Fusion I: a evolução dos gráficos

Author Photo
4:27 pm - 10 de janeiro de 2011

Barramentos mais rápidos

O primeiro passo para resolver o problema foi alterar o barramento de forma a aumentar sua capacidade, ou seja, fazê-lo transportar mais dados em menos tempo. Primeiro, aumentando sua largura para 16 bits e sua frequência de operação para até 12 MHz, criando um barramento de E/S que recebeu o nome de ISA (“Industry Standard Architecture“) e era capaz de transportar 24 MB/s (faça as contas).

O barramento ISA suportou diversos padrões gráficos intermediários, como o VGA, de 480 x 640 pontos e 256 cores, que gerava um fluxo de pouco mais de 17,5 MB/s (calcule), mas não chegava perto das necessidades do SVGA.

Depois de uma frustrada tentativa feita pela Associação de Padrões da Eletrônica de Vídeo (VESA) de criar seu próprio padrão, a Intel concebeu o vitorioso PCI (“Peripheral Component Interconnect“) com suas 32 linhas e operando a 33 MHz. Até hoje a maioria das placas-mãe de boa qualidade disponíveis no mercado ainda exibem pelo menos um conector (“slot”) PCI, embora hoje em dia raramente sejam usados para suportar controladoras de vídeo.

Pois o que ocorre é que, se você fizer os cálculos, descobrirá que um barramento PCI é capaz de sustentar um fluxo de 132 MB/s. Que suporta o SVGA “high color“, naturalmente, mas que só resolveu o problema por algum tempo, já que nossos olhos insaciáveis continuaram exigindo maiores resoluções de vídeo e maior número de cores, como os 16 milhões proporcionados pelo padrão “true color” no qual cada ponto da tela exige quatro bytes, o que faz com que o fluxo necessário para transportar dados de telas SVGA “true color” chegue a 180 MB/s, bem mais que a capacidade do barramento PCI.

Foi então necessário desenvolver barramentos ainda mais rápidos, especialmente para transportar os dados de vídeo.

[photoframe folder=wp-content/blogs.dir/4/files/phenom-i-1423169707 filename=

Disseminaram-se então, já no início do terceiro milênio, as diversas versões do padrão AGP, de “Accelererated Graphics Port” (porta gráfica acelerada), um aperfeiçoamento do PCI (a Figura 4 mostra uma placa-mãe na qual foram assinalados os conectores que receberão controladoras PCI e AGP).

Para começar, ao contrário de seus antecessores, inclusive o PCI, que sendo genéricos (isto é, podiam receber controladoras de dispositivos diversos, como som, rede e outros, além do vídeo) distribuíam o fluxo de dados entre todos os periféricos ligados a seus diversos conectores, o barramento AGP não era compartilhado com qualquer outro periférico e por isso mesmo só poderia haver conector AGP em uma placa-mãe se fosse para receber uma controladora de vídeo. Era um barramento do tipo “ponto a ponto”, ou seja, ligava diretamente a CPU à controladora de vídeo e só a ela. Como o PCI, o AGP também usava 32 linhas paralelas para transportar dados, porém desde sua primeira implementação operava em 66 MHz, o dobro da frequência do PCI. O que, de imediato, fazia com que sua capacidade de transporte de dados dobrasse para 266 MB/s.

Depois, aproveitando-se do mesmo tipo de tecnologia que levou ao desenvolvimento das memórias RAM tipo DDR2 e DDR3, os fabricantes de “chipset” (os barramentos da placa-mãe são controlados por um conjunto de circuitos auxiliares denominados genericamente de “chipset“) lograram transferir a cada ciclo de operação primeiro dois, depois quatro dados por linha de barramento, duplicando e quadruplicando o fluxo. Assim, o chamado “AGP x2” era capaz de transferir 533 MB/s e o “AGP x4” chegava a 1.066 MB/s (ou 1,066 GB/s). Pouco antes de desaparecer, substituído que foi pelo PCI-E como veremos adiante, o padrão AGP chegou a fornecer um fluxo de dados de 2,133 GB/s com a versão “AGP x8”, que transferia oito dados por ciclo de operação. Mas sua vida foi breve.

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.