a ações que já estão em andamento vislumbrando novos e benfazejos ares para o setor, como: intensa participação do governo nas reivindicações empresariais, ou seja, um novo patamar de diálogo; início da formulação de uma política de fato para o setor; discussão de uma nova lei de licitações de compras do setor público, incluindo o conceito de software livre que, se bem aplicado, trará significativas economias ao erário e enormes oportunidades à indústria nacional; revitalização das entidades representativas do setor (Comitê Gestor da Internet, Softex, Assespro, Fenainfo entre outras) como órgãos de influência nas decisões governamentais.


 


Enfim, as entidades aqui signatárias, repudiam críticas imediatistas e partidárias e, para o bem de nosso país, são parceiras de primeira hora dos componentes deste governo enquanto fiéis aos princípios que os levaram ao poder, ou seja, transformar o Brasil num país forte, justo e, sendo assim, feliz.


 


 


Márcio Ellery Girão Barroso 


Presidente – Softex                                     


 


Ernesto Haberkorn


Presidente – Assespro nacional


 


Maurício Mugnaíni


Fenainfo – Presidente                               

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