Gestão

Para 3M, governança é o fundamento da estratégia ESG

Dentro da sigla ‘ESG‘, as pautas relacionadas ao ‘ambiental’ e ao ‘social’ são as duas que costumam estar em grande evidência no debate corporativo moderno. Para Paulo Gandolfi, diretor de Operações de P&D e Inovação da 3M para a América Latina, é no ‘G’, de ‘governança‘, que está a base para uma estratégia eficiente de ESG.

“A governança é o fundamento de tudo“, pontuou o executivo nesta segunda-feira (05), em um encontro com a imprensa para marcar o Dia do Meio Ambiente. “Se não houver governança de qualidade dentro das empresas e dos agentes do ecossistema, nada vai acontecer.”

A companhia revelou nesta terça o “3M Forward: O Futuro Hoje“, estudo que analisou as grandes forças globais que têm impactado nossas sociedades. Produzido em parceria com a Ipsos, o levantamento identificou as mudanças climáticas, a escassez de recursos, transformações demográficas e sociais, e a convergência dos mundos físico e digital como as três principais preocupações de mil respondentes de 17 países, incluindo o Brasil.

Dia do Meio Ambiente: empresas de tecnologia assumem missão de reduzir impactos

No Brasil, a pesquisa mostrou que a descarbonização e a transição energética são tendências que os brasileiros consideram importantes e terão um impacto muito positivo na sociedade. Mais da metade dos brasileiros (55%) acredita que a descarbonização e a transição energética terão um impacto muito positivo na sociedade como um todo e 85% concordam que as empresas devem fazer a transição da energia de carbono para energia renovável.

Para Gandolfi, o caminho é o da “inovabilidade” – da inovação orientada pela sustentabilidade. “Quando a gente pensa em sustentabilidade, qual a compensação que estamos buscando? Reduzir o impacto ambiental, mas sem perder desempenho”, pontuou. “Essa constante batalha entre economia e impacto do que você faz é o grande desafio para qualquer negócio. A resposta vem na forma de ciência e tecnologia.”

De acordo com o Índice do Estado da Ciência da 3M, 93% das pessoas em todo o mundo estão preocupadas com as consequências das mudanças climáticas. A grande maioria (90%), no entanto, acredita que a ciência pode ajudar a minimizar seus efeitos. “A gente tem que ir em busca da ciência e tecnologia para nos ajudar a quebrar paradigmas e alicerçar isso em cima de comunicação constante”, completou. “Cada vez mais os clientes estão vendo valor nisso.”

Andrea Bisker, cientista do consumo que também participou o debate, destacou também o aspecto da comunicação como pilar de uma estratégia ESG próspera. “O marketing corporativo fica cada vez mais relevante. Se as pessoas compram como as marcas fazem, não o que elas fazem, as empresas precisam contar”, disse.

Incertezas sobre o futuro

Além de uma leitura sobre a preocupação dos participantes sobre nosso futuro ambiental, o estudo da 3M também mapeou percepções do espectro social. Um dos pontos de ansiedade é em relação à inteligência artificial: 53% dos respondentes estão “muito preocupados” com os impactos que a IA pode ter no emprego e na desigualdade, enquanto 34% estão “céticos” sobre a possibilidade dos riscos da IA superarem seus benefícios.

Um dos caminhos para mitigar esse risco – e responsabilidade de empresas do ecossistema de tecnologia – é o da requalificação da força de trabalho. No caso da 3M, parte importante desse desafio está na capacitação de funcionários de áreas de fora da tecnologia em áreas digitais. “A gente ainda faz pouco e vem discutindo como escalar isso”, admitiu Gandolfi.

Veja mais: Para Microsoft, não é preciso escolher entre produzir e preservar

“Investir em requalificação dos nossos funcionários é fundamental. Vou dar um exemplo: na minha equipe tenho químicos e engenheiros que não estudaram o digital”, continuou o executivo. “A gente tem se esforçado para estimulá-los a se requalificar para serem também programadores. O químico programador? Sim. Porque tem soluções que só ele, trabalhando com um programador mais sênior, vai ser capaz de resolver problemas de pesquisa e desenvolvimento. Se eu não fizer essa pessoa ser mais digital, essas pessoas não vão ter mais essa posição em 10 anos.”

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Recent Posts

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

41 minutos ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

3 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

22 horas ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

24 horas ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

1 dia ago

Chatbots de bancos e fintechs não entendem as emoções dos clientes, aponta estudo

A evolução da inteligência artificial nos serviços financeiros ainda esbarra em desafios relacionados à experiência…

1 dia ago