Esse é um dos assuntos que eu mais gosto, pois minha vocação profissional sempre foi o planejamento estratégico. Nos últimos 3 anos a indústria de informática desaqueceu, diminuiu o ritmo de crescimento e deu sinais de saturação. Até esse momento era uma indústria que vendia PCs para quem ainda não tinha mas podia comprar, e fazia o upgrade daqueles que já tinham, sejam eles pessoas físicas ou empresas de qualquer porte. O faturamento global variava de acordo com os índices econômicos globais, se a economia crescesse, a venda de PCs aumentava, e vice versa. O PC em si não mudava, continuava com a mesma cara e funcionalidade dos últimos 10 anos.
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A grande verdade é que apenas uma pequena fração da população mundial tem computadores e por isso participa desse jogo. Se olharmos com atenção é fácil ver que quem tem potencial para ter um PC já o tem, principalmente no primeiro mundo. Mesmo considerando o avanço dos notebooks nesse mercado, que de segundo computador da casa passou a ser o principal, ou até mesmo individual se considerarmos que um casal nos EUA que trabalha acaba tendo dois notebooks.
No final das contas, pelo lado das corporações, pouco importa qual produto será vendido desde que ele utilize chips processadores, chips de memória e chips controladores, já que essa tecnologia é dominada por poucas empresas no mundo e que precisam alavancar suas vendas para financiar o imenso custo de pesquisa que essa tecnologia exige. Uma fabrica de processadores, por exemplo, custa mais de 2 bilhões de dólares até entrar em operação.
É nessa hora que surgem os PCs especializados, que na verdade nem são PCs (no sentido de serem Personal Computers), estão mais para dispositivos computadorizados do que para um computador pessoal.
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As inovações nessa linha são imensas e é questão de pouco tempo para termos populações da África, Índia, e de outros paises do terceiro mundo incluídos no mundo digital. Infelizmente os 92% de brasileiros que não tem um PC ficaram de fora dessas primeiras iniciativas. Na Índia, em Bangalore, já existe um(IIDC) aproveitando os dinâmicos engenheiros de software da Intel daquele país e com forte envolvimento do governo, da comunidade e do ministério da educação. No Brasil temos o PDC () em São Paulo, mas a iniciativa ainda não gerou frutos, até onde sei.
Inúmeras propostas foram apresentadas, mas vou detalhar pra vocês apenas uma delas que mais me chamou a atenção pelo baixo custo e pelo grande benefício que sua adoção em massa nos hospitais, em qualquer país, pode trazer para a população mundial. O fato de eu ter vivido em Itacaré-BA por 3 anos e conhecido de perto a deficiência do sistema de saúde brasileiro certamente influenciou meu interesse por essa solução. Na maioria das cidades brasileiras, a única unidade médica é o hospital municipal e para ele são direcionados todos os casos de enfermidade, desde um atropelamento ou acidente físico até um caso de gripe avançada ou dor de cabeça.
Essa aglomeração de pacientes em diversos níveis de prioridade faz com que o serviço seja precário para quem realmente precisa, porque faltam leitos, e lento para quem não precisa, pois bastava tomar uma medicação em casa e foi ao hospital apenas em busca de orientação médica.
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A proposta da Intel nesse segmento é o Integrated Digital Hospital vídeo (300 K) sobre a implementação na China (em chinês, com legendas em inglês) que vale a pena dar uma olhada mostrando as significativas reduções de custo na prescrição médica, os ganhos de qualidade (prescrições corretas), o ganhos de produtividade por médico/enfermeiro simplesmente usando o correto monitoramento do paciente.
Na demonstração que foi apresentada, um paciente modelo é monitorado em suas funções vitais constantemente e de forma centralizada em um banco de dados, possibilitando avaliar o andamento da enfermidade e a eficácia da medicação/tratamento com muito mais precisão do que os sistemas atuais, que não se comunicam. A troca de informações é muito interessante já que é possível comparar quadros similares com pacientes de outros hospitais interligados e trocar informações maximizando a experiência dos médicos e enfermeiros envolvidos.
Melhor do que explicar com palavras, é ver o
vídeo (300 K-em inglês) da Intel sobre o assunto, com as opiniões dos médicos e a demonstração em um hospital real. Tenho certeza que uma análise do desperdício de recursos (financeiros e humanos) do nosso SUS versus o ganho de produtividade e redução de custos que a adoção nacional de um modelo similar para os hospitais brasileiros seria favorável à adoção da tecnologia.
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Esse exemplo isolado não fará com que 1 bilhão de usuários passem a consumir tecnologia computacional, mas mostra como podemos ter um melhor aproveitamento do poder computacional dos PCs sem que exista um PC clássico envolvido. Imagine os milhares de assistentes sociais brasileiros utilizando um tablet como esse interconectado a uma grande rede do SUS, fazendo o diagnóstico e o acompanhamento dos seus pacientes ainda em casa, como hoje já é feito em precárias condições.
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