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Filantropos criam fundo para promover o uso ético da Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial está se tornando uma parte cada vez maior de nossa vida diária. Mesmo se perceber, os sistemas inteligentes, derivados de tecnologias como machine e deep learning já começam a afetar praticamente todos os aspectos da vidas modernas.
Embora esses desenvolvimentos tenham levado a novos recursos interessantes, eles também apresentaram uma série de problemas potenciais, como o desemprego provocado pela automação e os resultados tendenciosos de muitos algoritmos. Afinal de contas, os algoritmos têm pais, e esses pais são programadores de computador, com seus valores e suposições. Esses valores – que conseguem determinar o que são e quem controla sua aplicação – ajudarão a definir a era digital, ressalta Alberto Ibargüen, presidente da Knight Foundation.
Preocupados com essas e outras questões derivadas do uso crescente da Inteligência Artificial, uma equipe de filantropos e visionários da área de tecnologia lançaram um fundo que tem como objetivo tornar mais ético e responsável o processo de desenvolvimento da IA. Batizado de Ethics and Governance of Artificial Intelligence Fund, ele se concentrará em fazer a tecnologia avançar a partir do interesse público.
O objetivo, inicialmente, é estudar cada um dos potenciais problemas com os sistemas de inteligência artificial apontados em um relatório recente da IEEE, e financiar soluções para vários desses problemas.
O foco inclui pesquisas sobre melhores formas de comunicar a complexidade da Inteligência Artificial, projetar sistemas éticos e garantir que uma todos os interesses estejam representados no desenvolvimento de soluções derivadas do uso da tecnologia.
Lançado com a ajuda da Omidyar Network, a empresa de investimento criada pelo fundador do eBay, Pierre Omidyar, o fundo já conta com a participação da John S. and James L. Knight Foundation; do funcador do LinkedIn, Reid Hoffman; da Fundação William e Flora Hewlett; e do fundador do Raptor Group, Jim Pallotta. O fundo tem US $ 27 milhões para gastar neste momento, e mais investidores devem anunciar participação nos próximos meses.
“Como tecnólogo, estou impressionado com a incrível velocidade com que as tecnologias de inteligência artificial estão se desenvolvendo”, disse Omidyar em um comunicado à imprensa. “Como filantropo e humanitário, estou ansioso para garantir que as considerações éticas e os impactos humanos dessas tecnologias não sejam esquecidos”.
Hoffman, um ex-executivo da PayPal, mostrou bastante interesse em desenvolver a Inteligência Artificial a partir do interesse público e também deu apoio à OpenAI, uma organização de pesquisa que visa ajudar a criar sistemas de Inteligência Artificial o mais seguros possível.
Alberto Ibargüen acredita que identificar as questões éticas da Inteligência Artificial, ajudar a determinar quem as decide, e envolver perspectivas diversas é u bom caminho para ajudar a extrair o máximo do potencial da tecnologia em benefício da sociedade – e minimizar danos.
“A promessa da inteligência artificial está inevitavelmente ligada ao seu benefício público. Vamos aproveitar ao máximo esse potencial”, afirmou Alberto Ibargüen.
O fundo também trabalhará com instituições educacionais, incluindo o Berkman Klein Center for Internet and Society da Universidade de Harvard e o MIT Media Lab. Juntos, eles irão alavancar uma rede de professores, bolsistas, funcionários e afiliados que irão colaborar em um trabalho imparcial, sustentado, baseado em evidências e orientado a soluções envolvendo diversas disciplinas e setores.
“O rápido desenvolvimento da IA traz muitos desafios difíceis”, explica Joi Ito, diretor do MIT Media Lab. “Por exemplo, um dos desafios mais críticos é como assegurar que as máquinas que treinamos não perpetuem e amplifiquem os mesmos preconceitos humanos que afligem a sociedade? Como podemos iniciar uma discussão mais ampla sobre como a sociedade irá co-evoluir com essa tecnologia e conectar a ciência da computação e as ciências sociais para desenvolver máquinas inteligentes que não sejam apenas inteligentes, mas também socialmente responsáveis?”
Segundo seus fundadores, o que torna esta nova iniciativa diferente e necessária é que ela tem como objetivo transcender barreiras e romper silos entre disciplinas e empresas. Também supervisionará um programa de bolsas de Inteligência Artificial, identificará e fornecerá apoio para projetos colaborativos, e construirá redes de pessoas e organizações que atualmente trabalham para orientar o uso social da tecnologia.

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