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Estudo: discurso sobre diversidade não reflete em contratações LGBTQIA+

No Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, 28 de junho, em que a sociedade reflete sobre equidade de gênero, a democracia e liberdade, Gupy traz um levantamento sobre as vagas publicadas em sua plataforma de RH entre janeiro e junho. Os números indicam um aumento de vagas exclusivas para minorias e para especialistas em diversidade e inclusão.

Segundo a empresa, cerca de 10% do total das posições foram “inclusivas” (exclusivas para diversidade e inclusão). Destas, 37,5% eram destinadas exclusivamente para profissionais LGBTQIA+. Apesar dos índices baixos de contratação de LGBTQIA+ nas empresas, o mapeamento revela elas estão começando a colocar em prática o discurso acerca do tema e avançando na inclusão desses grupos.

Isso se reflete na contratação de especialistas de RH dedicados a aplicar a diversidade efetivamente ou criar setores e comitês de diversidade. Desse modo, a Gypy observa um salto de 560% no número de vagas publicadas no primeiro semestre de deste ano para especialistas em diversidade e inclusão.

“As empresas têm um papel fundamental na sociedade e também na geração de oportunidades. Temos visto cada vez mais companhias se comprometendo e criando políticas internas direcionadas para esse grupo, o que é fundamental para a equidade de valor das pessoas”, analisou Mariana Dias, CEO da Gupy.

Leia mais: “Inclusão deve ser projeto pragmático, não moral”, defende Lilia Schwarcz 

Representatividade e liderança

A busca por uma maior inclusão também passa pela representatividade da comunidade LGBTQIA+ em cargos de liderança. Para Camila Krauss, que atua hoje como supervisora comercial da Reserva, foi fundamental desde o início de sua trajetória de mais de 13 anos na marca poder “ser quem eu sou verdadeiramente”. Após se destacar, ela foi convidada para se tornar uma sócia notável da empresa e hoje lidera um time de 100 pessoas. “Poder falar abertamente sobre sua orientação sexual e da sua família é um sinônimo de força e inspiração”.

Já o gerente de estilo da Reserva, Igor de Barros, é o responsável pela direção criativa da marca, coordenando o time de estilo e inovação. Ele enxerga que seu papel como parte da comunidade LGBTQIA+ em um cargo de liderança é importante para inspirar outras pessoas. Apesar disso, reconhece que para ocorra de fato a inclusão no mercado de trabalho, é essencial implementar ações que permitam que todas e todas e todos alcancem posições estratégicas e de liderança dentro das companhias.

O caminho a ser percorrido ainda é longo. Guilherme Dias, CMPO na Gupy, lembra que não falava abertamente sobre sua orientação sexual com o time até entender como tal postura ajuda a construir uma cultura que valorize a diversidade, inclusão e respeito às diferenças. “Hoje, eu faço questão de falar sobre isso até mesmo no onboarding de novos colaboradores para evidenciar que não existe tabu nesse assunto dentro de casa”.

O preconceito, sobretudo, é uma grande barreira a ser superada no ambiente corporativo. Nyldo Moreira, head de atendimento na Fala Criativa, já enfrentou diversas situações de descriminação ao longo de sua trajetória. “Eu tenho a oportunidade de liderar num espaço que dificilmente nos possibilita essa abertura, é como se o gay não pagasse contas, não pudesse assumir cargos executivos, não pudesse crescer. E eu quero ser exemplo como profissional e como um profissional homossexual, pois eu quero engajar pessoas como eu. Eu sou extremamente respeitado aqui e ouvido”, conclui.

Diversidade na prática

É cada vez mais evidente o papel ocupado pelas empresas no combate ao preconceito e na defesa dos direitos de todos os cidadãos, bem como na inclusão de pessoas de diferentes orientações sexuais no mercado de trabalho. Nesse sentido, muitas organizações estão criando ações para estimular diversidade e inclusão nos times.

Um exemplo é a Positiv.a, empresa de produtos de limpeza e autocuidado veganos, que possui um comitê de diversidade e inclusão. Em sua política dedicada ao tema, traz dados sobre a composição do time e destaca as ações para aumentar o nível de diversidade. Entre as iniciativas estão: cargos abertos exclusivamente para minorias; definição de metas, prazos e indicadores sobre diversidade para todos os times e gestores; investimento na contratação e formação de lideranças pertencentes a minorias e garantia de um mínimo de entrevistas para cada vaga em aberto preenchidas por minorias.

O GetNinjas, empresa cujo um quarto dos funcionários se identifica como LGBTQIA+, também inaugurou seu comitê de diversidade em fevereiro deste ano e conta com a participação de 43 colaboradores. A equipe vem implementando uma série de iniciativas para debater sobre o tema, como a contratação de uma ferramenta para denúncia anônima, chamada Click Compliance, caso algum colaborador sofra algum tipo de preconceito ou assédio. Outro ação é a parceria com a Mais Diversidade, consultoria focada em políticas de diversidade no ambiente de trabalho, para promover treinamentos voltados para os colaboradores e a liderança.

“Todas as decisões são pensadas com todo o cuidado, sempre ouvindo as experiências dos colaboradores no home office, para entender o que, de fato, faz sentido para eles e para poder proporcionar oportunidades, bem-estar e acolhimento, ainda mais pelo atual momento que vivemos e que é tão necessário esse apoio. Além disso, é por meio dessas ações que colocamos em prática a nossa cultura como empresa”, afirmou Andréia Girardini, diretora de pessoas e cultura no GetNinjas.

 

 

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