IBM: empenho afiado na reinvenção digital do ecossistema

A IBM está em franco exercício de uma estratégia integrada de transformação digital, que também acontece dentro de casa, com o digital modernizando processos, modelos de negócio e se estendendo para toda a cadeia de negócios, incluindo parceiros e clientes. É a reinvenção digital, discutida ontem  (06/06) em evento da companhia, o Think Brasil, realizado em São Paulo.

Na abertura, o presidente da IBM Brasil, Tonny Martins (foto), destacou que no último ano, a organização construiu conjuntos de casos de sucesso em diferentes indústrias, implementando aplicações disruptivas, mas, em especial, a transformação interna muito grande, envolvendo governança, cultura e tecnologia.

“Passamos a entender profundamente quais são os principais desafios da tão falada transformação digital. Conseguimos operar no dia a dia acelerando a nossa transformação e a de clientes e parceiros, com eficiência, fazendo com que o digital seja exponencial a toda a cadeia”, garantiu.

Para isso, ele disse, são nada menos do que 150 gerentes e executivos liderando a transformação digital na empresa, apoiados em uma cultura de conteúdo, com o objetivo de construir o futuro.

Nessa estratégia de reinvenção digital, a IBM compartilha modelo operacional, infraestrutura para potencializar a transformação digital no mercado, por meio de um ecossistema novo, com o objetivo de se fortalecer como um importante player para a transformação digital.

Revolução em curso

Silvio Meira, influenciador, cientista, professor e empreendedor, também esteve lá, mostrando os impactos da transformação digital. Segundo ele, o futuro acontece por meio da criação, que é um processo de implementação de ideias, a inovação. E esta só faz sentido quando impacta a sociedade.

O que estamos vivendo agora é resultado da maturação de investimentos realizados em tecnologia ao longo de décadas. Fato é, ele destacou, que o ponto de inflexão digital é iminente e citou dados de uma pesquisa realizada pela Harvard Business Review sobre a porcentagem que o mercado/negócio já atingiu em relação ao ponto de ruptura ou vai chegar lá nos próximos três anos.

Antes de 2010, de acordo com o levantamento, somente 4% e de 2010 a 2016, 24%. Entre 2017 e 2020, a estimativa é que esse índice salte para 56%, caindo para 16% depois de 2020.

“Hoje, empreendedores de sucesso constroem negócios e não tecnologias e produtos. E o valor real da criação de negócios inovadores está na entrega de novas experiências. Uma experiência de ponta-a-ponta do usuário é uma combinação coesa de dispositivos, canais, conteúdos, pessoas, marcas, serviços …no tempo.”

São três passos importantes, em sua visão, para uma estratégia assertiva de transformação digital: experiência do consumidor, transformação operacional e transformação do negócio. E avisou: “Não se pode queimar etapas e partir logo para a transformação do negócio. É preciso trabalhar em rede no mundo digital para que dê certo. Nessa jornada, quem é que ganha? É quem fala direto com o usuário final, quem checa a sua experiência de uso.”

Mas a inovação traz desafios, ele disse. Um deles é a resistência a mudanças. E deu seu recado: “Temos de conter os sabotadores da transformação, aqueles para quem nada vai dar certo, que torcem contra, são céticos. Afinal, a transformação depende primeiramente da transformação das pessoas, da cultura …  por isso, deve ser um debate contínuo”. 

Transformando os ecossistemas

Ricardo Barbosa, VP America Latina de Digital Strategy & Interactive Experience da IBM, garantiu em sua palestra que chegamos, de fato,  à era da reinvenção digital dos ecossistemas, em que não haverá mais fronteiras entre indústrias e setores. Tudo isso, com o impacto da inteligência cognitiva, uma inteligência superior para transformar os negócios, derrubando fronteiras e promovendo a evolução dos ecossistemas para digitais, impulsionados cada vez mais pela conveniência.

E o início disso tudo? A experiência do usuário, focando no entendimento do seu comportamento. É preciso saber quais são as jornadas dele. “É aí que entra a tecnologia”, ressaltou.

“A reinvenção digital traz a necessidade de redesenhar a cadeia de valor. É preciso mudar os processos de valor também internamente. Temos de pensar de maneira disruptiva”, disse Barbosa, acrescentando que é vital digitalizar inicialmente os processos, para incremento de eficiência operacional – esteira para a jornada que irá contemplar a transformação digital completa de todos os aspectos do negócio, com o objetivo de revolucionar a experiência do consumidor.

A evolução desse desenho vem com a reinvenção digital por meio de tecnologias cognitivas para gerar novas linhas de negócio, novos produtos e novas experiências do consumidor. E, segundo ele, essa transformação não pode ser uma evolução isolada, deve permear todos os integrantes do ecossistema digital de negócios, para que seja consolidada e efetiva.

“Somente dessa forma, será possível estabelecer a plena reinvenção do ecossistema digital, permitindo a geração de valor por meio da integração de plataformas abertas entre diferentes indústrias e setores”, ensinou.

O sucesso dos processos de transformação depende do foco na experiência do cliente. Segundo ele, esse sucesso está na capacidade de satisfazer o cliente cada vez mais exigente, hiperconectado, presente em variados canais, aberto a experimentar inovações, com facilidade de acesso a informações para comparações e atuante em redes sociais para compartilhar experiências.

Barbosa afirmou que as empresas vencedoras serão aquelas que atingirem o equilíbrio entre três pilares da reinvenção digital:  Digital Ecosystem Expansion (DEX), Digital Customer Experience(DCX) e Digital Operacional Excellence (DOX).

O pilar DEX envolve a criação de um ecossistema escalável para gerar inovação com vantagem competitiva (cloud, cybersecurity …), no DOX, o foco é no uso de ferramentas digitais para redesenhar a operação atual, acelerar o go-to-market, e gerar savings para suportar a reinvenção digital (RPA, Inteligência Artificial, blockchain …).

O DCX traz o desafio de repensar todo o negócio com foco no consumidor final e revisitar a estratégia go-to-market para criar uma experiência superior “Always on” (autosserviço, mobile, IA …).

“Hoje, é preciso capacidade para mudar a cadeia de valor, ter conhecimento do negócio, das dores dos variados setores, segurança na apresentação de diferentes cenários e saber apresentar a tecnologia como meio para viabilizar tudo isso”, ensinou Barbosa.

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