E daí? Que que tem? Qual o problema? Que mal faz?

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11:11 am - 18 de setembro de 2011

Uma reflexão

Para começar convém declarar que não pretendo passar por paladino da justiça e da honestidade, cidadão impoluto, virgem no prostíbulo. Também eu, confesso, já dei minhas pisadas na bola e andei me enquadrando em um ou outro dos comportamentos da longa lista de corrupção no varejo. Não sou isento de jaça, não quero me fazer passar por paradigma da virtude e faço questão de deixar isto bem claro. Porque se há um tipo que desprezo é o do falso moralista e, segundo meu critério, das qualidades humanas mais detestáveis, logo depois da estupidez, vem a hipocrisia.

Mas não posso me furtar a convocá-los a uma reflexão.

Será que esta pequena corrupção do varejo é menos condenável que a do governador que apareceu na televisão embolsando pacotes de dinheiro? Será menos prejudicial que a do capanga do deputado que levava dinheiro na cueca? Será mais moralmente aceitável que a do policial que libera o meliante em troca de “algum” ? Será que a corrupção do “E daí?”, do “O que que tem?”, do “Que mal faz?”, do “Qual o problema” deixa de ser condenável apenas porque se tornou difusa tão grande foi a adesão a ela? Será que a alegação do “todo mundo faz” coonesta estes comportamentos? Ou eles continuam sendo exemplos de corrupção ? só que pequena?

Veja bem: não é que eu seja a favor da outra, da grande que vira manchete, da do juiz Lalau, da do ministro tal e qual, da do nobre deputado e do não menos nobre senador, da do doutor delegado ou do excelentíssimo isso ou aquilo que “deu” no jornal nacional. Sou contra. Veementemente contra. Fervorosamente contra. Enfaticamente contra.

Mas antes de aderir a uma campanha contra ela, pretendo fazer ? e aconselho a quem teve a paciência de chegar até aqui nestas mal traçadas que também o faça ? um exame de consciência para avaliar quais das pequenas corrupções acima catalogadas pratico ou pratiquei. E, das que constatar, fazer uma promessa a mim mesmo de evitar a reincidência.

Do contrário não vai dar para aderir.

Senão vou acabar me sentindo, além de corrupto, hipócrita.

B. Piropo

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