Google e Facebook: Briga de Comadres

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1:21 am - 15 de novembro de 2010

A reação do Google

Primeiro, o Google soltou uma nota declarando estar “desapontado” com o fato de que o Facebook usasse o tempo de seus programadores para isto em vez de investi-lo em tornar possível que seus usuários “tirassem seus contatos” de lá. E, tocando a briga de comadres e lavando a roupa suja em público, assim que recebe uma solicitação de um usuário para transferência de dados exibe o risível aviso da janela da Figura 3 (que, como eu consegui capturar em português e talvez a leitura na figura fique difícil, transcrevo abaixo na base do copiar a colar).

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Sob o título “Aprisione meus contatos agora” aparece o texto:

Ei, espere um segundo. Você tem mesmo certeza que deseja importar as suas informações de contato e amigos para um serviço que no futuro não vai lhe permitir exportar essas informações do mesmo modo? Para deixar claro: você foi direcionado para essa página por um site que não permite do mesma maneira que você exporte seus dados para outros serviços, travando os seus dados de contatos e amigos que na verdade lhe pertencem. Então, quando você importar os dados lá, você não mais será capaz de tirá-lo. Achamos que isso é uma coisa importante para você saber antes de importar os dados. Apesar de discordarmos veementemente desse protecionismo de dados, a escolha é sua. Porque, afinal, é você quem deve ter controle sobre seus dados. Naturalmente, você é sempre livre para exportar seus contatos usando o recurso de exportação de dados do Google Contacts. Este anúncio de serviço público é trazido a você em nome de seus amigos no Google Contacts“.

Abaixo dele, duas caixas. Uma oferecendo a oportunidade de “Registrar uma reclamação sobre o protecionismo dos dados“, mas sem informar a quem a “reclamação” será dirigida nem em que termos. Outra, talvez meio a contragosto, que permite continuar com a exportação de dados. Porém fazendo o usuário admitir que “Eu reconheço que uma vez que as informações foram importadas para o outro serviço, esse serviço pode não me permitir exportá-las de volta” ? como se isso fizesse alguma diferença para um usuário que, naquele momento, nada mais deseja que completar sua lista de amigos no Facewood, quer dizer, Facebook, com sua relação de contatos do Gmail.

Que coisa feia, brigando assim na frente de todo o mundo. E que baixo nível. Não é à toa que em alguns sítios se encontra este atalho alusivo ao incidente. Não deixe de apreciar o vídeo, que ilustra bem o nível da disputa.

E agora, em que ponto estamos?

Bem, no momento em que digito estas mal traçadas, a peleja prossegue, sempre no mesmo nível. Em 9/11 Mike Vernal, um membro da equipe de engenharia do Facebook postou um comentário a um artigo do TechCrunch sobre o tema, Nele, lembra a tentativa do Google de bloquear a exportação de dados do Orkut (que, é bom reiterar, é um serviço do Google), comparando-a com o bloqueio dos dados do Gmail para o Facebook. E acrescenta: “Ser a favor da abertura não significa ser aberto apenas quando é conveniente“. Depois, Vernal segue informando que a política do Facebook (relativa à exportação de dados) tem sido sempre consistente e se baseia no fato de que os dados dos contatos de cada usuário não pertencem a ele, mas aos contatos. E que cada usuário tem tanto direito de exportar os dados de seus contatos como, por exemplo, seus álbuns de fotos (quer dizer: nenhum). Já o correio eletrônico é diferente (repito aqui o pensamento de Vernal, o que não significa que concordo com ele): cada pessoa mantém e possui sua própria lista de contatos. E Vernal encerra seu comentário dizendo que o Facebook e sua API gráfica permite que qualquer pessoa divulgue suas próprias informações para milhões de sítios e aplicativos, inclusive o YouTube (que pertence ao Google), o que faz dele a maior iniciativa para ajudar os usuários a mover seus dados de um serviço para outro em funcionamento atualmente. E fecha afirmando “We strongly hope that Google turns back on their API and doesn”t come up with yet another excuse to prevent their users from leaving Google products to use ones they like better instead” (esperamos firmemente que o Google retorne à sua API e não venha com mais uma desculpa para impedir seus usuários de abandonar os produtos Google para usar os que eles preferirem).

Pois é. No momento a situação é esta. Como diz muito bem Michael Arrington em seu artigo, desta vez a guerra do protecionismo dos dados começou à sério. E protecionismo, seja comercial, seja cambial, seja lá do que for, é uma faca de dois gumes: traz algum benefício em prazo curto, mas é desastroso em prazo mais longo. E tem uma característica fatal: quem começou pode ficar certo que sofrerá revide.

No fundo, não há como defender nem o Google nem o Facebook. O primeiro por, depois de tanto pregar a abertura, forçar um movimento (por sinal bizarro, já que pôde ser contornado tão facilmente) em sentido contrário negando dados ao Facebook. O segundo não apenas por sonegar durante anos suas próprias listas de usuários aos concorrentes como também pela atitude pouco ética de usar um artifício um tanto safado para tomar praticamente à força os dados que o Google se nega a fornecer a ele.

Razão, que é bom, nenhum dos dois tem.

Mas isto, na verdade, pouco importa. O que importa é que a disputa envolve o controle dos dados. Quem detiver tal controle poderá cobrar mais caro de seus anunciantes e poderá vendê-los mais caro (sim, listas de dados sobre usuários ? sem suas identificações, juram as empresas, mas quem acredita em juramento de empresas que praticam ações como as acima descritas? ? são vendidas a corporações que os usam para pesquisas e para incrementar suas vendas).

E, ao fim e ao cabo, os dados nem ao menos são deles.

São meus, são seus, são os nossos dados…

B.Piropo

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