Notícias

Em um ano, volume de ransomware cai, mas ataques estão mais direcionados

Ao longo dos últimos anos, ataques do tipo ransomware têm dominado o noticiário de cibersegurança ao redor do mundo. Incidentes de sequestro de dados através do uso desta modalidade de ataque têm sido frequentes e causado prejuízos milionários. Dados da empresa de cibersegurança Kaspersky, no entanto, revelam não um aumento, mas uma redução destes ataques em 2021 na América Latina.

Segundo a companhia, em 2020, foram bloqueados 2.968.473 ataques de ransomware na América Latina, entre janeiro e agosto. O resultado equivale a uma média de 515 tentativas por hora. Já nos oito primeiros meses de 2021, foram registrados 1.307.481 bloqueios. A média é de 227 tentativas de ataque por hora. Na comparação entre 2020 e 2021, há uma queda de 56% na atividade de ransomware na região.

A redução, no entanto, não é necessariamente um bom sinal. Conforme destacam especialistas da companhia, o fenômeno já era esperado e sinaliza um “amadurecimento” dos ataques do tipo ransomware. Em 2017, quando o WannaCry explodiu pela primeira vez, sua característica principal era atingir empresas de forma massiva, buscando aquelas com sistemas não atualizados. Hoje, ataques são “direcionados”, feitos sobre medida para vítimas escolhidas pelos atacantes.

Leia mais: China torna ilegais todas as atividades com criptomoedas

“No início, apenas certos indivíduos e alguns setores eram atacados. Já há algum tempo, percebemos que qualquer empresa ou usuário individual pode ser alvo de um ataque de ransomware”, explica Marc Rivero López, pesquisador sênior de segurança da Kaspersky GReAT. “Isso significa que estão conseguindo monetizar de forma muito rentável esses ataques e que existem grandes quantidades de vítimas que estão pagando por esse tipo de resgate”.

Entre os países com mais detecções da região, o Brasil segue sendo o líder: mais da metade (64%) das tentativas de ataque detectadas pela empresa estão aqui. Em seguida, estão México (10%), Equador (5%), Colômbia (4%), Peru (3%), Guatemala (3%), Chile (2%) e Argentina (1%).

Apesar da redução, há países também que estão na contramão da tendência, e apresentaram crescimento nos ataques de ransomware neste ano. Estes incluem a Guatemala, que registrou um crescimento de 963%, República Dominicana (+461%), Colômbia (+316%), Argentina (+20%) e Panamá (+9%).

Para Dmitry Bestuzhev, diretor da Equipe de Pesquisa e Análise da Kaspersky na América Latina, o fenômeno é explicado pela própria natureza dos ataques dirigidos, que podem chegar a qualquer organização e não dependem mais de alcance geográfico.

Uma estratégia proativa

Para enfrentar o atual cenário de ameaças de cibersegurança, a Kaspersky destaca a necessidade de uma abordagem proativa por parte de empresas. “Planejar uma estratégia sai muito mais barato do que ter um plano obsoleto, baseado em experiências ou em incidentes passados”, afirma Claudio Martinelli, diretor geral da Kaspersky para América Latina e Caribe.

Para isso, é necessário que organizações façam uma avaliação prévia dos principais riscos de seus sistemas para elaboração de uma estratégia. Nesta fase, o executivo diz, fatores como a atualização de sistemas corporativos e das ferramentas devem ser verificados e corrigidos. E-mail, sites de terceiros, portas abertas e expostas, vulnerabilidades de softwares, principalmente nas tecnologias de conexão remota (RDP) e de VPN, pontua a Kaspersky, são os principais vetores de ataque.

Olhar para concorrentes e outras empresas similares também é importante para a promoção de boas práticas de segurança. “Os criminosos, como sabemos, copiam a mesma estratégia com empresas diferentes para ter um retorno maior sobre o investimento que fazem em suas ferramentas e táticas”, pontua Martinelli.

Leia também: Startups de segurança brasileiras captaram US$ 282 mi em dois anos

É essencial ainda a capacitação de todos os membros da companhia em competências de cibersegurança. Conforme explicou o diretor da Kaspersky, a estrutura de proteção de uma empresa só é tão forte quanto seu elo mais frágil. O investimento em capacitação deve ser constante e atingir todos os departamentos.

“Os cibercriminosos não vão procurar o especialista de TI, vão procurar cada uma das áreas que estão distantes da área de TI. Ou mesmo na cadeia de serviços de sua corporação e está conectado aos seus sistemas”, avalia.

Quando falamos de ransomware, a empresa de cibersegurança destaca também que é preciso que as companhias dificultem as “movimentações laterais” em seus sistemas. A importância disso se dá uma vez que, quando conseguem acessar a rede corporativa, o objetivo de criminosos é sempre ampliar o acesso aos sistemas corporativos e adquirir privilégios de administrador.

Para dificultar a evolução deste ataque, é recomendado que as empresas fiquem atentas ao “pacientes zero” de ataques, usando tokens como segundo fator de autenticação e desabilitem o uso do Power Shell para usuários que não precisam desta tecnologia, por exemplo.

Recent Posts

Movida lança agente de IA no WhatsApp em parceria com a Meta e aposta em nova experiência de locação

A plataforma de locação de automóveis Movida lançou um agente de inteligência artificial integrado ao…

2 dias ago

Oracle nomeia Marcelle Paiva como nova VP de vendas, Data&AI Hub na América Latina

A Oracle anunciou Marcelle Paiva como nova vice-presidente de vendas, Go-to-Market (GTM) e ecossistema para…

2 dias ago

Mercado de IPOs de tecnologia ganha força com avanço da IA

O mercado de ofertas públicas iniciais voltou a ganhar tração em 2026, impulsionado principalmente pelo…

2 dias ago

Oracle adiciona US$ 85 bilhões em contratos de IA e encerra trimestre com carteira recorde de US$ 638 bilhões

A Oracle encerrou o quarto trimestre e o ano fiscal de 2026 com resultados recordes,…

2 dias ago

Disputa entre Anthropic e OpenAI expõe divergências sobre o futuro da inteligência artificial

A disputa entre Anthropic e OpenAI ganhou novos contornos e se tornou um dos principais…

2 dias ago

Marketing B2B precisa se reorganizar para atender compradores mais autônomos, diz Forrester

As áreas de marketing B2B precisam rever sua estrutura operacional para acompanhar a transformação do…

2 dias ago