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Escassez feminina no mercado de TI não é só desafio: é oportunidade

Mesmo carente de mão de obra, este mercado ainda apresenta-se pouco aberto ao público feminino. Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, só 20% dos profissionais que atuam no mercado de TI são mulheres.

A escassez, contudo, não é exclusividade nacional. Censo feito pelo governo norte-americano mostra que por lá apenas 25% das vagas do segmento são ocupadas por mulheres, que ganham em média 10 mil dólares a menos que homens em cargos semelhantes.

Para Simone Kosmalski, conselheira do Sindicato das Empresas de Informática do Rio Grande do Sul (SEPRORGS) e diretora da Target Trust, empresa especializada em RH, cursos e treinamentos na área de TI, o cenário é, sim, de escassez feminina nos cargos de tecnologia, mas também de oportunidade.

“Temos verificado no mercado várias companhias procurando especificamente mulheres para diversos cargos na TI, principalmente por várias características comuns às mulheres, como atenção aos detalhes, criatividade, empatia, solução de problemas e tantas outras”, comenta Simone.

A gestora afirma que, particularmente, não sofreu preconceito ao longo dos mais de 20 anos de carreira em TI. “Onde trabalhei como desenvolvedora e analista de sistemas, tínhamos os salários equiparados. Acho que com o crescimento da mulher no mercado de trabalho a tendência é estas diferenças diminuírem. Vamos torcer”, projeta.

A restrição da TI às mulheres fica visível também em alguns dos rankings mais populares do mercado: conforme o S&P 100, lista das maiores empresas do mundo compilada pela agência de risco Standard & Poor’s, 20% delas têm, ao menos, uma diretora. O número cai para 10% no ranking do Vale do Silício, palco norte-americano da Tecnologia.

Vamos a exemplos. Entre as gigantes do setor, o Google, a Apple e o Twitter empatam em 30% no percentual de mulheres entre seus funcionários. O Facebook tem um pouquinho a mais, batendo em 31%.

Já um relatório da Harvard Business School mostra que só 10% dos aportes financeiros são feitos em startups comandadas por mulheres.

Qual a causa disso, afinal? A educação, com certeza, não é. Segundo o IBGE, as profissionais de TI do sexo feminino têm grau de instrução mais elevado do que os homens do setor no Brasil. Mas, mesmo assim, ganham 34% menos do que eles.

Dias melhores virão?

Por mais difícil que pareça, o cenário deve apresentar melhoras – ainda que no longo prazo. O estudo CEO Gender Gap Analysis of the S&P Euro 350 and S&P 500, realizado pela S&P Global Market Intelligence, mostra que um dos efeitos da atual chamada “transformação digital” irá minimizar as diferenças de gênero no setor, com a força especial de segmentos como as mídias sociais e startups.

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