Trinta e seis anos atrás, o escritor e futurista norte-americano Alvin Toffler escreveu seu famoso livro The Third Wave, que define a transição inevitável da sociedade a partir de uma “Segunda Onda”, caracterizada por uma sociedade industrial, a uma “Terceira Onda”, liderada por aquilo que ele chama de “Era da Informação”. A Era da Informação, como Toffler descreveu, é definida pela mudança da indústria tradicional, que a revolução industrial trouxe a partir da industrialização, para uma economia baseada na informatização ou revolução digital.
“Embora escrito anos atrás, podemos ver claramente que as previsões de Toffler ainda valem hoje. Contudo, arcaicos sistemas da sociedade industrial de identificação pessoal, transações econômicas e registro de empresas ainda limitam possibilidades dos governos e cidadãos”, observou em artigo Kaspar Korjus, diretor do programa e-Residency, da Estônia, que criou uma identidade digital transnacional.
O especialista observa que no mundo digital de hoje, uma economia global definida por fronteiras do estado e dos cidadãos não faz mais sentido. Ele relata que muitas pequenas empresas têm o desejo de comercializar seus produtos e serviços em todos os continentes e os países pequenos buscam populações de maior consumo, nômades digitais em uma transação comercial que pode envolver um contrato assinado por pessoas localizadas em diversos países.
Indivíduos que querem e precisam participar dessa economia global exigem uma maneira segura para executar um negócio a partir de qualquer lugar do mundo de forma segura. Para Korjus, governos devem estar à altura da tarefa de fornecer serviços orientados digitalmente para esses indivíduos ou correm o risco de se tornar obsoletos.
Quando a Estónia recuperou sua independência da União Soviética, em 1991, o país imediatamente identificou a dificuldade de servir fisicamente uma pequena população espalhada por um grande território. Como resultado, setores público e privado decidiram apostar no desenvolvimento de soluções digitais e serviços eletrônicos.
O governo local colocou a digitalização no centro dos serviços públicos, incluindo cartões de identificação digital para todos os residentes, votação on-line e a apresentação de declarações fiscais digitais, o que leva dois minutos para completar, em média. Em 2015, mais de 800 instituições ofereceram cerca de 1,5 mil e-serviços públicos na Estónia. “Como cidadão estónio, uso minha identidade digital para fazer login em serviços governamentais e assinar digitalmente qualquer contrato, o que significa que eu posso me sentir intimamente ligado ao país como um cidadão mesmo quando eu não estou fisicamente no país”, relata.
A experiência digital do governo da Estônia demostra que o universo digital estatal pode redefinir como os governos interagem com as pessoas, e vice-versa, promovendo economia de tempo e dinheiro, garantindo mais segurança e levando satisfação para o cidadão.
“Estamos agora vivendo a Terceira Onda, da qual Toffler mencionou, um futuro no qual as pessoas podem realizar negócios em um mundo digital que a localização física pouco importa. Agora é o momento para governos parar de lutar contra o progresso. É hora de os empresários e desenvolvedores reunirem esforços para ajudar programas do governo digitais a atingir seu pleno potencial”, finaliza o especialista.
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