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Empresas confiam muito em consultores, diz especialista

Como especialista em segurança de redes, Laura Chappell é contratada por empresas e governos do mundo todo para descobrir todo tipo de operações ilegais realizadas via internet. Varre toda a rede em questão com as ferramentas que carrega em seu notebook e tem acesso a informações confidenciais. Na maior parte das vezes, as empresas não pedem para checar meu equipamento e verificar se ela está levando dados estratégicos para fora nem solicitam a assinatura de um termo de confidencialidade. “É impressionante, eles simplesmente confiam em mim, e não deveriam”, alerta.

Laura também critica as empresas que, quando têm algum problema de segurança, simplesmente reiniciam o sistema. Esta manipulação invalida o sistema como prova, se estiver ocorrendo atividades ilegais. “É como se alguém entrasse na cena de um assassinato, limpasse o sangue e mexesse na arma”, compara a consultora, mencinando que, nos EUA, a Justiça solicita não só a máquina que registrou a ação, mas também uma cópia desta máquina.

A especialista esteve no Brasil na última semana a convite da Faculdades de Engenharia e Computação e Informática da FAAP para um seminário e um workshop. E percebeu que o maior interesse dos alunos está na forense computacional e de redes. “As pessoas ainda associam investigação computacional com as máquinas, não sabem que é possível fazer levantamento do tráfego da rede”, comenta.

A carreira de Laura começou quando ela ainda tinha cerca de 16 anos e trabalhava como caixa em um banco. Como responsável pelas compensações de cheques, ela lidava com as senhas de todos os clientes. “Logo percebi que as senhas tinham um padrão e pensei que se eu havia notado aquilo, outras pessoas também poderiam, o que era uma ameaça à instituição”, lembra ela.

Preocupada, Laura redigiu um documento (“coloquei até uma capa bonitinha”) e entregou para sua chefe (“Shirley era seu nome, nunca vou me esquecer”). Logo, foi chamada para comparecer até a central e acreditou que tratava-se de um aumento. “Eles me despediram! Fiquei chocada, porque achei que estava fazendo algo legal para a empresa.”

Em seguida, utilizou o dinheiro que seria para custear toda a faculdade na abertura de um pequeno escritório de digitação de documentos. Mais ou menos na mesma época, a IBM lançaria seu primeiro PC e Laura, que já era apaixonada por máquinas, acreditou que seria uma boa idéia se seus clientes utilizassem o equipamento para a digitalização de documentos. “Quase matei o meu negócio, ainda bem que ele foi comprado por um banco”, ri.

Embora sua carreira tenha iniciado um pouco atrapalhada, Laura Chappell hoje presta serviços em locais tão diversos como Austrália, Suiça, Hong Kong e Macau. Viaja uma semana sim, outra não. Do Brasil, ia para um evento em Barcelona (Espanha) e já emendava com outro seminário em Lisboa (Portugal). “Já tenho 175 mil milhas acumuladas em uma única companhia aérea. Mas é bom, porque no Natal presenteio minha família inteira com passagens”, diz ela, despertando gargalhada na sala toda.

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