Fusion IV: Afinal, o que é Fusion?

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9:56 am - 25 de janeiro de 2011

O “pulo do gato”

No fundo, a ideia que levou ao Fusion é muito simples. Pois, considerando o que foi dito acima sobre processamento vetorial e escalar e levando em conta que nem todo processamento vetorial tem a ver com gráficos, a AMD decidiu aproveitar a evolução tecnológica que permite a fabricação de processadores multinucleares e concebeu, em uma única unidade de processamento, a inclusão tanto de núcleos otimizados para o processamento escalar quanto de núcleos otimizados para o processamento vetorial, tudo isto na mesma pastilha de silício, que também engloba diversas unidades auxiliares, como cache interno, gerenciador de memória (eliminando assim o gargalo do barramento frontal, ou FSB) e até mesmo decodificadores de vídeo e controladores de barramentos PCI-E.

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Como todos estes componentes estão, literalmente, fundidos na mesma peça de silício (ou no mesmo “die“, em inglês), sua integração é completa, permitindo que as UPAs executem as tarefas que exigem o uso de processamento convencional em seu(s) núcleo(s) escalar(es), aos quais ela se refere como “tecnologia x86”, e as tarefas que serão mais eficazmente executadas via processamento vetorial ? inclusive as relativas ao processamento gráfico mas não exclusivamente ? em seu(s) núcleo(s) que usa(m) uma versão avançada da tecnologia de processamento vetorial que a AMD vem aperfeiçoando desde que adquiriu o conhecimento básico específico com a aquisição da ATI há alguns anos.

Resumindo, e citando um trecho da comunicação à imprensa especializada emitida pela própria AMD: “Em seu nível mais básico, as novas Unidades de Processamento Acelerado da AMD combinam núcleos de UCP com mecanismos programáveis de processamento vetorial na mesma peça de silício. As UPAs da AMD também incluem uma variedade de elementos críticos do sistema, como controladores de memória, controladores de E/S, decodificadores de vídeo especializados, saídas para vídeo e interfaces de barramento, mas a grande vantagem destes “chips” deriva da inclusão de hardware tanto escalar quanto vetorial como elementos plenos de processamento” [At the most basic level, AMD?s new Accelerated Processing Units combine general-purpose x86 CPU cores with programmable vector processing engines on a single silicon die. AMD?s APUs also include a variety of critical system elements, including memory controllers, I/O controllers, specialized video decoders, display outputs, and bus interfaces, but real appeal of these chips stems from the inclusion of both scalar and vector hardware as full-fledged processing elements].

A chave para se entender a diferença entre as novas UPAs da AMD e tudo o que foi fabricando antes neste campo são as expressões “na mesma unidade de silício” (“on a single silicone die“) e “elementos plenos de processamento” (“full-fledged processing elements“). Isto porque não se trata meramente de incluir uma UCP e uma UGP em um mesmo encapsulamento plástico, o que já foi feito pela Intel com parco sucesso, mas de integrar diferentes núcleos especializados em processamento escalar e vetorial na mesma pastilha de silício (“die“). Também não se trata de fabricar uma unidade de processamento capaz de gerir gráficos e dados escalares em elementos independentes contidas no mesmo encapsulamento, mas de integrar tudo isto em núcleos capazes de efetuar processamento vetorial ou escalar quando um ou outro é mais eficiente, independentemente de se tratar de gráficos ou não.

Mais que isto: embora os núcleos voltados para processamento escalar (x86) e vetorial (SIMD) das novas UPAs compartilhem uma via única de acesso à memória principal, a primeira geração de membros da arquitetura Fusion divide esta memória em regiões definidas, algumas delas gerenciadas pelo sistema operacional que roda nos núcleos x86 e outras gerenciadas pelos programas que rodam nos núcleos vetoriais. Como nos sistemas que usam UPAs o controlador da memória principal está contido no interior da própria UPA, ficou fácil para a AMD implementar mecanismos de transferência em bloco que movimentam dados com grande rapidez entre estas partições de memória sem que eles transitem pelo barramento do sistema (que tradicionalmente funciona como um gargalo para este tipo de operação).

Realmente a ideia da qual derivou o Fusion é revolucionária.

Se ele será ou não “o maior avanço em processamento desde a introdução da arquitetura x86” o tempo dirá. Mas de acordo com os dados a que tive acesso, que incluem análises de desempenho, tudo indica que a Intel deve começar a se preocupar seriamente com o assunto e caprichar muito, mas muito mesmo, na nova arquitetura “Sandy Bridge” que está para vir à luz.

Digo isto porque, apesar de não estar presente ao lançamento dos novos chips ? sobre os quais falaremos adiante ? durante a CES, tive a oportunidade de vê-los em pleno funcionamento três meses antes, no lançamento da linha Radeon HD 6800 em Los Angeles.

E nada como uma observação de corpo presente para formar uma opinião.

Pois vou contar uma coisa pra vocês: o bicho impressiona…

B.Piropo

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