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Como visionários inauguraram uma cultura de inovação na Nasa em 1986

No mundo dos negócios, muitas vezes as pessoas rebeldes são vistas como causadoras de problemas ou como aquelas que precisam entrar na linha e seguir a cultura da organização. Um grupo particular da Nasa, contudo, chama a atenção para o quanto essas “ovelhas negras” podem ser importantes para quebrar paradigmas e renovar as organizações para o futuro.

Um estudo de caso realizado por pesquisadores da University of Warwick entre de 2013 a 2018 no Johnson Space Center da Nasa buscou entender como as organizações são capazes de equilibrar objetivos concorrentes, como eficiência, inovação e desenvolvimento de capacidades atuais e futuras.

Durante as investigações, os ehttps://itforum.com.br/wp-content/uploads/2018/07/shutterstock_528397474.webpsos depararam-se com um grupo de funcionários da Nasa que desafiaram o status quo e ficaram conhecidos como “Piratas”. Formado em 1986, a equipe foi responsável pela criação de um premiado sistema de controle de missão para o programa de ônibus espaciais. O diferencial é que a solução foi desenvolvida em tempo recorde, com um orçamento restrito, enquanto enfrentavam forte resistência interna.

O novo sistema alimentado por dados em tempo real exibia gráficos coloridos e interfaces fáceis de usar, relatórios integrados sobre o status dos sistemas de transporte e funcionava perfeitamente em ocasiões em que o sistema de mainframe travava. Os controladores de voo logo perceberam que poderiam tomar decisões mais rapidamente e com mais precisão com a ferramenta. Tempo depois, todos os sistemas técnicos necessários para operar um ônibus espacial foram gradualmente transferidos para o sistema criado pelos Piratas, que utilizaram hardwares emprestados de outros times e trabalharam durante horas livres durante um ano.

Os valores e métodos desse grupo chacoalharam a cultura hierárquica existente na agência espacial americana. Eles foram pioneiros em práticas ágeis, mesmo antes do método ágil entrar para o vocabulário organizacional. Além disso, os Piratas foram capazes de superar a oposição, conquistar o apoio de patrocinadores de alto nível dentro da Nasa e desenvolver um novo sistema de controle de missão de transporte com enorme economia de custos.

A história do grupo oferece ensinamentos importantes para todas as organizações sobre como os “renegados” podem ajudar a equilibrar as metas muitas vezes conflitantes de eficiência e inovação. É comum que as empresas concentrem-se no alinhamento estratégico e organizacional, esperando que todos sigam a mesma reta. Essa homogeneidade pode promover eficiência e otimização, mas também oferece riscos de não abrir espaço para a evolução. Os desvios de rota podem, sim, serem positivos nos negócios!

Grupos como os Piratas são antídotos para a inércia – por serem questionadores acabam levando para as discussões algumas discordâncias construtivas, que podem resultar em melhorias tanto nos sistemas tecnológicos, quanto nas estruturas organizacionais.

O estudo mostra que para promover a formação desses grupos internamente é preciso:

1. Desenvolver uma cultura organizacional aberta ao desafio e à dissidência positiva.

2. Fornecer desvios positivos com financiamento inicial e tempo para experimentação.

3. Proteger essas equipes da burocracia e da política da empresa desde o início.

4. Garantir que patrocinadores de alto nível se conectem e suportem esses grupos.

5. Reconhecer as primeiras conquistas do time para motivar a organização a adotar novas práticas.

6. Desenvolver líderes com mentalidade ambidestra, equilibrando as necessidades do presente e do futuro.

Um ambiente com essas características voltadas para a inovação pode fazer com que os questionadores e rebeldes realmente façam a diferença na cultura e nos negócios da empresa.

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