Digitalizar a empresa não é ser digital, diz futurista

O tema transformação digital faz parte da pauta de praticamente todas as reuniões que envolvem tecnologia e negócios. Afinal, vivemos o momento de busca incessante por inovações e processos tecnológicos que melhorem itens como eficiência, produtividade, qualidade de serviços, entre outros. Mas será que as organizações estão seguindo o caminho certo rumo à era digital?

O futurista Tiago Mattos levou uma provocação ao Ciab Febraban que pode ter aumentado ainda mais essa dúvida na cabeça dos líderes das companhias. “Existe uma grande diferença entre uma empresa ser digitalizada e ser digital. A maioria está se digitalizando, mas não é digital”, comentou durante sua apresentação no evento.

Mattos propôs dois “testes de conhecimento” para a plateia que comprovam sua tese. Foram apresentadas duas listas com nomes de empresas para saber quantas eram conhecidas pelo público. Na primeira, nomes como Coca-Cola, GM, Ford, Xerox, Mastecard e Visa. De conhecimento de todos. Na segunda tela, a lista tinha Github, Splunk, Gustin, Enevo e outras nessa linha. Praticamente ninguém conhecia.

Esse resultado levou a outra questão apontada por Mattos. “Quem nos inspira? Se nos inspirarmos nos livros, cases, palestras e líderes da economia tradicional (primeira lista), vamos replicar sempre o modelo tradicional. Mas se nos inspirarmos na nova economia (segunda lista), talvez faremos coisas novas.”

Economia clássica vs nova economia
Mattos, que também é publicitário, autor e professor, apresentou as características de cada tipo de economia. A clássica, segundo ele, se caracteriza por uma empresa com estrutura com alta cúpula, gerenciamento médio e, na ponta de baixo, a força de trabalho.

Já as empresas na nova economia têm uma alta cúpula infinitamente menor, gerenciamento médio radicalmente automatizado e a força de trabalho está fora da empresa.

O especialista afirma que existem muitos modelos para a transição dessa forma tradicional (ou industrial) para o digital, mas todas essas fórmulas mágicas precisam de um item: mudança de mindset.

Modelo industrial
Para o futurista, a origem desse modelo tradicional vem da forma como o mundo é educado, que visa preparar pessoas para o mundo industrial, classificado por ele como linear, segmentado, repetitivo e previsível. “Por isso somos apenas digitalizados, porque a lógica sempre será industrial.”

A origem dessa mentalidade toda? Escolas. “Invetaram um negócio chamado escola para ensinar uma pessoa para trabalhar no chão de fábrica. A escola é um prédio para reproduzir uma fábrica. Vestimos uniforme, há horário para entrar – e com um apito para ficar mais explícito -, entram em uma sala de aula (como departamentos de empresas), tem um supervisor (professor), fica enfilerado em várias linhas e as áreas são completamente desconectadas (como departamentos de linhas de montagens que não se conversam entre si). E, no final, bate um sino e todos saem felizes para curtir a vida. Faz isso durante 13 anos e você terá qualquer pessoa pronta para trabalhar em uma fábrica”, disparou.

Como é o mundo de 2017 para ele? O contrário do que o citado acima. “O mundo agora é não linear, conectado, multidisciplinar e exponencialmente imprevisível.”

Para onde ir?
Mattos diz que o foco precisa ser dar alta prioridade para a mudança do mindet para um modelo verdadeiramente digital. “Se continuarmos nos inspirando na economia clássica, seremos empresas de 1780. Se apenas digitalizarmos o industrial, ainda seremos industriais. É preciso ‘trocar o software’. E não é fácil, pois se fosse, todo mundo estaria fazendo. Mas uma dica é apenas fazer e não planejar demais. Quem planeja muita não faz nada – fica apenas planejando e não faz”, completou.

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