Folguedos de domingo

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6:57 pm - 26 de março de 2012

S.M.A.R.T.

Você sabe o que é “SMART”? Não me refiro à palavra “smart“, do inglês, que significa “esperto”, “astuto”, mas ao acrônimo SMART, de “Self Monitoring, Analysis and Reporting Technology“, uma sigla tão esperta quanto a tecnologia a que se refere.

É provável que você já tenha ouvido falar dela. Ou, pelo menos, tenha lido seu nome em uma das telas do “setup” de sua máquina. E é igualmente provável que não saiba exatamente o que significa, como a maior parte dos usuários.

Isto acontece porque SMART é uma tecnologia silenciosa. Se tiver sorte, você pode usar um computador por anos a fio sem jamais tomar conhecimento dela ou ler uma de suas mensagens. E, talvez por isto, há até quem a desabilite no “setup” por não ver razão para manter habilitado algo que não se sabe o que é e que aparentemente para nada serve (se você é um destes, aconselho prosseguir a leitura desta coluna; e se lhe faltar paciência para tanto, sugiro veementemente manter o SMART habilitado em suas máquinas).

Vamos ver o que esta tecnologia pode fazer por você.

Seu nome, em português, seria algo como “tecnologia de auto monitoramento, análise e aviso”. Serve para observar o funcionamento dos discos rígidos em que foi implementada, analisar os dados e avisar caso detecte a iminência de alguma falha.

Em suma: serve para evitar aquele susto a que me referi no final da seção anterior e oferecer ao usuário a oportunidade de salvar (no sentido lato e no estrito) seus dados antes que o disco pare de funcionar de vez.

Não vou entrar em detalhes técnicos que somente entediariam os leitores. Vou apenas informar que SMART funciona como uma extensão do BIOS (como a tecnologia ACPI a que me referi na série de colunas sobre UEFI encerrada na semana passada) e que, portanto, pode continuar atuando mesmo depois de que o sistema operacional assume o controle da máquina (dependendo do sistema e de sua versão, naturalmente; as versões mais recentes de Windows, Linux e Mac OS oferecem esta facilidade).

A ideia básica da tecnologia SMART é escolher um conjunto de características do disco, que recebem o nome de “atributos SMART”, e acompanhar a variação de seus valores ao longo de toda a vida útil do dispositivo. Para cada atributo é fixado um valor que, por questões de segurança, funciona como um limiar que não deve ser ultrapassado.

Drives com SMART tem seus atributos monitorados todo o tempo. Em princípio, não interessa quantifica-los, ou seja, exibir o valor. Basta apenas verificar se o limiar foi ou não excedido. Se não, nada é feito, pois o drive é considerado hígido (ora, vamos lá, uma consultazinha a um dicionário de quando em vez não faz mal a ninguém…) e pode continuar sendo usado normalmente ? e é por isto que raramente tomamos conhecimento da existência do SMART, já que a confiabilidade dos discos rígidos aumentou muito nos últimos anos. Mas se algum dos atributos exceder o limiar estabelecido, imediatamente é emitido um aviso.

Não há um padrão ou regra que determine quais são os atributos SMART a serem monitorados, portanto se um fabricante dotar seus discos de um sensor que acompanhe apenas um deles já tem o direito de alegar que seu disco detém a tecnologia. Mas o senso comum obriga que pelo menos alguns deles, considerados críticos, sejam incluídos. Entre eles sobressaem a taxa de ocorrência de erros de leitura, o número de setores realocados (drives modernos são capazes de identificar setores defeituosos e, quando os encontram, marcá-los como não utilizáveis e realocar seu conteúdo em outros setores), número de tentativas para atingir a rotação de trabalho após a partida, número de operações de leitura abortadas devido a demora excessiva e coisas que tais (uma lista completa pode ser encontrada no verbete “S.M.A.R.T.” da Wikipedia, edição em inglês). São todos parâmetros críticos para o funcionamento do disco e, naturalmente, a ultrapassagem do limiar do número de ocorrência de qualquer deles indica que muito provavelmente o disco está prestes a apresentar uma falha que pode ser fatal.

Como mencionei acima, por ser capaz de funcionar como uma extensão do BIOS, embora atuando desde a fase de testes de inicialização da máquina a tecnologia SMART pode continuar ativa mesmo depois do sistema carregado.

E ontem pela manhã, para começar a escrever esta coluna (com outro tema, naturalmente), “acordei” esta máquina que vos fala ? que havia passado a noite em estado de suspensão ? e vi aparecer na tela uma janela de aviso de Windows informando que a tecnologia SMART havia detectado que um de meus discos rígidos estava prestes a falhar, identificando o indigitado e sugerindo que eu fizesse imediatamente uma cópia de segurança completa de seu conteúdo e em seguida providenciasse sua substituição.

Em vez disto, reinicializei a máquina na vã esperança que a mensagem desaparecesse para sempre e não mais voltasse a me incomodar (sim, não são apenas vocês que fazem isto, colunistas de informática com mais de vinte anos de estrada também; afinal, somos humanos e acreditamos no velho ditado que prega que “enquanto há vida, há esperança”).

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Em vão. Na verdade, piorou um pouco. Como a tecnologia SMART independe do sistema operacional e realiza seus testes logo no início do processo de inicialização da máquina, tão logo os discos rígidos foram identificados e sua listagem apareceu na tela veio uma mensagem de erro interrompendo o processo e informando basicamente a mesma coisa, só que em inglês: meu disco rígido conectado à porta SATA número 4 estava dando sinais de falha iminente. E eu deveria providenciar imediatamente uma cópia de segurança e substituí-lo.

Como a mensagem foi seguida de um aviso informando que se eu quisesse prosseguir com a inicialização deveria premir uma tecla de função, fiz o recomendado e carreguei Windows. Que, assim que deu por findos os trâmites relativos à inicialização voltou a exibir a mesmíssima e irritantíssima mensagem de erro.

Suspirei fundo e pensei com meu fecho ecler (já não se pensa mais com os botões, como antigamente): “certamente esta não é a melhor maneira de começar um domingo…”

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