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Como mensagens, gravações de áudio e fotos podem ser roubadas no Telegram?

Na última semana, o site The Intercept publicou uma série de reportagens com supostos diálogos vazados entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça Sérgio Moro e e o procurador da República Deltan Dallagnol no âmbito da Operação Lava Jato. Segundo o Intercept, as mensagens foram trocadas e vazadas a partir do aplicativo de mensagens Telegram.

Mas afinal, como pode acontecer um vazamento em um aplicativo que afirma oferecer criptografia de ponta a ponta? A empresa de cibersegurança Avast avaliou o cenário e estima diferentes maneiras sobre como o vazamento de dados no Telegram pode ocorrer.

De acordo com o Evangelista em Segurança da Avast, Luis Corrons, no caso do atual ministro da justiça, uma das hipóteses é que alguém tenha infectado o telefone de Sergio Moro com um spyware de ferramenta de acesso remoto (RAT). Isto pode acontecer, por exemplo, quando um SMS é enviado para o telefone da vítima, enganando o usuário para clicar em um link que aciona o download do spyware em segundo plano.

Outra suposição é que o celular de Moro não tenha sido protegido com um PIN forte e alguém tenha tido acesso ao telefone, fisicamente, para instalar o spyware.

O vazamento de chat de grupo privado é ainda mencionado por Corrons. “Vimos um caso na Espanha, onde vazou um chat de um grupo privado do Telegram, pertencente ao partido político de extrema esquerda do país, o Podemos. Nesta situação, aparentemente alguém roubou o telefone de um dos membros e copiou todas as mensagens do grupo”, diz Corrons. “No entanto, parece improvável que isso tenha acontecido com a autoridade no Brasil, já que não havia apenas mensagens de bate-papo, mas também gravações de áudio, vídeos e fotos vazadas”, completou.

Como garantir que o vazamento de dados em aplicativos não aconteça?

Na lista abaixo, a Avast indica alguns cuidados para que você não se torne vítima de um vazamento.

Use senhas fortes: Para proteger o telefone contra espiões, os usuários devem, em primeiro lugar, garantir o uso de uma senha forte no dispositivo. Sem essa primeira camada de segurança em vigor, qualquer pessoa que acessar o telefone do usuário poderá acessar os aplicativos e os dados armazenados nele.

Instale um gerenciador de senhas: Se uma pessoa mal-intencionada tiver acesso à senha do usuário, ela poderá tentar utilizar essa senha para acessar outras contas nas quais o usuário está inscrito. Em geral, as pessoas devem usar senhas exclusivas. Os usuários não devem facilitar essas pesquisas, incluindo, potencialmente, referências da pessoa parceira. A melhor prática é usar um gerenciador de senhas para criar senhas exclusivas e difíceis de serem violadas. Um gerenciador de senhas lembra todas as senhas do usuário. Outra opção é usar frases complexas e memoráveis ou “frases sigilosas”, que os usuários sejam capazes de lembrar.

Defina um código de acesso, ID de toque ou identificação de rosto: As pessoas devem definir um código de acesso, que apenas elas conheçam e, simplesmente, digitem esse código antes de utilizarem o telefone. “Para os dispositivos que permitem isso, a pessoa pode definir um “ID de toque”, o qual desbloqueia o celular em resposta à sua impressão digital ou, então, definir uma “identificação de rosto” que libera o telefone para uso quando a câmera frontal do aparelho reconhecer o usuário”, destaca o executivo.

Nunca clique em links: As pessoas devem evitar clicar em links que recebem via SMS, mensagem de texto ou e-mail, pois podem ser phishing, induzindo a vítima a inserir seus dados pessoais ou baixar um aplicativo malicioso.

Instale um aplicativo de segurança: Frequentemente, o spyware requer o acesso root de um telefone, para acessar dados sigilosos do usuário como fotos, vídeos e gravações telefônicas. As pessoas precisam estar atentas se um aplicativo solicitar permissão para obter esse acesso total. Para uma segurança completa, deve-se usar um aplicativo de segurança que detecte e bloqueie spywares e outros malwares.

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