Google – Vista da rua

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11:40 am - 25 de novembro de 2010

Já na Alemanha…

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Pois é assim que funciona o Street View. Os veículos do Google percorrem as ruas, tiram fotos, as fotos são montadas em panoramas e os panoramas incluídos no programa, podendo ser consultados por quem quer que seja em qualquer parte do mundo. Afinal, a Internet é para isto mesmo. Tome como exemplo a Figura 7, que mostra uma tomada da Rua 32 Oeste em Nova Iorque. Repare no cavalheiro que se prepara para atravessar a rua, no canto inferior direito, ao lado do pequeno mapa. Em um monitor de alta resolução, ampliando-se o suficiente, qualquer amigo ou familiar pode perfeitamente reconhecê-lo. E olhe que o povo americano é um bocado zeloso quando o assunto é privacidade.

E assim é em todo o mundo. Quer dizer, quase em todo o mundo. Porque, como diria minha avó, cada povo tem seu uso, cada roca tem seu fuso. Ou cada país tem seus hábitos, sua cultura, suas manias. E alguns levam este negócio de privacidade a níveis impensáveis.

Tomemos, por exemplo, o caso da Alemanha, onde vinte grandes cidades já foram fotografadas. Pois bem: a julgar pelas imagens do Street View, o alemão é muito mais cioso de sua privacidade do que qualquer outro povo que conheço.

Vamos ver, por exemplo, algumas cenas de Munique. Uma cidade das mais agradáveis e muito hospitaleira, com uma cerveja que dá vontade de ir até lá só para provar. Porém alemã. Repare na Figura 8 e em seus destaques por mim ampliados.

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Ela mostra um panorama da Dienerstrasse, uma ruazinha central. Veja como aparecem os rostos das pessoas. Note a placa do auto no canto inferior direito. Entenda: desfocar as placas de veículos é prática do Google em toda parte do mundo. Mas as fisionomias dos passantes, nem tanto. Se você examinar cenas do Rio de Janeiro, por exemplo, perceberá que as fisionomias não aparecem tão nítidas quando a do cavalheiro nova-iorquino, mas muito menos desfocadas que as dos alemães. Veja nos detalhes ampliados.

Ora, pensando bem, isto até se pode entender. Nem todo o mundo quer que se saiba que, algum dia, esteve em tal ou qual lugar. Portanto, a solicitação de tornar as fisionomias irreconhecíveis estraga um pouco a harmonia das imagens mas é perfeitamente compreensível.

Porém, pelo menos a meu ver, parece que os germânicos estão levando as coisas um pouco longe demais.

É que um número significativo deles considera sua privacidade violada caso a imagem da fachada de suas casas seja mostrada na Internet. Quer dizer: por lá, a imagem das fachadas não é considerada propriedade da cidade, mas de seus habitantes. Como resultado disso, por solicitação dos moradores, no Google Street View da Alemanha cerca de três porcento das fachadas das casas tiveram que ser borradas ou encobertas.

Veja o resultado disto no panorama (?!) obtido de um trecho da Bismarckstrasse, também em Munique, mostrado na Figura 9. Já imaginaram, se a moda pega e os moradores decidem fazer o mesmo por aqui? Como ficaria o panorama, por exemplo, de lugares característicos das cidades como a Av. Atlântica, em Copacabana, Rio, ou da Av. Paulista, nos Jardins, São Paulo?

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Esquisito, pois não?

Mas por mais esquisito que seja, não foi isto que mais me chamou a atenção em todo este imbróglio.

Antes de eu explicar o que foi, vamos examinar mais um panorama da nossa já conhecida Dienerstrasse, a ruazinha simpática da Figura 8, no Centro de Munique. É basicamente a mesma vista, porém obtida meio quarteirão atrás da posição que gerou a da Figura 8 (tanto assim que a mesma esquina aparece ao fundo). Ei-la aqui na Figura 9.

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Em princípio, em se tratando de Munique, ela nada tem de extraordinário. Mostra um trecho de uma rua, a Dienerstrasse, na qual, por solicitação de um de seus moradores, proprietários ou locatários, a fachada do prédio situado logo à direita foi oculta.

Quer dizer, nada teria de extraordinário se o prédio em questão não fosse justamente o de número 12.

Pois acontece que Dienerstrasse 12 é justamente o endereço do prédio comercial onde funciona, entre os de outras empresas, o escritório da Google em Munique.

Parece que na Alemanha a Google tem um vizinho ranheta. Um alemão danado de implicante…

B.Piropo

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