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Consumo de serviços digitais aumenta, mas desigualdade atrapalha trabalho e ensino

Apesar do Brasil registrar maior consumo de produtos e serviços digitais durante o período da pandemia, o acesso à internet de qualidade e a dispositivos ainda se mantém desigual, lembrou a 4ª edição do Painel TIC COVID-19, estudo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A pesquisa foi realizada em julho de 2021 e entrevistou 5.552 pessoas com mais de 16 anos.

De acordo com o estudo, no segundo ano da pandemia as atividades online atingiram patamares superiores aos observados no período anterior à crise sanitária. Na visão de Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br|NIC.br, a tendência de digitalização teve continuidade no primeiro semestre de 2021 em atividades de comércio eletrônico e de serviços públicos on-line, o que indica que as transformações verificadas no período podem ter um caráter mais permanente na sociedade.

“Contudo, as disparidades seguem sendo um ponto relevante de atenção para as políticas públicas. Ainda que as classes C, D e E tenham passado a realizar mais atividades pela Internet, isso continua ocorrendo em um patamar inferior ao observado nas classes A e B. Esse quadro ressalta a importância de políticas públicas voltadas para a redução dessas desigualdades”, destaca Barbosa.

Leia também – Estudo: Brasil vive abismo digital que impacta PIB e futuras gerações

Se por um lado, os hábitos de compras on-line foram consolidados em 2021, do outro houve alteração no perfil dos bens e serviços adquiridos. Em 2020, com as medidas de distanciamento social, o uso do comércio eletrônico na compra de itens como medicamentos e comida cresceu em maiores proporções. Em 2021 houve um aumento da compra de bens mais duráveis, como eletrodomésticos, vestuário e equipamentos eletrônicos.

“A cesta de produtos adquiridos on-line ficou mais diversificada, e o caráter emergencial das compras on-line cedeu espaço para tornar-se uma prática cotidiana. A compra de passagens aéreas, que havia se reduzido substancialmente em 2020, por exemplo, retomou níveis semelhantes aos verificados no período pré-pandemia”, indicou Barbosa.

A pesquisa mostrou também que o Pix, lançado em novembro de 2020, não tardou a ganhar popularidade, com 72% dos usuários que compraram pela Internet utilizando essa modalidade para o pagamento digital.

Desigualdades afetam trabalho e educação

A desigualdade no acesso a dispositivos e internet banda larga pode ser mais sentida no trabalho à distância e no ensino remoto. Enquanto entre os usuários das classes AB o principal dispositivo usado para trabalhar remotamente foi o computador, o telefone celular foi o mais adotado nas classes DE. Se os usuários das classes AB compraram um computador durante a pandemia em maior proporção, nas classes C e DE as principais alternativas foram equipamentos emprestados de amigos e familiares ou doados, respectivamente.

A carência de recursos digitais figurou entre os principais aspectos que contribuíram para que os estudantes não conseguissem dar continuidade ao acompanhamento das atividades a distância. Enquanto entre os usuários das classes AB o computador era dispositivo usado com maior frequência para acompanhar as atividades remotas, nas classes DE a maioria dos usuários acompanhou as aulas pelo celular.

“Os dados apresentados pelo Painel TIC COVID-19 são de extrema relevância para entendermos o contexto do uso da Internet pelos brasileiros durante a pandemia. A partir da pesquisa, que reafirma o compromisso do CGI.br para com a sociedade, temos um retrato deste momento que trouxe desafios expressivos para o país, evidenciando a importância das políticas públicas de inclusão digital”, reforça José Gontijo, coordenador do CGI.br.

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