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Diversidade vai muito além de contratação – é preciso acolher as minorias

Incentivar a diversidade vai muito além apenas de contratar mulheres, negros, LGBTQI+ ou deficientes. O primeiro passo para que as pessoas se sintam, de fato, acolhidas é escutar esse público e entender o que é realmente é importante. Essa é a opinião de Victória Dandara, co-fundadora e coordenadora do Núcleo Trans e Travesti Jovanna Baby SP, uma das convidadas do evento Scale-up Nights, realizado pela Linte.

“Você escutará e entenderá as necessidades no processo seletivo, no on-boarding e em toda a jornada dessa pessoa na empresa. Isso está nas conversas descontraídas, nas discussões e naquilo que ela se identifica. É preciso dar espaço em trabalho mais complexos e que deem mais visibilidade. Não é simplesmente jogá-las nesses espaços, é formá-las e ter um plano de carreira direcionado para esse público”, frisa.

Para que isso aconteça, complementa Ana Pellegrini, vice-presidente jurídica e head de diversidade do QuintoAndar, “a interseccionalidade é muito importante no contexto da diversidade. É imprescindível o trabalho das empresas nesse sentido, trabalhando sinergias e convergências entre todos os grupos”.

Segundo a especialista, o lugar de fala é um elemento importantíssimo e deve ser respeitado e o papel daqueles que não pertencem ao grupo minorizado é como aliado. A interseccionalidade é essencial para que haja essa troca e, consequentemente, a empresa tem muito mais resultados.

Além disso, “a liderança é, muitas vezes, quem causa mais impacto na percepção de pertencimento das pessoas. Entender bem o que significa inclusão e diversidade é uma competência importante para gestores”, diz Daniel Arbix, diretor jurídico do Google.

Victória concorda sobre a importância da liderança para essa mudança. De acordo com ela, a sensibilização principal tem que vir de cima, senão não é possível endereçar questões que acontecem. Não é ter apenas comprometimento, mas comprometimento de voz ativa.

“A falta de estudos sobre o assunto faz com que muitas empresas tenham boa intenção, mas ações sem resultados. Acaba sendo uma política muito mais para dizer que tem uma trans do que realmente um projeto com relevância social”, alerta.

Por outro lado, uma das ações mais efetivas e que não requer muito budget, de acordo com Ana, é entender o quão diversa a companhia é. A partir desse mapeamento, é possível ver onde estão as falhas e fazer uma análise não somente de números, mas nos níveis de carreira e se há representatividade em todas as áreas.

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