Folguedos de domingo

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6:56 pm - 26 de março de 2012

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Hoje eu vou imitar meu amigo Xandó e contar um “causo”. Não há de ser tão saboroso quanto os dele, bem mais experiente nesta seara, mas me esforçarei para não fazer feio. Antes, porém, devo cumprir o doloroso dever de comunicar o falecimento de um dos discos rígidos desta máquina que vos fala. Não houve tempo de convidá-los para as exéquias, já que o funeral ocorreu no mesmo dia do passamento, mas agradeço de coração seus virtuais votos de pesar, que sei serem sinceros. Mas vamos tocar a vida adiante, já que entre mortos e feridos salvaram-se todos.

Senão, vejamos.

Nesse quarto de século em que lido com computadores pessoais já vi um bocado de coisas acontecerem e apreciei uma extraordinária evolução tecnológica. A capacidade de processamento das UCPs aumentou mais de mil vezes, e as memórias e barramentos são hoje centenas de vezes mais rápidos. Mas nenhuma evolução se compara à experimentada pelos dispositivos de armazenamento.

Meu primeiro disco rígido era um trambolho quase do tamanho de uma caixa de sapatos, tinha capacidade para armazenar 40 MB (quarenta megabytes, para não imaginarem que houve erro de digitação), era lerdo como uma lesma e custou seiscentos dólares americanos. Hoje há no mercado discos rígidos de dois e até três TB (em um Terabyte cabem mais de um milhão de Megabytes) girando a dez mil RPM e custando uma fração daquele preço.

Mas não foram apenas a capacidade, rapidez que aumentaram enquanto caía o custo. A confiabilidade também aumentou brutalmente.

No início dos anos noventa, talvez a coisa mais temida pelos usuários de computadores pessoais era uma sinistra mensagem anunciando “Fatal disk failure“, erro fatal do disco.

Aquele “Fatal” do início da mensagem era realmente mortificante. Havia casos em que lê-la fazia o mesmo efeito que ler uma mensagem fúnebre anunciando o passamento de um membro da família. No caso, tratava-se do falecimento do disco rígido, que com ele levava para o além todos os dados e programas do pobre usuário.

Havia, é verdade, meios de ressuscitá-los. Eram programas com nomes sugestivos, como “Norton Disk Doctor”, “Disk Mechanic” ou “PC Tools”, utilitários desenvolvidos especificamente para tratar da saúde combalida de discos rígidos e que chegavam a tentar medidas extremas, equivalentes aos desfibriladores e respiração boca-a-boca nos humanos. Eram úteis e, algumas vezes, até funcionavam, porém o índice de insucessos costumava ser maior que o de recuperações. E lá se iam os dados para o brejo.

Os usuários mais precavidos, após o funeral do de cujus, instalavam um disco novo (que custava uma nota preta) e recuperavam seu acervo de dados executando a restauração da cópia de segurança, o que permitia resgatar pelo menos os dados e programas instalados até a data em que a dita cópia foi atualizada pela última vez. Mas usuários precavidos sempre foram aves raras e na imensa maioria das vezes a perda de um disco equivalia à perda pelo menos dos dados, já que programas sempre podem ser novamente instalados.

Mas o pior de tudo era a imprevisibilidade. Pois a maldita mensagem costumava aparecer do nada, abruptamente, sem qualquer aviso ou alarme. Lá ia você todo pimpão ligar o micro e, em vez da esperada carga do sistema operacional, vinha ela anunciando a morte de seu disco.

Em geral o choque era terrível…

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