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Estudo destaca potencial da internet para ampliar práticas culturais

O potencial da internet para ampliar as práticas culturais no Brasil pode ser percebido, principalmente, pela maior disponibilidade de bens culturais propiciada pelas tecnologias da informação e comunicações (TICs) e pela flexibilidade nas formas de acesso aos conteúdos online, que independem de horários definidos ou do acesso a determinados locais, funcionando também como alternativa à baixa oferta cultural em determinadas localidades.

A conclusão é da publicação “Cultura e Tecnologias no Brasil: Um estudo sobre as práticas culturais da população e o uso das TICs”, que faz parte do projeto TIC Cultura, primeiro estudo brasileiro a investigar a influência das TICs nas práticas culturais da população,que teve o resultado de sua etapa inicial — de abordagem qualitativa — lançado na semana passada com um debate entre especialistas no Centro de Pesquisa e Formação do SESC, em São Paulo.

O livro faz parte da série “Estudos Setoriais” do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), e está disponível para download por meio do endereço: http://cetic.br/publicacao/cultura-e-tecnologias-no-brasil/.

“A intersecção entre cultura e tecnologia está nas agendas internacionais, como é o caso da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação e da Agenda 2030 da ONU. Portanto, produzir estudos e debates sobre este tema é fundamental para as políticas culturais no país. Medir como os brasileiros estão tendo acesso a práticas culturais por meio das TIC é crucial para saber onde estamos e como podemos avançar”, enfatizou Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

“É necessário observar como a internet cumpre a expectativa de democratização das práticas culturais. Esse é um potencial a ser explorado e depende de políticas que o estimulem. O que observamos são práticas de sociabilidade que sofrem um desenvolvimento fantástico, potencializadas pelo uso de redes sociais, principalmente entre os jovens. Considero essa socialização um fator cultural importantíssimo e muito interessante”, destacou a especialista Isaura Botelho, do Sesc-SP.

Para Maria Carolina Oliveira, do Cebrap, a internet não deve ser vista como solução para os problemas de desigualdade no acesso à cultura. “Se para alguns a internet abre um mar de possibilidades, para outros que não tem acesso à rede ou conhecimento para utilizá-la, a distância se torna ainda maior.”

Realizada a partir de grupos focais em diferentes municípios brasileiros e com indivíduos de diversos perfis etários e socioeconômicos, a pesquisa qualitativa revela ainda que as TIC possibilitam a diminuição dos custos de acesso e maximizam o consumo de conteúdos gratuitos. Já em relação à diversidade cultural no ambiente digital, o estudo mostra que os produtos da indústria cultural de países desenvolvidos são em geral tidos como superiores, porém, sobretudo nas regiões Nordeste e Norte, observa-se a valorização de manifestações culturais nacionais e regionais.

“Outro desafio apontado pelo estudo está na concentração das práticas culturais em poucas plataformas. A descoberta do ‘novo’ acaba vindo por meio dessas redes, limitando a circulação de produções independentes ou de fora do circuito comercial”, pontua Luciana Lima, da Cetic.br. Na dimensão criativa, o estudo mostra o aumento da criação de conteúdos online, a partir de ferramentas mais acessíveis para a produção e difusão de conteúdos audiovisuais.

“A expectativa é que a realização de pesquisas em torno do tema possa subsidiar a implementação de políticas públicas que alinhem a perspectiva da inclusão digital à promoção dos direitos culturais, garantindo acesso à infraestrutura, formação de repertório para o consumo e desenvolvimento de habilidades para produção de conteúdo on-line“, reforçou Barbosa.

Além da realização da etapa qualitativa, o projeto TIC Cultura contempla ainda duas abordagens quantitativas complementares que ainda serão lançadas: a investigação da adoção das TIC em equipamentos culturais (bibliotecas, museus, arquivos, teatros, salas de cinema, bens tombados e pontos de cultura) e sua apropriação tanto na rotina interna de funcionamento quanto na relação com os públicos destas instituições; e a produção de indicadores quantitativos sobre práticas culturais online da população brasileira, que tem como ponto de partida as questões levantadas pelo estudo qualitativo.

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