Especial: implantando redes IPv4 e IPv6 Dual-Stack

Realizar um projeto de implantação de IPv6 não significa desativar uma rede IPv4 e substitui-la por uma nova tecnologia. Em vez disso, ambas as redes rodam paralelamente no que é conhecido como rede “Dual-Stack”. Mas elas são tão diferentes em design que as ferramentas de gerenciamento de rede da versão mais antiga podem não funcionar em um ambiente sob domínio do novo protocolo de internet.
Nesta segunda parte de uma série de três reportagens sobre o IPv6, a Network Computing analisa os problemas que envolvem a implantação de rede IPv6 em paralelo com uma rede IPv4.
PARTE 1 – Especial: é hora de começar um projeto corporativo de IPv6
O protocolo IPv6 foi determinado porque o número de endereços IPv4 está chegando ao fim. Ele cria endereços 128-bit, quatro vezes maior do que o padrão 32-bit do IPv4, portanto, o número de endereços IP disponíveis será infinitamente maior. Isso irá acomodar todos os smartphones, tablets e outros computadores na rede, mas também a vindoura proliferação de dispositivos conectados à Internet, incluindo refrigeradores, carros e diversos sensores em residências, prédios e redes IP.
Com IPv6, uma empresa pode ter, espontaneamente, mais endereços de internet para usar, mas também, mais para gerenciar, disse Leslie Daigle, diretora de tecnologia de Internet da Internet Society (Isoc), uma organização mundial sem fins lucrativos que certifica padrões técnicos para a Internet.
“O espaço de endereços é tão amplo e os locais tendem a serem maiores do que o necessário”, disse ela. “Por outro lado, isso torna muito mais difícil sondar sua rede inteira porque é um espaço muito maior”.
O volume de endereços IP disponíveis pesa sobre a carga de trabalho do operador de rede porque ele tende a sondar os “espaços escuros” da rede, onde não existem endereços IP assinados. “Gerenciar e garantir que ninguém esteja ocupando seu espaço de endereço será um desafio a mais”, disse Leslie.
A Isoc criou um portal web, o Deploy 360, para compartilhar informações sobre como implantar rede IPv6. No site estão diversos estudos de caso sobre como implantações da nova versão se desenrolaram, incluindo um sobre o projeto na Universidade de Oxford, no Reino Unido. Em um relatório online, Guy Edwards, da Universidade de Oxford, detalhou o plano em cinco etapas para implantação de rede IPv6 junto com a rede IPv4 existente.
Passos
- Primeiro, aconselha Edwards, a organização deve fazer uma auditoria dos dispositivos de rede, identificando todos os roteadores, switches e firewalls na rede, assim como as versões específicas de hardwares e softwares em funcionamento.
- Com a ajuda de fornecedores, o próximo passo é determinar quais dos dispositivos já são compatíveis com IPv6. Ele aconselha, também, que administradores de rede rodem um teste em um dispositivo na nova versão em particular para garantir que o aplicativo de software que vai rodar na rede funciona.
- Depois, de acordo com Edwards, faça uma auditoria dos serviços que rodam na rede, como SMTP para e-mail e DNS para domínios de internet associados e endereços IP únicos. Essa autoria deve identificar quais dos serviços na rede suportam IPv6.
- O próximo passo é criar uma rede IPv6 exclusiva para testes e rodar os mesmos serviços e aplicativos que já rodam na rede IPv4. No ambiente de teste, documente quaisquer diferenças em sintaxe de configuração e comportamento para configurar o serviço em IPv6.
- É necessário escrever um plano detalhado para a implementação da rede IPv6, o mais minuciosamente possível sobre com será todo o processo. O plano deve ser aprovado pelo diretor; e também pode ser supervisionado, para garantir que nada tenha sido ignorado.
- Por fim, escreva uma política formal de endereços de IP para seguir adiante. Essa política também deve ser supervisionada e revisada.
Algumas empresas vão descobrir que as ferramentas de gerenciamento de rede criadas para operar em redes IPv4 podem não funcionar na mesma forma em redes IPv6, disse Jim Frey, diretor de pesquisa de gestão da Enterprise Management Associates.
“Ainda existem alguns desafios sobre como gerenciar esses ambientes mistos. No fundo, em muitos casos, existem diferentes conjuntos de dados no tráfego IPv6 e IPv4.”
Uma ferramenta de monitoramento de rede pode revelar que entre 5% e 10% do tráfego na rede é tráfego IPv6, mas pode não conseguir identificar quais pacotes específicos são IPv6. E algumas ferramentas podem não ter atualização para suportar IPv6.
“Ainda é um trabalho em progresso para ganhar visibilidade consistente em ambientes mistos”, disse Frey. Variáveis como as citadas por Frey ilustram a necessidade de um plano de implantação bem pensado e bem executado, disse Daigle, da Isoc.
“Qualquer operador de rede corporativa sabe que quando alguma coisa é realizada com pressa, acaba saindo caro”, disse ela.
O terceiro segmento desta série – que primeiro analisou como redes diferentes têm necessidades IPv6 diferentes – vai examinar como lidar com compliance e segurança em um projeto de IPv6.
Tradução: Rheni Victório, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini
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