Fortalecimento da indústria nacional de componentes ópticos é caminho contra China

Na economia global de hoje, é fácil supor que os produtos sejam comercializados sem problemas para além das fronteiras indefinidamente. Às vezes esquecemos que os componentes ópticos que impulsionam empresas da nuvem, como Google, Facebook, Amazon e outras, são praticamente todos fabricados na China e, portanto, suscetíveis a trocas comerciais.

Por isso, o governo de Donald Trump promulgou recentemente tarifas de base ampla que poderiam impedir a importação de transceptores óticos fabricados na China para os EUA. Como as empresas de data center americanas dependem em grande parte de suprimentos de transceptores fabricados na China, elas são altamente vulneráveis a prejuízos provenientes do relacionamento cada vez mais turbulento entre os EUA e a China.

Algumas empresas norte-americanas de transceptores ópticos já estão tentando se imunizar dos efeitos negativos das tensões comerciais entre EUA e China, mantendo uma reserva estratégica de transceptores em caso de interrupção dos transceptores chineses em caso de embargo ou até mesmo um desastre natural.

Este entrave associado ao sistema de formação de preços da China, considerada pouco confiável por causa da presença do Estado na economia, também afeta ao Brasil, já que a China é o nosso maior parceiro comercial e a origem dos produtos comprados pelo País, conta com 17,2% de participação na pauta de importações.

Em dezembro, a China completará 15 anos na OMC (Organização Mundial do Comércio), e com isso perderá validade uma cláusula que autoriza os parceiros da China a questionarem os casos de dumping. Com o fim da cláusula, a China quer que seus parceiros aceitem seus preços. A indústria nacional pressiona o governo a não reconhecer a China como uma economia de mercado.

Neste contexto, antes que o pior aconteça, devemos seguir o exemplo americano e tornar nossa indústria independente. No caso específico de componentes eletroeletrônicos e transceptores ópticos, temos todas as condições de produzir localmente. Os transceptores produzidos na China são mais baratos, mas não é possível garantir a qualidade, entrega e pós-venda.

Se a disputa evoluir para um embate direto entre os EUA e a China, as maiores potências comerciais do planeta, a OMC e o sistema internacional de comércio podem enfrentar o maior embate da história. E a indústria brasileira terá uma grande oportunidade de se reinventar antes que dezembro venha.

*Rudinei Santos Carapinheiro é diretor de novos negócios da Skylane Optics

Recent Posts

Movida lança agente de IA no WhatsApp em parceria com a Meta e aposta em nova experiência de locação

A plataforma de locação de automóveis Movida lançou um agente de inteligência artificial integrado ao…

1 dia ago

Oracle nomeia Marcelle Paiva como nova VP de vendas, Data&AI Hub na América Latina

A Oracle anunciou Marcelle Paiva como nova vice-presidente de vendas, Go-to-Market (GTM) e ecossistema para…

1 dia ago

Mercado de IPOs de tecnologia ganha força com avanço da IA

O mercado de ofertas públicas iniciais voltou a ganhar tração em 2026, impulsionado principalmente pelo…

1 dia ago

Oracle adiciona US$ 85 bilhões em contratos de IA e encerra trimestre com carteira recorde de US$ 638 bilhões

A Oracle encerrou o quarto trimestre e o ano fiscal de 2026 com resultados recordes,…

1 dia ago

Disputa entre Anthropic e OpenAI expõe divergências sobre o futuro da inteligência artificial

A disputa entre Anthropic e OpenAI ganhou novos contornos e se tornou um dos principais…

2 dias ago

Marketing B2B precisa se reorganizar para atender compradores mais autônomos, diz Forrester

As áreas de marketing B2B precisam rever sua estrutura operacional para acompanhar a transformação do…

2 dias ago