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Empresas desejam inovar, mas seus processos e culturas ainda são analógicos

Dados de mercado indicam que as 1 mil maiores empresas públicas do mundo direcionaram cerca de US$ 650 bilhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) só em 2014, crescimento de 6% ao ano nos últimos cinco anos. Mas, de acordo com pesquisa realizada pela Accenture, embora 63% dessas empresas tenham um diretor e/ou uma área de inovação, 26% ainda não possuem um sistema formal de inovação.

Qual o motivo desse descompasso? No mundo digital, a inovação das companhias está presa no formato analógico, organizada em silos, desenvolvida de dentro para fora e focada em produtos e serviços legados. Para quebrar essa cultura, empresas precisam adotar capacidades de startup ou estarão fadadas ao fracasso.

“Hoje, o acesso à inovação está mais facilitado do que antes. Mas o que acontece é que as companhias têm modus operandi do passado, atuam na cultura do não e da punição ao erro. Do outro lado, estão as startups, que têm uma velocidade incrível para inovar. Elas têm a ideia de manhã e a colocam para funcionar no final do dia. A pressão das empresas é conseguir fazer isso. Mas como inovar assumindo que há um legado?”, reflete Paulo Roberto Ossamu, diretor-executivo de estratégia de tecnologia da Accenture.

Segundo ele, que cita relatório recente da Accenture batizado de Incubator or Respirator? Why you Need to Change the Way you Innovate. Now., o mercado está encontrando formas de inovar para competir e adotar capacidades dinâmicas e abertas de incubadoras de startups. 

Uma das maneiras, contou em conversa com o IT Forum 365, é comprar uma startup para levar sua cultura para dentro de casa mais rapidamente. “Mas essa estratégia gera desafios, porque pode matar a empresa comprada, já que alguns negócios têm um sistema imunológico natural de matar a inovação”, observa, emendando na segunda opção de criar programas para estabelecer parcerias com startups e acelerar iniciativas. 

O segredo nesse contexto, afirma o executivo, é ter um olhar holístico sobre a inovação, uma estratégia integrada. “Nesse cenário, também surge o desafio de mudar pessoas”, observa. Isso porque, prossegue, o novo, em linha com a cultura das startups, demanda agilidade também por parte das pessoas e nem todas estão preparadas. “Elas precisam entender que não consumirão mais meses e anos em um projeto, mas, sim, dias”, reforça Ossamu.

O executivo relata que ao absorver a cultura das startups, é possível colher benefícios nos curto, médio e longo prazos. No curto, pode-se olhar para onde o mercado de startups está indo e aprender com elas. No médio prazo, é possível transformar a empresa e no longo conviver com o trabalho de diferentes velocidades. 

No Brasil, acredita o executivo, a demanda digital, que está chegando com força total, vai acelerar a cultura de startups. “Empresas estão percebendo esse momento como oportunidade e querem aproveitar”, revela. 

Por que muitas empresas falham?
O relatório da Accenture sobre inovação indica que muitas empresas estão falhando em suas estratégias de inovação por um motivo simples. Embora elas tenham diferentes graus de consciência do que podem fazer para desenvolver capacidades de incubadoras, elas subestimam a magnitude da mudança.

Ser um incubadora as a service – termo que a Accenture usa para definir a criação de capacidade interna que alimenta novos negócios em toda a organização – não é apenas sobre o lançamento de uma atividade, processo, ou departamento. “Ela implica em agregar nova disciplina, um novo DNA e uma nova mentalidade que deve ser espalhada em toda a empresa”, ensina.

De acordo com Ossamu,  adotar a postura de incubadora as a service fortalece a capacidade de a empresa identificar novas oportunidades que levem ao crescimento e à inovação e cria a agilidade necessária para concorrer na Era Digital.

Como mudar?
Ossamu indica que grandes empresas devem abandonar, pouco a pouco, seus métodos tradicionais e se comportarem como uma startup. Mas de que forma? A Accenture indica quatro caminhos:

1. Adotando uma abordagem incubador as a service que gere ações disruptivas
2. Adquirindo capacidades para acelerar a inovação
3. Adotando uma cultura de experimentação, aprendendo com falhas esperadas e não as punindo
4. Criando uma cultura “de fora para dentro” que abrace a transformação

Para levar o conceito de incubadora como serviço para a companhia, a recomendação da Accenture é alinhar a estratégia de negócios à de incubação; posicionar a iniciativa no nível apropriado na empresa; adaptar novas capacidades ágeis para gerir a inovação; desenvolver um ecossistema com parceiros adequados; e, por fim, incubar a cultura da inovação.

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