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E daí? Que que tem? Qual o problema? Que mal faz?

E o povo? Como se comporta?

Bem, antes de tudo convém lembrar que toda generalização é no mínimo perigosa, quando não preconceituosa. Afirmações como “o português é inteligente”, “o francês é asseado”, “o judeu é perdulário”, “o baiano é diligente” ou “o pelotense é mucho macho”, por genéricas, nem sempre são verdadeiras. Certamente haverá exceções e, eventualmente, em tal quantidade que se podem se mostrar mais numerosas que as citadas como regra. Portanto não cairei na armadilha de escrever que “o brasileiro é…” isso ou aquilo. Em vez disto me limitarei a citar certos comportamentos que tenho testemunhado com alguma frequência entre meus concidadãos. Comportamentos que talvez se manifestem em outros países e outras culturas mas que eu, que tenho viajado bastante por este mundão velho sem porteira, ainda não consegui identificá-los em outras plagas ? pelo menos não com a mesma frequência ou intensidade com que os percebo por aqui. Comportamentos que citarei abaixo, a maior parte deles colhidos em uma mensagem que circula pela Internet sem autor declarado, destas que as pessoas costumam encaminhar aos amigos. Eu a recebi de minha amiga Sueli Catão, que a recebeu de um amigo que a recebeu de outro e assim por diante e, por não saber a quem creditá-la, agradeço à Sueli por me a haver enviado e, sobretudo, a seu autor, seja ele quem for, por havê-la concebido. Mas, para não levar a pecha de roubar dados sem citar a fonte ? um dos comportamentos a serem anexados à lista ? deixo claro que sua autoria não é minha.

Talvez você considere que tais comportamentos não configuram corrupção pelo fato de nem sempre envolverem desvio de dinheiro ou bens materiais. Se é assim, convém atentar para o que o Houaiss define como “Corrupção“. Lá está, entre outras acepções: “substantivo feminino – depravação de hábitos, costumes etc.; deterioração, decomposição física, orgânica de algo“. E este “algo” pode perfeitamente representar os valores morais de uma sociedade. Então vamos ser claros: todos eles são, sim, manifestações claras de corrupção. Quem quiser amenizar um pouco chame-os de corrupção no varejo. Mas corrupção.

O fato de serem tão comuns entre nós não implica que o afável leitor ou a mimosa leitora os pratique e nem eu estou sugerindo que seja este o caso. Mas pense um pouco e provavelmente identificará alguém que é dado à prática de um ou outro deles sem que isto o leve a se considerar corrupto. Pelo contrário, crê que são perfeitamente justificáveis e continua se achando um cidadão exemplar, pronto a se envolver de corpo e alma nas campanhas contra tudo aquilo que está errado (desde que praticado pelos outros) e pró moralidade pública e privada.

E já que falamos em privada, vamos a eles. Mas, antes, uma observação. O fato de serem tão comuns e difusos em nossa sociedade e, algumas vezes, habitualmente praticados por pessoas tidas como cidadãos exemplares, indica que muitos deles já se integraram a nossos usos e costumes, perdendo seu caráter reprovável. Quase todos são justificados com uma das indagações “qual o problema?” (que um ministro use como meio de transporte o avião de uma indústria cujos produtos são licenciados por seu ministério), “o que que tem?” (que um parlamentar receba uma polpuda contribuição para sua campanha de uma prestadora de serviços de telecomunicações quando a lei que regula o assunto está prestes a entrar em discussão no congresso), “e daí?” (que a mulher ou amante ou filha ou genro ? escolha ? de uma autoridade pública trabalhe no gabinete de um colega, recebendo salário dos cofres públicos, quando por coincidência a mulher, ou amante, ou filha, ou genro ? escolha ? do colega trabalha nas mesmas condições no gabinete do primeiro). “Que mal faz?” (que a magnífica reforma do apartamento do não menos magnífico reitor seja paga pela verba da universidade destinada ao ensino). Indagações que fazem crer que quem os pratica considera que, por não serem explicitamente ilegais, os comportamentos são tidos como corretos.

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