Desculpe, mas não pirateio.

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7:17 pm - 25 de setembro de 2011

Dá para viver sem piratear?

Hoje, pode-se comprar computadores (com sistema operacional instalado), acessórios e periféricos importados por preços acessíveis, mesmo considerando os impostos, que continuam escorchantes. E pode-se comprar software via Internet, em português, diretamente do fabricante, sem impostos (sim, é legal) pelos mesmos preços praticados no mercado internacional. E, na maioria dos casos, são preços bastante razoáveis.

É claro que há os pacotes e, estes, nem sempre são baratos. O MS Office 2010 Professional, por exemplo, está sendo oferecido (acabei de verificar) por R$ 1.399 em uma destas grandes revendas. Um preço salgado. Mas esta mesma revenda oferece a versão “Home and Student” com praticamente tudo o que se usa no dia-a-dia, por R$ 199 à vista ou em doze parcelas de R$ 16,99. Convenhamos: instalar uma versão pirata podendo usar o original por menos de vinte merrecas mensais só se justifica pelo hábito de usar programas pirata. E se porventura alguém alegar que não dispõe nem mesmo dos R$ 16,99 mensais, convém lembrar a existência do OpenOffice, já na versão 3.0, que pode ser obtido em português diretamente do sítio OpenOffice.Org que embora não ofereça todos os recursos disponíveis no MS Office, permite fazer um trabalho perfeitamente satisfatório pela quantia de, exatamente, zero merrecas. De graça. “Na faixa”, como dizem os paulistas.

E quem comprar um computador com a limitadíssima versão Starter de Windows e achar que ela não atende suas necessidades, pode comprar uma versão Home Premium por pouco mais de R$ 266, que também podem ser divididos em doze parcelas de pouco mais de vinte reais. Ou pode usar uma das versões gratuitas de Linux caso seja adepto do software livre. Em suma: só usa sistema operacional pirata quem quer.

Caros, mesmo, só os pacotes profissionais. O soberbo pacote CS5 Design Premium, da Adobe, custa uma pequena fortuna: mais de cinco mil dólares americanos. Mas trata-se de um conjunto extraordinariamente poderoso de aplicativos para uso por profissionais altamente qualificados. Mas o pacote Standard pode ser comprado pela metade deste preço e seu programa principal, também para uso profissional, o Photoshop, custa pouco mais de cem dólares. Isto sem mencionar que, como se trata de um produto para uso profissional, em geral é adquirido por empresas que, também em geral, passam de versão em versão, e o custo da atualização é uma fração do preço do pacote. Mas note que estamos falando de um produto magnífico para uso profissional. Eu posso garantir sua qualidade porque o tenho instalado em minha máquina (e somente posso tê-lo porque tive o privilégio de receber uma cópia de cortesia da Adobe, do contrário teria que recorrer a outros programas para realizar o trabalho que normalmente executo com ele: ilustrações com o Fireworks e Adobe Ilustrator, animações com o Flash e retoques com o Photoshop para minhas colunas e aulas). Mas quem realmente precisa dele, o usa profissionalmente e pagou por ele, há de atestar que a relação custo benefício é compensadora.

Mas são poucos, pouquíssimos, os que efetivamente necessitam de um software de custo tão elevado. Isto porque há dezenas e dezenas de produtos semelhantes que custam uma pequena fração do preço de um Photoshop ? e, naturalmente, oferecem uma pequena fração de seus recursos ? mas nem por isto deixam de prestar um serviço satisfatório para o usuário amador que deseja apenas melhorar o aspecto de suas fotos.

Tudo isto sem falar nas versões gratuitas.

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Por exemplo: de quando em vez eu posto um vídeo para ilustrar minhas colunas. Não sou um profissional do ramo e em geral meus vídeos são de qualidade, no mínimo, duvidosa. Mas seu objetivo não é estético nem artístico, apenas ilustrativo. Por isto tudo o que preciso para editá-los é de um programa que me permita “apará-los”, reduzindo sua duração eliminando trechos desnecessários. Procurei a solução mais simples e mais barata. E encontrei um programeto chamado SolveigMM AVI Trimmer (Veja figura 3) que, como o nome indica, nada mais faz que “aparar” vídeos no formato AVI.

Como pouco faz, pouco exige do usuário: é de uma simplicidade franciscana e de uma eficiência inacreditável. Seu custo é zero. A empresa que o oferece, a Solveig Multimedia, desenvolve produtos mais sofisticados ? e pagos ? para edição de vídeo (os mais caros, Video Splitter e HyperCam, custam menos de trinta euros, um preço bastante razoável). Como tudo o que eu precisava era o Trimmer, gratuito, fácil de usar e eficaz, baixei-o e instalei-o. Se precisasse de mais algum recurso que ele não oferecesse mas que estivesse disponível em um de seus irmãos, teria baixado uma versão de avaliação que, caso efetivamente satisfizesse minhas necessidades, teria sido paga e instalada depois de testada.

É simples assim. E dá menos trabalho que fuçar os sítios “especializados” em fornecerem números de série de produtos em busca de um que me permitisse cometer a ilegalidade de usar o programa sem pagar. Além de mais seguro: grande parte destes sítios oferecem, gratuitamente, junto com o número furtado, um programa mal intencionado que pode acabar dando um prejuízo maior ao usuário “esperto” do que o que ele teria que pagar pelo uso legal do programa.

Eu não sei em que época se deu minha “conversão” (espero que há tempo suficiente para que os crimes de uso ilegal de software cometidos e aqui confessados tenham prescrito). Mas a partir de certo momento abandonei a prática contumaz da ilegalidade de instalar programas pirata e passei a agir exatamente como descrevi acima. Paguei por minha licença do WinZip, apesar de dispor facilmente de um número de série que me permitia instalá-lo gratuita, porém ilegalmente. Como paguei pela versão do Genie Timeline, um excelente gerenciador de cópias de segurança, do RealConverter, um software capaz de converter qualquer formato gráfico em qualquer outro formato gráfico existente, do MVRegClean (pela segunda cópia porque achei justo; a primeira tive o privilégio de ganhar um número de registro de cortesia de seu brilhante programador, Marcos Velasco) e de mais um monte de pequenos utilitários que se aninham no meu disco rígido. Efetuo o pagamento com cartão de crédito ou usando a conta que para isto mantenho no PayPal. Nunca tive o menor problema nem qualquer prejuízo.

É claro que como não me apetece jogar dinheiro fora, tenho também um número razoável de pequenos programas gratuitos. Que nem por isto deixam de cumprir suas funções com brilho e eficácia. Além do SolveigMM já citado, lembro do Core FTP Lite, que uso para uma ou outra transferência rápida de arquivos para os sítios que mantenho na Internet, o ImgBurn, que uso para criar imagens de discos e copiá-las de volta para outro meio suporte, do inexcedível Skype e do mais que excelente ScreenShot Pilot, isto só para mencionar os que uso mais frequentemente. E não sinto a menor necessidade de apelar para qualquer software pirata.

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