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Em decisão inédita, IBM decide deixar mercado de reconhecimento facial

A IBM anunciou na última segunda-feira (8), em carta assinada pelo CEO Arvind Krishna, que não trabalhará mais com soluções do mercado de reconhecimento facial. Segundo fontes próximas ao assunto citadas em reportagem do Axios, a decisão já havia sido tomada há meses, e a companhia vinha se preparando para realizar o anúncio. Entretanto, não há como não conectar a notícia com a onda de protestos antirracistas que tomaram as ruas dos Estados Unidos e cobram por justiça pelo assassinato de George Floyd, ex-segurança negro morto por um policial branco no dia 25 de maio, em Mineápolis.

No documento publicado no site da IBM, a gigante de tecnologia informa que “se opõe e não tolerará o uso de nenhuma tecnologia, incluindo a tecnologia de reconhecimento facial oferecida por outros fornecedores, para vigilância em massa, perfil racial, violações dos direitos e liberdades humanos básicos ou qualquer finalidade que não seja consistente com nossos valores e Princípios de Confiança e Transparência.”

Na carta, a IBM chega a endereçar o momento, afirmando em um trecho: “Acreditamos que agora é a hora de iniciar um diálogo nacional sobre se e como a tecnologia de reconhecimento facial deve ser empregada pelas agências policiais nacionais.”

Krishna chega a sugerir no texto que o Governo realize a implementação da tecnologia de inteligência artificial para auxiliar na ação da polícia e segurança dos cidadãos. Porém, reitera o fato de que ainda é necessário um grande esforço das empresas de tecnologia e clientes para criar algoritmos que não tenham vieses. Lembrando que, em muitos casos, esse viés aponta justamente para populações que já sofrem por conta de pré-conceitos, como negros e árabes.

O CEO também aponta que “a política nacional também deve incentivar e avançar o uso de tecnologia que traga maior transparência e responsabilidade ao policiamento, como câmeras corporais e técnicas modernas de análise de dados”. O executivo sugere que o Congresso passe a apresentar e punir mais casos de má-conduta policial, além de estabelecer uma base de dados federal listando policiais infratores e revisar políticas de uso de força, para que os cidadãos sintam-se mais seguros para denunciar más-práticas e que os representantes não irão agir de forma excessiva durante uma abordagem.

À CNBC, uma fonte revelou que o negócio de reconhecimento facial não gerava uma receita significante para a IBM e que a decisão levou em conta tanto o fator ético como a questão de negócios, já que até mesmo funcionários da companhia expressaram preocupações às lideranças sobre as aplicações e consequências da tecnologia.

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