Google altera buscas para fugir da censura chinesa

O Google anunciou na semana passada uma mudança em seu sistema de buscas que pode ajudar usuários contra a censura na China. Pela novidade, o buscador avisa os internautas que termos digitados podem levar a resultados bloqueados. Como alternativa, são sugeridas palavras similares que não estejam na mira das autoridades.
Usuários podem fazer busca em chinês de Hong Kong. Quando clicam em um link bloqueado, sua conexão é derrubada. Em um post no blog, o Google citou como exemplo o termo “jiang”, que quer dizer “rio”, sem fazer referência ao nome do ex-presidente Jiang Zemin, provável motivo do bloqueio.
O novo recurso vai alertar usuários se eles fizerem uma busca que “possa temporariamente derrubar a conexão com o Google”, disse Alan Eustace, vice-presidente sênior do Google, no blog do mecanismo de pesquisas da empresa. Ele disse que o mecanismo vai sugerir que eles “tentem outros termos de pesquisa”.
“Advertindo as pessoas a corrigirem suas pesquisas, esperamos reduzir as quedas de conexão e melhorar a experiência dos usuários da China”, afirmou Eustace.
Para direcionar o alerta apenas para os termos de busca bloqueados, o Google analisou os 350 mil termos de busca mais populares na China. Em nenhum momento, na mensagem publicada no blog oficial, o Google menciona a palavra censura. Ele apenas citava que a ideia era “resolver problemas técnicos”.
Independentemente da ajuda do Google, a população local tenta fugir da censura online por conta própria. A fim de expressar apoio ao advogado dissidente chinês cego Chen Guangcheng, que escapou da prisão domiciliar e desapareceu, a população chinesa passou a utilizar, no fim de abril deste ano, a rede social Weibo (o Twitter da China), o que dificulta o trabalho dos censores do país sobre o que pode ou não ser publicado. As informações são da agência Reuters.
Inicialmente os responsáveis por selecionar o que pode ser publicado bloquearam as palavras “homem cego”, que eram usadar para caracterizar Chen. Depois a palavra escolhida para bloqueio foi “embaixada” – boatos apontavam que ele estaria escondido na embaixada norte-americana. Segundo a publicação, para continuar a discussão sobre o tema no microblog os moradores do país passaram a utilizar outras palavras para falar sobre o assunto, como “advogado cego”.
