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DevOps na prática dentro das empresas brasileiras

Em um cenário cada vez mais adverso e com transformações mais velozes e profundas, o desafio para TI é desenvolver, com sucesso, projetos de alta complexidade que impactem diretamente no negócio. Para conseguir fazer essas entregas, é fundamental adotar metodologias disruptivas que facilitem a integração das áreas e ofereçam soluções adequadas aos desafios do futuro. Junto a isso, não adianta só querer inovar, é preciso criar um ambiente favorável à inovação, com menos processos e mais protagonismo e poder de decisão aos colaboradores.

 

Para atingir esses objetivos, muito além de uma metodologia de trabalho como o Agile, DevOps é uma cultura que tem foco na entrega veloz e interativa de software de alta qualidade. Isso é possível unindo duas áreas distintas dentro das empresas: Desenvolvimento de Software (Development) e Operações de Software (Operations). Unir Desenvolvimento e Operações em uma mesma equipe significa quebrar o mindset tradicional, deixar o ego de lado, impulsionar a colaboração em prol de um objetivo único: o sucesso do projeto.

 

Em resumo, DevOps é uma filosofia organizacional cada vez mais popular que aumenta a colaboração entre a equipe de desenvolvimento e de operações, com novos recursos de software incrementados a cada poucos dias ou semanas, em vez de desencadeadas como enormes atualizações. Isso torna o desenvolvimento mais ágil e reduz o conflito interno.

 

Esta é uma solução que pode proporcionar mais dinamismo às empresas que possuem um ambiente mais engessado e burocrático, aumentando a eficiência e diminuindo os riscos. Um dos motivos é que as empresas podem facilitar a transmissão de conhecimento e experiências entre as áreas, implementar novas versões de softwares de forma ágil e contínua e ainda oferecer feedback frequente às equipes sobre o status do projeto.

 

Ao encurtar a distância entre as equipes, a prática proporciona a otimização da produção e diminui o tempo de entrega dos produtos ou serviços. Uma startup, normalmente, é o ambiente ideal para se implantar o DevOps, isso porque a burocracia existente em grandes empresas pode representar um entrave, especialmente em organizações de TI que estão maduras, e muito hierarquizadas.

 

Apesar de oferecer muitas vantagens para o setor de TI e o negócio como um todo, será que as organizações já estão colocando essa teoria em prática? Qual o nível de adoção de DevOps no Brasil? A pesquisa “As 100+ Inovadoras no Uso de TI”, de 2018, indica que a maioria das companhias já implementou o DevOps, mesmo que não seja totalmente automatizado e escalável. Isso indica que as empresas estão se adaptando a essa maneira integrada de se trabalhar.

No entanto, apenas 10,5% das empresas consideram a utilização de DevOps efetiva, automatizada e escalável atualmente. Isso significa que, apesar de conhecida e até aplicada na maioria das corporações analisadas, ainda há muito espaço para que essa cultura cresça e amadureça dentro das companhias no Brasil. Entenda melhor o cenário no gráfico:

 

 

 

Cultura e transformação digital

 

A mudança de cultura é imprescindível para que a adoção de DevOps seja bem-sucedida. A responsabilidade pela entrega é compartilhada entre todos os integrantes da equipe e automatiza-se tudo que é possível (testes, entregas, entre outros processos). É necessário documentar e monitorar os problemas para que os erros não se repitam e as soluções sejam democratizadas.

 

Dentro deste cenário de montagem das equipes, um dos erros que pode ser cometido pelos gestores e profissionais de recursos humanos é designar o termo DevOps para um profissional específico. Cultura DevOps implica em características que um time todo deve ter, e não uma ou outra pessoa específica. Assim, ao formar um time deste tipo, a busca deve ser por pessoas capazes de, juntas, serem responsáveis pelas entregas conforme os conceitos já citados.

 

Por outro lado, profissionais com o título DevOps estão entre os mais procurados do mercado atualmente. O relatório “The 33 most recruited jobs”, do LinkedIn, coloca DevOps Engineer em primeiríssimo lugar da última lista dos empregos mais procurados, de 2018. O próprio material pondera que muitos engenheiros argumentam que DevOps é muito mais uma cultura do que um único trabalho e, como o título é novo e um pouco nebuloso, o papel exato do profissional ainda pode diferir de empresa para empresa.

 

Além de entender que DevOps vai muito além de um título de vaga, também é importante ter em mente a necessidade de priorizar a formação de times multidisciplinares, tanto dentro de desenvolvimento quanto na área de operações. Quando falamos de um modelo de trabalho integrado e colaborativo, especialmente na área da tecnologia, profissionais que não mais se restrinjam a um campo de atuação são fundamentais. Por isso, uma dica importante aos profissionais que querem participar de projetos deste tipo: a flexibilidade é um grande diferencial. As pessoas devem estar prontas para cometer alguns erros no meio do processo, e lidar bem com isso.

 

Com o advento do DevOps e a construção das equipes corretas, além de ampliar exponencialmente sua capacidade de entrega, as companhias tendem a acelerar desenvolvimento de projetos que envolvem novas tecnologias. Isso torna a cultura DevOps crítica para o sucesso dos processos de Transformação Digital nas organizações.

 

Segundo dados da IDC, até 2024, 60% das empresas terão adotado Machine Learnig/AI Analytics para DevOps, acelerando a entrega de software e melhorando a qualidade, segurança e compliance. Na chamada Worldwide CIO Agenda 2019 o IDC revelou também que, até 2021, 65% dos CIOs vão expandir as práticas Agile/DevOps para atingir a velocidade necessária para inovação e mudança.

 

Em resumo, implementar a cultura DevOps significa fixar uma nova mentalidade na empresa que leva ao aumento da colaboração, proporcionando maior potencial de desenvolvimento e utilização de novas tecnologias. E tudo isso impacta diretamente na área de negócios.

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